domingo, 30 de agosto de 2009

Porque?

É impressionante como nascemos para acreditar que certas atitudes são tão impressionantemente erradas que devemos negá-las a todo custo, mesmo que nossa consciência esteja implorando para a verdade ser revelada. Quantos problemas emocionais, amizades interrompidas, relacionamentos acabados tiveram como pano de fundo a mentira disfarçada com a simples idéia de "foi para o seu bem", "eu não queria te machucar", "tive medo de te perder" e tantas outras desculpas que usamos para aliviar nossa culpa. No final das contas quando menos esperamos nos vemos em uma teia sem saída que nos sufoca alucinadamente. Percebemos então que se tivéssemos abraçado nossos comportamentos não aceitos e não esperados teríamos podido poupar muita coisa: noites de sono, relacionamentos e paz, muita paz. Percebemos que negar nosso lado obscuro nos leva a negar a nós. Não existe certo sem o errado, escuro sem o claro, barulho sem silêncio. Quando nos damos conta desse emaranhado de diferenças, nos mudamos, reconstruimos, crescemos e mais importante de tudo temos menos drama e mais sorrisos, menos dor e mais alegria, menos guerra e mais paz. E eu fico a me perguntar porque somos ensinados a ocultar certas coisas só pelo fato de serem consideradas ruins, quando é exatamente a exposição saudável e sem alardes que trás a paz de espírito e a compreensão em um nível maior. Porque devemos ter medo de errar?


Paula Cristina.

Hoje

Hoje eu acordei renovada. Passei minha vida inteira achando que deveria sustentar o mundo nos meus ombros e que meus sentimentos eram meus e de ninguém mais. Contrariei minhas regras para ver no que dava. E deu, deu entendimento, forças renovadas e uma amizade fortalecida. Seria mais fácil eu esconder, porque assim não precisaria me enfrentar, te enfrentar. Foi menos difícil do que eu pensei. Estamos crescendo juntas. Duas pessoas opostas aprendendo o que tinham que aprender juntas. Com o tempo vai melhorando, as feridas cicatrizando. Hoje eu acordei completamente aberta ao inesperado mais uma vez, aberta às possibilidades de nossa amizade. Hoje sei que eu devo sim dizer. Dizer com carinho, atenção e compreensão, mas ainda assim dizer.
Paula Cristina.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O que você faz?

O que você faz quando descobre que todas as qualidades que você odeia em si mesmo foram apontadas pelas pessoas que mais ama? O que você faz quando você se mata tentando mudar algo e alguém te convence de que será uma busca sem triunfo? O que você faz quando se trai de forma mais dolorosa e pesada? O que você faz quando você não mais acredita em sua própria capacidade de ser o que quer ser? O que você faz quando percebe que está sozinha e já não tem mais nada para arrebatar a dor? Você se entrega a tudo? Você sucumbe ao caos? Me disseram uma vez que se entrarmos no caos, estaremos sempre nele. Não deixo de acreditar, mas desacredito ao mesmo tempo. O que você faz quando o caos é tudo que te resta? O que você faz?

Paula Cristina.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

sobre eu e você.

Eu achava que estava apaixonada por você, mas a verdade é que estava apaixonada pela idéia do que eu queria que nós tivéssemos sido. Um erro clássico, mas arrasador. Todas as nossa músicas continuam sendo nossas, pelo menos para mim. Nossas conversas, olhares, carinhos continuam intactos em minha memória. Você se foi a tanto tempo, porque eu permiti, mas eu ainda o sinto aqui. Não é sua culpa, nunca foi. Foi minha culpa e não tem sido fácil admitir tal coisa, mas é necessário para que eu consiga dormir mais uma noite em plena paz. Hoje você encontrou brilho nos olhos e por isso eu fico feliz. Não nego dor ao perceber que não sou eu o motivo de sua felicidade. Eu fui uma vez, a sentimentos atrás, quando ainda podíamos sentir nossos lábios se encontrando em um sussurro breve. Hoje sou apenas eu a sentir tal fenômeno. Me perdoe pela dor que eu causei. Percebo claramente que essa dor também gerou dor em mim com a mesma intensidade. A diferença é que não me deixava sentir e era eu mesma a inflingidora de tais penas e não você. Hoje sei que preciso seguir em frente e assim o faço. Mas deixar de te amar? Não sei. Nunca fui apaixonada por você, mas te amei com todo meu coração. Sim, paixão e amor são diferentes. A paixão deixa rastros loucos e perturbados e, logo depois, deixamos de nos importar com aquele que foi fruto de nossos maiores instintos. Mas o amor, ah o amor, não tem barreiras. Não importa onde vamos, sempre levaremos lembranças daqueles que amamos. O amor não esquece, apenas finge esquecer para sorrir mais uma vez. Durma bem essa noite e a noite seguinte e a noite seguinte. E se algum dia sentir falta do meu olhar me procure, eu sempre estarei aqui. A questão é se você algum dia saberá isso.


Paula Cristina.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O adeus que eu não pronunciei

Não era pra ser assim. Era pra sermos amigas para sempre, mas você não deu valor, você não se importou, passou por cima de todos os meus sentimentos. Chegou a achar normal que eu entedesse todas as traições que você me inflingiu. E era normal, enquanto eu não me amava o suficiente, enquanto eu precisava amar outras pessoas, já que não conseguia me amar primeiro. A questão é que hoje eu me amo e não sei como conviver com alguém, que eu sei, poderá trair minha confiança uma outra vez. Não deixei de te amar, a questão é que agora eu te odeio também, às vezes. E esse meu ódio e amor fará mal tanto para mim quanto para você, se continuarmos a nos relacionar. Minha contradição é uma constante, mas ainda assim difícil de ser controlada quando explode. Espero que me perdoe pela minha ausência, assim como espero te perdoar também pelos seus erros. Quem sabe eu esteja errada e o que eu considero errado não seja um erro e então talvez eu terei que pedir perdão uma outra vez pela minha audácia. Tudo está muito confuso no momento e essa carta não enviada é tudo que eu tenho para tirar toda essa confusão de dentro de mim. Talvez você chegue a ler todas essas palavras, mas é provável que não saiba que eu as dedico a você. Meu coração pesa e eu nada posso fazer até saber porque ele pesa. Talvez seja você, talvez seja o cheiro do orvalho. Eu não sei, ainda. E eu fico por aqui. Deixo de escrever para tentar dormir...


Paula Cristina.

domingo, 23 de agosto de 2009

Amante

Meu lado obscuro se fez presente assim que desci as escadas em direção ao carro. Não tinha certeza se realmente aconteceria ou se era apenas minha imaginação pregando peças. Dirigi nervosa, completamente distraída por aquele cheiro que me hipnotizava. Meu corpo inteiro tremia, pensaram que era frio, já que meu corpo estava completamente gelado, mas eu nada sentia senão uma ansiedade imensa por não saber o que aconteceria. Conversamos por um longo período até que meu destino me pegou de surpresa e lá fui eu de encontro ao desespero e colapso mental e ele viu tudo. Completamente ridículo meu desespero, mas se ele achou o mesmo não demonstrou. Pelo contrário, se mostrou completamente compreensivo. Então me encarou daquela forma, para ver se eu enfrentava seu olhar e foi aí que eu soube que meu lado obscuro seria mais forte aquela noite. Escrevo isso como confissão de meus surtos errantes, de meu instinto selvagem, de meu completo desacato a qualquer ideologia que seja, mesmo que eu acredite piamente nela. Sou contradição da forma mais pura, pois acredito, confirmo e até prego, mas meu fetiche pelo proibido se mostra mais forte de vez enquando, quando não tem ninguém pra me dizer que pare. E sinceramente, se tivesse alguém para me impedir, ficaria mais interessada em quebrar as regras, pois assim eu teria obstáculos. E vamos encarar os fatos, eu adoro desafios. E assim se fez, quebrei as regras da melhor forma possível. Ele foi bem claro quando nos despedimos que não queria que eu fosse. Dirigimo-nos, um pra cada lado e nunca mais nos vimos, a não ser talvez pelas festas em comum.
Paula Cristina.

sábado, 22 de agosto de 2009

Sobre ser

Já quis ser lutadora, mulher do deserto, prostituta, monge, rei arthur, mulher maravilha, sheeha, hannibal, merlim, morgana, personagem épico, atriz, modelo, gueixa, cleópatra, feiticeiro. No final restou a mim e meus aprendizados durante a jornanda de meu "querer ser". Hoje sou um pouco de cada, junção do que me fascinava e ainda fascina. Sou hoje, o que fui ontem e um pouco do que serei amanhã. Sigo um futuro com um olhar de medo e uma pontada de esperança em ser o que sempre quis ser e levar e trazer paz e amor por onde eu andar.

Paula Cristina.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

apenas palavras...

Eu não escrevo palavras bonitas, nem me deixo sentir em meu redemoinho. Meus passos são singelos e usurpados. Preparados para o próximo trair de minha própria raça, de meu próprio sangue, de meu próprio ser. Talvez seja o fato de não me escutar nunca e nunca me deixar falar que sou tão inconsequentemente livre. Seriamente criança e furtivamente adulta. Quem sabe o que eu quero dizer, SABE. Mas a questão é que eu acho de verdade que ninguém sabe e até gosto disso. Fingia que não, mas gosto. Gosto de ser diferente, a desentendida, a incompreendida, a perdida ou qualquer outro termo usado por eles para me descrever em meus momentos de fúria, de fuga, de sutilezas indesejáveis e desnecessárias. Preciso correr, dormir, acampar, gritar, pular, odiar. Odiar quem?! Não tenho ódio, dá pra acreditar? Por mais que eu tenha tentado odiar, não consegui, falhei na única arte que queria ter ativa em mim, para então dar as costas e simplesmente partir. Mas isso, aaaah, isso eu nunca consegui. Quem sabe hoje eu faça isso. Seria interessante, se não fosse completamente sem sentido. É, é disso que eu preciso de mais um comportamento sem sentido.

Paula Cristina.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Só por agora...

Escrevi algumas palavras de madrugada, mas acordei hoje, sentei em frente a televisão e assisti minha série favorita. Não estou contando meu dia, nunca gostei de fazê-lo, meus diários são pensamentos e frases amontoadas para expressar o que eu sinto. Não conto os dias, pois não me interesso por eles. São as entrelinhas que me chamam a atenção. Durante minha série favorita, parei para pensar por um momento em tudo que queria com todo meu coração. Eu quero amor de cinema, não aqueles impossíveis, mas que me façam sentir especial. Quero acordar sabendo que meu dia vai ser perfeito. Deixei algumas coisas para trás, sonhos, fracassos e amores. Outros tantos eu mantenho vivos em mim, a medida do possível. Quero viajar o mundo, sentir o vento lavando meu rosto enquanto me deixo me conhecer de uma forma estonteante. Tenho sido romântica nesses últimos dias. A verdade é que sempre fui, só não admitia. O futuro não me pertence, mas me coloquei a imaginar que se eu acreditar com todo meu coração, meu sonho pode se realizar. Não sei ao certo por onde ir, então eu sigo sem rumo e faço escolhas, erradas ou não. Aprendi que elas me levam onde estou agora e portanto eu as observo com mais clareza. Tudo que faço, escolho com a cautela de um sábio e a paixão de uma criança, pois é tudo que eu serei em alguns segundos depois da escolha. Talvez não passe de uma simples crença sem fundamentos, e eu me pergunto 'e daí?'. Todos acreditamos em alguma coisa, por mais que essa crença seja não acreditar em nada. Minhas palavras vão agora ficando vagas, talvez porque não tenho nada mais a falar, talvez porque não me deixo aprofundar... Quem sabe um dia eu venha a escrever algo além de palavras, algo além do que eu sou. Por agora, eu me contento com o que eu tenho. Mas só por agora....


Paula Cristina.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Deserto de amores

Ela acordou no meio da noite e se percebeu sozinha. Mais uma vez haviam partido, deixando-a para tráz. Ninguém sabia que no final ela seria como a água da chuva que lava e acalma, como o vento que revolta e se instala. Assim como já é a terra que acolhe, o fogo que aquece, o sorriso esperado, o copo quebrado, a carta rasgada e a lembrança forçada. Amou e foi amada milhares de vezes, mas perdeu todos eles por ser incompreendida. Nunca deixou de amar algum deles, mas por algum motivo eles achavam que ela jamais os amou. Então quando não restasse mais nada ela partiu mais uma vez, foi além do céu e voltou, decifrou o mundo, montou quebra-cabeças, ouviu músicas, cantou e dançou. Continuando a ser quem é e vivendo o que vive. E quando tudo eclodiu se transformou em uma guerreira, sempre crescendo e se encontrando, fortificando e se preparando. Levou consigo todos os seus amores. Sentou e esperou, pois um dia, alguém seria digno de seu amor.

Paula Cristina.