domingo, 29 de novembro de 2009

Idéia de um projeto?

E de repente tudo fez sentido. Todas aquelas histórias presas em um mundo de línguas, culturas e naturezas próprias seriam reavivadas em milhares de páginas. Não tinha como negar, existia um mundo incapaz de ser, por ser completo irreal. Seus personagens faziam parte de um conto de fadas ao avesso, onde não existe nada que escape, tudo é por completo transformação e sua missão era a de passar esse mundo para o papel. Espera-se que fique bom. Quem sabe?

Paula Cristina.

sábado, 28 de novembro de 2009

Os bons

Ouve-se bastante a frase "Os bons morrem cedo" que Queen citou em uma de suas músicas e mais tarde essa frase foi levemente transformada e utilizada na música de mesmo título "Os bons morrem jovens" de Renato Russo. Quem são esses "bons"? Pessoas que fizeram muito pela ideologia, pelo modo de pensar. Pessoas que não se calaram quando a maioria se calaria. Os bons são revolucionários. A maioria das pessoas não são como eles. Acredito que não teriam coragem, nem estômago para aguentar tanta boofetada que se leva enfrentando o mundo sem cerimônia. Os bons portanto são humanos tidos como heróis. É importante que não os confunda com heróis, há uma pequena diferença. Os bons são humanos que procuram ser o melhor que podem, que procuram ser a imagem que fazem de seus próprios Deuses, os heróis são Semi-Deuses, quase impossíveis de se matar. Os bons têm multiplas fraquezas, os heróis têm uma só. Os bons são lindos, os heróis divinos. Os bons levam calos no pé, o heróis jamais saberão o que é isso.
Paula Cristina.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Romance

E quando não se sabe o que ler, mas quer ler algo para passar o tempo, para sair de um mundo real, opta-se por histórias que não sejam suas, de tempos e vidas remotas. Não se lê teorias ou coisas do tipo, porque elas se aplicam ao mundo, à real carnificina que procuramos nos desvencilhar. Romances trazem tragédias, mas com histórias de mocinhos em que coragem e esperança. são as qualidades mais presentes. Aquela parte em nós que luta em permanecer viva, quando não há água que regue, quando não há realidade que sutente. Talvez seja por isso que heróis são tão lindos, talvez seja por isso que contos de fadas são tão queridos.


Paula Cristina.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Saber

Recém nascida neste mundo vasto é o que sou. Não sei nada, mesmo do que mais amo e dedico. A cada passo, olhar, sentir e pensar, uma descobrta. É tão lindo saber que sei menos a cada instante. Pensar que quanto mais aprendo, menos sei, masi desconheço. Quando sabemos, deixamos de lado mundos diversos que poderíamos saber se não soubéssemos de outro. O não saber é lindo, especialmente quando se descobre. Quanto mais sei, menos sei.


Paula Cristina.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Prece

Que a música se faça ouvida e acalme os corações de seus fiéis. Que ela traga paz, amor e esperança para aqueles que a procuram. Que as notas sejam bem pontuadas e os acordes abram sorrisos de beija-flores diversos. Que Chico Buarque e Marilyn Manson se transformem em um só por uma noite. Que a melodia seja de tal forma que não se discuta sua divindade. Que o seu sorriso se transforme no meu assim que a noite cair e sejamos uno com as estrelas cadentes. Que aqueles que se foram permaneçam firme no toque de um violino e acalme os que ficam no toque da voz. Que a gaita expresse a solidão como a arma mais forte de se amar de novo e a harpa junte-se a ela como forma de deixar o amor entrar. Que Apolo desça por um instante a traga Euterpe e Aerde consigo. Que a verdade jamais se cale diante da música, que ela seja instrumento de expressão. E que com sorrisos ou lágrimas possamos encontrar o divino em um acorde que for. E que os versos que eu escrevo se tornem parte de um amor.


Paula Cristina.

A verdade

E as verdades mais azedas que dizem querer, na verdade não querem. E então passa-se a adocicá-las com rapadura, que é para ficar mais doce que qualquer outra coisa adoçada com açúcar. E a mão que passa na cabeça daquele que enfeita a verdade com mentiras bonitinhas é a mesma mão que espanca o rosto daquele que contempla a verdade nua e crua, sem mel. E depois de tudo ainda dizem amar a verdade, quando não sabem quem ela é.


Paula Cristina.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Por te amar

E quando não me acho, quando não me vejo, fico ali, parada com ar de quem não sabe, com ar de indefesa. Só ar, porque no final das contas nem faz tanta diferença. Tanto preconceito, tanto "o que eu gosto é melhor" que já nem sei se fico ou se vou. Não me importo de ser diferente, de gostar diferente. Cada um é cada um e essa mania de dizer o que é melhor deixe de lado, faça-me o favor. Não quero saber. Gosto assim, de me interessar pelo que eu me interesso e você pelo que você se interessa. É mais bonito, é mais real. E quando sentarmos em uma mesa para conversarmos, não se impressione por sermos diferentes, mas me ame por eu não ser você. E quando eu ficar ali parada parecendo estar alheia a um mundo que não é meu, regozije-se já que provavelmente eu só permaneço ali por te amar. E isso, por si só já é um grande feito sendo que eu nunca permaneço.


Paula Cristina.

Emprestar

Nem sempre o que se empresta é emprestado. Às vezes é dado com o nome de emprestado. Então eu te pergunto: Quando é que emprestar é realmente emprestar? Empresta-se a alma? Empresta-se a vida? Empresta-se o pensamento, o sentimento? E o contrário? E quando diz-se dado, mas foi emprestado? Afinal de contas, cadê a linha? O limite? Cadê o dar-se e o emprestar-se? E como é que se contrabalanceiam em uma relação humana? Acho que até o conceito disso aqui é emprestado. Ninguém quer. Pensa, passa, usa, joga fora e no final das contas pede-se de volta, como se fosse um iô-iô. E eu te faço outra pergunta: Porque você se empresta todos os dias?


Paula Cristina.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ritual

Passaram-se horas, o breu já havia tomado conta, a lua apontara no céu. Ela se dirigiu às extremidades do local limitado e acendeu uma vela atrás da outra, formando um círculo. Dirigiu-se ao seu centro, sentou confortavelmente e se deixou vaguear na escuridão. De súbito começou a sussurrar uma canção compassada e ficou ali, até se sentir por completo fora do estado de alfa ao qual se deixou vaguear minutos antes. Levantou-se, e apagou e remouveu as velas, uma por uma.


Paula Cristina.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

De mulengro a centro

Mulengro se apossa de mim de vez enquando, e quando isso acontece parece que adiquiro o dom de me culpar quando não devia e deixar a culpa tomar conta, mesmo quando não se pode fazer nada pra mudar. Adquiro o dom também de me vingar, mesmo sabendo que não há necessidade. Só mesmo para sentir o gosto de pensar que a dor não é só minha. Mas então o centro me engloba e o mulengro já não é chamativo e então vivo dessa ida e vinda. Alguns diriam que essa inconstância se chama bipolar. Não, eu a chamo de traço adquirido devido ao sistema, a cultura e a falta de crescimento emocional. E então me ponho a ir e vir e aprender a sempre ir para o centro e fugir do mulengro. Meu lado selvagem pode sim viver, mas viverá de uma forma livre e esperançosa. Não me quero olhando furtivamente por trás de meu ombro a cada passo que eu der. A vigilia é constante, mas saber confiar e amar e não deixar o mulengro adentrar é uma forma a mais de me acalmar, de me fazer sorrir.
Paula Cristina.

Psiquê

O labirinto mais bem elaborado teve nome, era mortal e virou imortal. Zeus programou essa reviravolta e Afrodite teve que ceder. Psiquê: essa subjetividade tão condensada e tão líquida diante dos julgamentos mais injustos a ela empregada. Não há nesse mundo ou em outro quem a consiga compreender por completo, tamanha é sua imensidão, tamanha é sua beleza. Não penses que digo apenas do mito. O mito é apenas uma forma de mostrar, de falar, de admirar Psiquê. Na verdade é uma desculpa esfarrapada para descrever sua formosura. A Psiquê tem seus altos e baixos, é senhora dos loucos e dos lúcidos também. É senhora de todos os sentimentos, sejam eles bons ou ruins no seu vocabulário. Para ela, não existe oposição e sim diferenciação, autenticidade. Psiquê é a forma mais feia do que de mais grotesco temos. É também a forma mais bela do que temos de mais sublime. É id, é ego, é superego juntos. É a combinação de mulengro e de centro. É vilão, é mocinho, é a treva e a luz, caçador e vítima, flecha do cupido e coração acertado. Psiquê é um estado, é um ser não sendo, é o espelho refletido de seu reflexo na água. É a mais bela complicação, a mais doce, a mais meiga, a mais venenosa e a mais atraente. Jamais Afrodite encontrará deusa tão rara e única como Psiquê e, portanto, é sua única inimiga.
Paula Cristina.

domingo, 15 de novembro de 2009

Você é

Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava. Você é os nervos à flor da pele no vestibular, os segredos que guardou. Você é a praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema. Você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai. Você é o que você lembra.
Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas. Você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pêlo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta. Você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo. Você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar. Você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá. Você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta. Você é o que você queima.
Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta. Você é os direitos que tem, os deveres que se obriga. Você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca. Você é o que você pleiteia.
Martha Medeiros
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Você é todas as lágrimas derramadas e todos os sorrisos infiltrados. O mar que abraça o mundo, o estádio onde Deus e o Diabo jogam futebol. Você é a bebida mais quente e a mais fria também. Você é porto seguro e um vulcão prestes a erupção. Você é contradição, da mais pura, da mais real, da mais sincera, da mais traiçoeira. Você é metade. Metade mortal, metade imortal. Você é amor e ódio, esperança e desiluzão. Você é o filme de terror mascarado de canção de ninar. Você é a inocência brincando de esclarecimento. Você é tão puro quanto eu quero que seja e tão sujo quanto eu vejo. Você é o espelho disfarçado de realidade. Você é o Mestre Dos Magos. E quando pensam que não te desafiaria, é porque esquecem que sou mulher de Dumbledore. Não importa o que digam, você é o que eu vejo, e eu sou a dona deste mundo. No meu mundo esquizofrênico o fantoche é você. E então eu acordo, coloco os chinelos e sigo em frente, porque como eu, no mundo real, você é apenas você.
Paula Cristina.

Incansável

Não sei ao certo quantas coisas já pensei hoje, nem quantas coisas ainda estão por serem pensadas. Passei o dia pensando, repensando e re-repensando. Li, reli e pensei mais uma vez. E o ciclo não vai parar até que eu resolva me calar, me quietar. Mas eu não quero, não estou cansada e acho que falta muito para aquietar meu espírito por esses dias. Minha sede de mim mesma é extremamente crescente e incansável. Meu hiperativismo mental está a toda com tanta informação ao mesmo tempo. E assim eu medito, leio, penso, ajo, medito, leio, penso, ajo infinitamente. Até que uma hora meu corpo extremamente cansado me pára e eu me ponho a dormir para repor as energias.
Paula Cristina.

Fuga do inferno

Achava-se impossível fugir de Lúcifer e de seus guardiões, mas foi tão fácil. Não havia saída, a não ser a porta guardada por ele, e ele não fez objeções. Aliás, foi como se ele percebesse que não era ali o lugar daquele lobo. O lobo continuou, tentando manter a respiração compassada para não se perder. Calmamente encontrou o final do túnel. Esperou que a lua apontasse no céu para sair sob o céu aveludado. Nunca mais se soube de nada daquele lugar. Perguntaram a ele muitas coisas, mas ele só se propôs a informações que não compremetessem sua própria espécie. Se calou perante aos vários boatos que surgiram. Ele não se importava com o que ocorrera no inferno.
Paula Cristina.

Eles mudaram, e só.

E ficaram sentados à sombra da árvore. Ela, cansada de ser. Ele, cansado de ver. Observando que o tempo passava, esperando que algo mudasse. Mas, a não ser a claridade do dia, tudo que tinham de diferente era eles mesmos e um novo modo de pensar. Porque, a partir daquele dia, já não se podia esperar que eles fossem iguais. Não quando seus pensamentos tomaram outros rumos. Cientistas de suas próprias vidas era o que eram.
Paula Cristina.

sábado, 14 de novembro de 2009

O não doer da vingança sem sucesso

Não se fez nenhuma dor, suas vinganças não alcançaram nem mesmo o primeiro degrau da escada para bater a minha porta. Pensei que seria com um estardalhaço que explodiria a porta e entraria como um intruso me arrastando aos poucos pelo barranco da estrada. Mas nada, nem mesmo um centímetro de incapacitação. Pelo contrário, me abriu para possibilidades inúmeras. Me abriu para sorrisos mais meigos, abraços mais apertados e momentos inesquecíveis. De tudo que passou, você é o que menos me impressiona, você é o que menos fez barulho neste meu mundo de vendavais constantes. E a porta continua intacta, sem nenhum arranhão. Como se, por ali, ninguém tivesse passado, senão uma brisa leve levando a solidão.
Paula Cristina.

Sobre ser II

Não intendo passar raspando pela vida. Com aquele jeito de moleque travesso que quase conseguiu o que queria. Para mim, quase ainda é não ter conseguido, mesmo que por um triz. Não adianta de nada querer quando não é e nem se faz ser. Seja o que quiser, mas ame o que se é. De nada adianta passar esquecido de si, quando não se queria esquecer. Não precisa mostrar o que se é a todo momento, mas seja sempre e saiba que está sendo, mesmo quando não demonstrar. Não intendo viver sem minhas próprias regras, elas são demasiadamente especiais para esquecê-las e eu seria demasiadamente tola se não as ouvisse. Não pretendo ser tola mais uma vez.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lírios e cerejas

E eu te desafio a me amar como nunca amou ninguém. Te desafio também a se deixar levar pela minha sedução. Lírios e cerejas é o que eu te dou. Mas só te dou se você ficar, se você resolver viver ao meu lado. Essa não é uma proposta para qualquer um. Não desafio a todos, mas àquele que nem sei o nome ainda, àquele que não sei quem é. Não porque não o conheço, mas porque desconheço o futuro e não sei que irá me fazer descansar dessa procura do amor. Pode ser que já está bem na minha frente, que converse horas comigo ou alguém que ainda não me foi apresentado. Mas esse alguém, seja lá que for, terá lírios e cerejas por toda a vida. Tenho muito a dar, confesso....


Paula Cristina.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Só pra escrever

Quem entra em minha mente, entra em um mundo a parte, onde mocinhos e violões têm um mesmo rosto, onde luz e sombra são os mesmos, onde nem tudo se encaixa em explicações racionais. Acho a racionalidade linda, mas de nada serve se não percebida como algo a complementar e nunca como uma espécie de verdade irrefutável. Perdi o interesse de escrever e, por isso paro por aqui, por hoje.


Paula Cristina.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Como sempre foi

Foi bem de mansinho que ele se aproximou. Estavam na esperança de ser como sempre era, mas já tinha sido a tanto tempo que não se sabia mais como era, nem como fazer. Ele se aproximou, o ar fugiu dos pumões dela. Todos os pensamentos, conversas repassadas, repostas pré plannejadas já não existiam. Seus pensamentos eram ocos e, assim, sem pensar ela deixou ser como sempre foi.
Paula Cristina.

domingo, 8 de novembro de 2009

Adeus

Não sei ao certo qual seu papel no desenrolar da minha história. Pode ser que seja apenas o de me ajudar a não mais evitar certos sentimentos que a muito evitava sem a menor cerimônia. Devo dizer também que se for só este já é um trabalho e tanto e acrescento que já foi feito. Portanto, na verdade, esses pensamentos são mais como uma carta de adeus que nunca será entregue ou recitada e que, provavelmente, você nunca saberá a existência. Mas devo dizer porque quando digo, já não faz parte de mim e assim, não me pesa mais saber que não as disse a você. Foi lindo, foi maravilhoso, foi diferente de tudo. Adeus.
Paula Cristina.

Sobre relacionar-se

"Pedido
Eu não quero que você seja eu
Eu já tenho a mim.
O que quero é que você chegue
Com seu poder de chegar
E de me devolver pra mim.
Que você chegue com seu dom
De também me fazer chegar
Perto de mim...
Para me fazer ver o que sou e que só você viu
Para eu ser capaz de amar também
O que só você amou.
Eu não quero que você seja igual a mim.
Eu já tenho a mim.
Não quero construir uma casa de espelhos
Que multiplique minha imagem por
todos os cantos.
Quero apenas que você me reflita
Melhor do que julgo ser."
Fábio de Melo
Não que você vá ter os mesmos gostos que eu tenho, mas que aprenderemos a enfrentar as diferenças juntos. É a questão de não tentar mudar o que não precisa ser mudado. Cada um é cada um. Não interessa que sejamos diferentes, pois a diferença só ameaça quando não se está bem com o todo, quando um não pode ser porque o outro não deixa. Não que eu vá entender tudo sobre você o tempo todo, mas também não vou forçar, na hora certa sai alguma coisa. Não se sabe tudo, não se compreende tudo, o mundo é por si mesmo muito misterioso e calado, não nos conta suas aventuras diárias. Não que vá ser indiferente a dor, mas será tolerável a gosto e, na hora certa, algumas das partes vai ou a dor pára. Nã que será sempre um mar de rosas, mas será reconfortante saber que existe amor.
Paula Cristina.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Amores e amantes que vêm e vão

Sei, sei, sei, foi sempre assim, esse ar de amores e amantes. Não que fossem muito úteis ou que fizessem sentido, mas foi com o ar da graça de se ser. Está na hora de mudar e o que dizem por aí não cabe a ninguém responder com certos e errados, verdades e mentiras. Não faça menção ao que foi, porque foi e não é mais. Faça menção ao que é, pois o que é, por mais feio, sujo, desleixado ou outro preconceito qualquer que seja é lindo, apenas por ser. Apenas pela implacável vida que se toma e vive e rouba e revigora. Os amores e amantes que foram, se foram. Podem voltar a qualquer momento, podem ressurgir das cinzas; mas se foram do mesmo jeito e cabe apenas pesagem do que foi para ver se pode ser mais uma vez. Mas essa pesagem não cabe a ninguém que não a própria vivente. E aí não se entra ninguém, aí são segredos de quartos, segredos de almas, segredos de si. São obras de arte gravadas em papel de pão. São dialéticas da própria existência e aí não se adianta discutir, já que a discussão nunca chegará a um consenso. É mutante demais, é vivente demais para ser constante, mesmo que em teoria.


Paula Cristina.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O medo

O medo é sempre das coisas que não são, dizem por aí: "se não é, pode ser algum dia". E que saber? Pode mesmo, pode vir a ser com o maior dos encantos ou o maior dos desencantos, mas não muda o fato de que tudo é e não é ao mesmo tempo. Fazem tanta tragédia do medo que chego a rir. O medo aparece a mim todos os dias e eu o escuto ou não. A primeira vez que apareceu para mim, se mostrou pequeno, de mãos ágeis e sorriso malicioso, não tinha corpo, era vazio imensurável e sugava tudo a minha volta. Hoje ele é grande, escuro, de sorriso estridente, continua sem corpo, vazio imensurável, mas não suga, respeita. Espera que eu o ouça e que eu dê a sentença. Hoje eu invoco o medo como um aliado. Saber o que pode ser e, portanto, o que pode não ser também. O medo é meu companheiro.


Paula Cristina.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Aula de violão

O céu foi se escurecendo a medida que as horas passavam e continuava-se ali a discussão tão acalorada sobre música e violão. As dicas sendo vomitadas em um êxtase contagiante. Só então quando não se enxergava mais que tiveram que admitir que não tinha jeito, estava na hora de parar, arrumar as coisas, e ir embora para organizar os pensamentos. Não se queria ir, queria ficar, tocar, trocar idéias e pensar em músicas diversas para se aprender. Foi lindo enquanto durou.
Paula Cristina.

domingo, 1 de novembro de 2009

Reencontro

Mais uma vez ela voltava ao lugar onde toda usurpação começou, onde seus passos mudaram. Estava levemente mudado, algumas cores modificadas, objetos diferentes em estantes redecoradas. Aquelas paredes não viam mais seu sentimento, não porque não saibam ver, mas porque não existe mais. Este sentimento fora dividido para outros mais próximos, mais preocupados. Como seria dessa vez? Sem sentimento, sem entorpecimento? Exatamente como pensara: não era mais. Levantou, cautelosamente para não acordá-lo, fechou a porta, e seguiu caminhando até em casa. Finalmente ela estava em paz, já não fazia diferença quem ele era. A única coisa que fazia diferença era a felicidade que fora tomada por saber que agora ela tinha completo controle sobre si mais uma vez. Seus sentimentos eram seus e de ninguém mais.
Paula Cristina.

Você

Então me diz quem é você, do que gosta e do que não gosta. Me julgue diante do luar e me faça uma serenata às escuras. Quem sabe quando você se movimentar verá tudo mais claro, como o ar que passa pela sua cabeça e enxerga dentro das veias que correm em seu cérebro. Continue se achando melhor e mais experiente, continue vivendo desse mesmo modo que vive por toda a vida. Um dia quando eu bater na sua porta, você não mais me reconhecerá e, portanto será impossibilitado de mais uma vez me fazer sangrar. E então como se tudo mudasse de novo eu recoloco as mácaras até que depois da trigésima sexta você finalmente me reconhece e com um suspiro de aprovação você diz: "Meu deus! Você continua igual era a anos atrás!". Eu sorrio, viro as costas e continuo a andar. Você é impressionantemente estúpido para notar as máscaras que sempre forraram meu rosto. Que sempre vão forrar.
Paula Cristina.