sábado, 30 de janeiro de 2010

Música

E quando a música começa, tudo se dissolve. É você, o mundo e o ritmo. Feche os olhos por um momento e sinta o ritmo entrar por seu corpo, tomar conta de seus sentidos. A música cura, a música acalma. As divindades se curvam diante da música, o som é eterno dentro da mente. Aguça os sentidos de forma estraordinária e além de tudo isso traz a paz que já não se sentia a muito tempo.
Paula Cristina.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Perguntas ao tempo

E se tudo for diferente como saberíamos que não seria igual? E porque não seria igual? Cada coisa no seu tempo, você não é dono da verdade então porque as pessoas insistem em colocar a causa da cicatriz em suas costas? Você só faz passar, só trás mudaças. Aliás é o que você mais gosta: mudanças. Mas você não faz passar a dor, só disfarça com histórias mil de amores, amantes, amigos e outras coisas mais. Porque insistem em fazê-lo sábio, quando tudo que você faz é passar, passar e passar. Você não cura, apenas acalenta. Suas histórias fazem adormecer, mas nunca curar. E me diz então porque querem tanto você e odeiam mudanças, quando é a mudança a verdadeira causa da cicatriz deixada? Porque as pessoas sempre querem o médico, mas não o remédio?
Paula Cristina.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Hoje.

Chega um momeno na vida em que se escolhe. Eu escolho parar com tudo. Parar com os amores sem futuro, os amores assassinos, os amores doentios. Escolho ficar sozinha. Pode ser difícil, estranho e até mesmo nada agradável no começo, mas não importa. De nada adianta guardar lembranças, gerar poeira e muita dor de cabeça. Hoje eu escolho a mim e digo não a surtos, lágrimas e recaídas. Hoje eu vou sentar, tomar um chá e ler um livro. Hoje vai ser tudo diferente.


Paula Cristina.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Desfecho

Ela acorda com uma dor de cabeça de fazer perder o chão. O ar entra pelo pulmão rasgando e sai queimando. O telefone não toca. Faz o café, veste uma roupa, senta na varanda para aproveitar o resto da noite. O chá já não faz efeito e por isso, a meditação se torna a aliada principal. Os olhos transparecem um vulto triste, sem vida. O peito arfa pesadamente. Os vizinhos não a conhecem e mesmo que conhecessem, duvida que gostaria da companhia deles. Fecha os olhos, ouve o silêncio, o barulho mínimo do silêncio. Finalmente sente os pulmões cheio de ar e isso a acalma. Ela deita a cabeça sobre os joelhos e fica ali, passiva. A dor de cabeça passa, a calma fica e ela não se atreve mover um músculo sequer. Se sair daquela posição pode perder a magia de ficar ali, ouvindo o silêncio, abraçando o ar. A verdade é que queria alguém para suprir a falta, mas não quer qualquer um, quer ele. Ele não está, ele nunca está. Já não faz tanta diferença, ela não precisa dele para ser. É nessa hora que ela sabe que em algum momento vai ficar com alguém, só por uma noite, para suprir as necessidades que ele não dá, que ele não quer dar. E o coração acalma, ela sabe quem ela é, o que ela quer e como ela quer. Não faz diferença, ela vai deitar sozinha, acordar sozinha, amar sozinha e esperar por um desfecho diferente. Por um desfecho que ela espera a muito tempo. Se ele ao menos entendesse que não existe ninguém mais, nunca existiu.


Paula Cristina.

Meu mimo

Vou contar um segredo, sou a pessoa mais mimada que você vai conhecer. Meu mimo não é de ser princesa, mas de não saber ouvir "não" em relacionamentos. Não sei não ter amigos, não sei não agradar e quando vejo que não agrado me revolto. Meu mimo é ter medo de não ter. Me disseram uma vez que a gente tem medo do que pode dar certo. Eu tenho medo de não dar certo, faço tudo para dar certo. Mudo meu jeito, troco de nome, de sorriso, de olhar. Troco tudo para saber ser amada. Meu mimo me mata, porque jamais eu vou conseguir mudar pra agradar completamente e aí eu fico aqui sentada na frente do computador para não precisar encarar a verdade de que não importa quantos amigos você tenha, quantos sejam verdadeiros, no final do dia você deita sozinha e no começo do dia você acorda sozinha. E a dor permanece intacta como uma cicatriz que sangra continuamente. E eu nada posso fazer a não ser tentar aprender que não adianta o quanto você se esforce, vai ser sempre você contra o mundo.


Paula Cristina.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A patricinha e a alternativa

Ficaram amigas instantaneamente. Qualquer um que olhasse diria que era estranho. A patricinha e a alternativa. Mas elas não se importaram e deu tudo certo. Cada uma aprendendo um pouco dali e um pouco daqui. Não que já tenha tempos de convivência, mas é como se fosse. Se encontraram todos os dias desde então. É como se fossem amigas de infância e isso é bom.
Paula Cristina.

domingo, 17 de janeiro de 2010

amigas

Cada uma vinha de uma direção e se juntaram. Não que todos os dias fossem mágicos, mas deixavam sempre rosas e tranquilidades quando se encontravam. Eram tão livres quanto podiam e tão presas quanto evitavam. Cada uma a seu modo, rindo, compreendendo, mas de forma ímpar amando. Poderiam ser quem quisessem, sair como quisessem. Elas se entendiam mesmo pensando diferente. Se entendiam e se amavam.
Paula Cristina.

Porque eu sou assim.

E o dia se esquiva em maravilhoso quando tudo dá errado. Meu café espirrou para todos os lados, minha roupa favorita é muito embaraçada, minhas unhas são de cetim e o cabelo é de aço. Meu celular não liga, minha cabeça está a mil. A consciência pesada da noite passada em claro com quem não se devia. Meus erros mais terríveis, meu ser mais solitário, minha carência desmedida e minhas mentiras passivas são tudo que eu tenho neste dia para contar. Faço anos de desilusões e quem eu amo não está aqui. Tudo que tenho a fazer é deitar a cabeça em um ombro amigo e fingir estar tudo bem. E quando eu faço tudo errado é quando eu menos me importo, porque o dia é de ameixas e a noite é de cerejas. E eu passo os dias assim, esperando, esperando e quando ajo dá tudo errado. Porque eu sou assim, desmedida com meus próprios passos.
Paula Cristina.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Colapso

E enquanto eu tento me controlar, sento em frente ao computador e começo a escrever só para aliviar a tensão de entrar em colapso mais uma vez. Prometi tantas vezes que não cairia nesse comportamento doentio, mas confesso que está por um fio me segurar. Sair por aí a noite é tentador, principalmente quando a mente deixa claro 'poderia ser' como algo quase real. A linha é muito estreita e a loucura deliciosa por si só. Aquela adrenalina toma conta do corpo, a aventura está para começar e ela não vai se controlar. Ela não quer se controlar.
Paula Cristina.

O triângulo inexistente

Ele amenizou um pouco a falta que ela sentia do outro, mas mesmo assim o medo é grande, medo de perder o que não se tem, mas que lutou tanto para ao menos ser, e é. O outro, na verdade não é o outro, é amor, é sentimento, é plano querendo ser verdade. Ela ficou confusa, assustada. Quer e não quer. Não quer porque o outro pode sumir e se ele sumir a idéia do amor que fazia vai se desfazer. E ela não quer que desfaça. Ele também não ajuda, ele é incerteza, imprevisível, como sempre foi. Ela não quer perder os planos, por um desfecho sem rumo, sem visão. Ele é temporário, o outro não. Ela quer ligar para ele, passar a noite em claro, como fez da última vez, mas não tem coragem. Não tem por todas as razões já ditas e as não ditas também. Ele não é o que ela sonhou, é algo diferente, ela odeia não seguir seus planos e ele não fazia parte, a não ser a parte de serem amigos, mas ele não fazia parte do modo que queria fazer. E ela deitou na cama e se pôs a meditar, tentando esquecer o mundo, tentando esquecer ele e o outro. E tudo que ela conseguia enchergar das imagens borradas em sua cabeça era ambos, interligados, sentados na mesma mesa de café trocando confidências.
Paula Cristina.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sem título

O medo é tão grande que atrai as coisas mais impressionantemente assustadoras. Logicamente não era para ser assim, mas ela sabia que seria. Era óbvio demais, ela via os sinais de loucura. Negou, achou que era acima de qualquer coisa, que saberia se proteger sozinha. Como sempre, estava errada, como sempre subestimou demais a capacidade das pessoas de não sentirem. E então o que teria sido apenas uma noite divertida se transformou em uma raiva alucinante.

Paula Cristina.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quatro amigas

Permaneceram ali a tarde toda trocando confidências. Riram até sair lágrimas dos olhos. Lembraram de passados recentes. Contaram cartas de papel manteiga. Tomaram sorvete, combinaram planos. Levantaram e abraçadas se despediram uma despedida alegre. Não existe medo de perder. A amizade é eterna.


Paula Cristina.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Qual o seu caminho no meu?

Não sei ao certo por onde ando, mas sei que ainda não é com você. Não sei ao certo como ando, só sei ao certo que não como você. Não sei ao certo porque ainda fico, quando nunca sei se algum dia não será em vão. Tudo que sei é que meu sorriso está mais largo, mais amável, mais palpável e minha pessoa está mais sociável. Tudo que sei é que tenho retornado a mim, só não sei se você é perdição ou caminho para salvação.


Paula Cristina.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tem sempre

Tem sempre alguma coisa, alguma carta, alguma lembrança, algum sorriso, algum olhar para mudar o curso das coisas, para nos fazer parar e olhar. Tem sempre algum acorde para nos fazer dançar e um poema para nos fazer falar. Tem sempre alguma coisa acontecendo quando pensa-se que não terá. Tem sempre abraços fortes e beijos demorados, doces desejados e noites enluaradas. Tem sempre aquele amigo com que se possa contar e aquele porre que te põe a se questionar. Tem sempre aqueles que brigam, aqueles que amam, aqueles que calam, aqueles que consentem. Tem sempre mãos que acolhem e pés que escalam. Tem sempre aquela tarde para pensar e aquela chuva para renovar. Tem sempre piscina para aproveitar e pássaros a cantar. Tem sempre estrelas no céu e reflexo nos lagos. Tem sempre cheiro de terra e brisa de mar. Tem sempre um mundo nos seus olhos e amor no seu falar.



Paula Cristina.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Por quatro anos e mais

Sempre os olhares, sempre as paixões. Acordou cansada da viajem, passou o dia em claro, tentando sobreviver ao marasmo de solidão. Ligou o computador, tentou se conectar com o mundo, mas tudo parecia adormecido, sonolento. Ficou ali, pensando no próximo passo, no próximo dia que a tirariam dali, daquele marasmo. O telefone toca, o sorriso ilumina o rosto. Quantas vezes pensou que já não se importava mais e novamente vinha a voz dele mostrar que continuava a mesma coisa. Se enfurnou no quarto, trocou o pijama de seda por uma roupa confortável, arrumou os cabelos (não que precisasse de ajuste, curtos, bem tratados, não tinha nada pra fazer, mas arrumá-los acalmava a ansiedade que batia só em pensar que mais uma vez era solicitada por quem ela pensou que já não importava), calçou as sandálias e saiu noite afora querendo algo mais e pensando não ter nada além de uma mera companhia. Não foi isso que ele disse? Juntar o pessoal, sentar e conversar (conversar... eu sempre caio nessa, mesmo quando acho que não). Horas de conversa, cerveja e olhares, até que não deu mais. Tudo milimetricamente programado (sim, conspirações). Não que ela se importava, na verdade esperava por um desfecho diferente, talvez tenha sido até isso que fez mudar. Ela provoca quando quer, mas nunca se percebe fazendo. Freud provavelmente explicaria isso melhor, mas não é isso que se quer retratar, não é o que ela faz, é o que ela sente. Ela sentiu tudo voltar. E mais uma vez, os quatro anos querem se tornar cinco, seis, mil, até que se canse. Mas ela confessa secretamente que espera não cansar.
Paula Cristina.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Friends forever and ever together as one. Só porque eu te amo.

Tem dias que tudo gira, mas o coração já acertou algumas coisas. Tem desejos que são momentâneos, mas tem desejos que de tanto querer se tornam planos, que se tornam vida, que se tornam parte do que se é. Tem dores que parecem ser para sempre, mas que saram mais rápido do que se imaginava. Tem dores que permanecem, mesmo quando insistimos em tratá-las. Tem músicas favoritas de momentos, tem músicas favoritas para sempre. Tem paixões e amores. Tem cores e cores. Tem fotos que se perdem com o tempo e fotos que jamais serão perdidas. Tem amigos que vão: são de anos, meses ou apenas dias. Tem amigos, como você que ficam, que são para sempre. Pode ser que algum dia eu venha morder a língua e que você se vá, mas não sem que lutemos ao máximo, isso eu tenho certeza. Eu sou de apegar fácil, mas de desapegar também, mas nunca me desapeguei de você. De todas as vezes que ficamos meses sem nos falar (que foram muitas), eu não me recordo uma da qual tenha sido falta de amizade, eu não me recordo uma vez que o encontro não tenha sido como se nada tivesse mudado, a não ser claro, a bomba de notícias para poucas horas de encontro. Nós crescemos juntas, não que sejamos amigas de infância, mas eu sinto como se fosse. Esse ano faz 9 anos de amizade. 9 anos desde que nos conhecemos e nos tornamos amigas. Não éramos melhores amigas na época, mas hoje eu tenho orgulho de dizer que você é uma das minhas melhores amigas. As diferenças entre nós são enormes, em praticamente tudo, mas o amor permanece de forma a camuflá-las. Tem dias que quero ficar sozinha, me perder do mundo e você aceita isso. Tem dias que quero o mundo, que surto, que quero ser a estrela da noite e você compreende. Tem dias que o assunto não sou eu, mas você e eu aceito isso. Tem dias que você quer ficar escondida e eu compreendo também. E quando estamos tristes, estamos tristes. Quando estamos felizes, estamos felizes. Dane-se o mundo que não sabe viver às vezes de acordo com nossas regras, dane-se que também não saibamos viver com as regras do mundo. O bonito está bem aqui, escrito de modo bem simples, nesse texto que vai saindo do nada de dentro da alma. O bonito é o que criamos e inventamos quando estamos juntas. Nós reinventamos o mundo e fazemos as dores que parecem avassaladoras se tornarem pequenininhas, pelo menos enquanto estamos juntas. Porque o mundo muda quando se está com um amigo.
Paula Cristina.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Para ser sincero

Para ser sincero não quero sentar em frente a tevê e ver a vida passar, mas também não quero levantar da cama e ir trabalhar. Não porque quero ficar em casa atoa, de pernas pro ar, mas porque o que eu faço não é bem o que me agrada, não é uma carreira, é apenas trabalho. E trabalho por trabalho é triste, sem prazer, sofrido, depressivo, desgastante. O que quero fazer sei muito bem, mas não consigo sair do lugar, não acredito em mim e aí as coisas complicam, machucam, se torcem. Para ser sincero não quero sorrir para você, nem conversar, nem fazer cara de bonzinho, quero felicidade, serenidade e muita força para chegar onde quero. Para ser sincero sou depressivo, doído, um mimado em um mundo partido e estou aprendendo a andar de muletas, já que não consigo andar com as minhas próprias pernas. Para ser sincero eu tento dizer o que sinto e como vejo que sou, porque dessa forma, ou eu mudo ou fico estancado nesse lugar e não é isso que eu quero, é exatamente a percepção dessa dor que tem motivado minha tentativa de mudar. Para ser sincero era mais fácil achar alguém para ficar, me revoltar e me trancar do mundo, me machucar, chorar, espernear, mas assim eu não saio do lugar, assim eu fico em um inferno escolhido por mim. Para ser sincero eu quero andar de noite, sentir o vento no meu rosto, subir em um palco, fazer minha música. O resto é resto, vem por acaso. Para ser sincero comigo.
Paula Cristina.