terça-feira, 19 de julho de 2011

Minha vontade de desenhar

Sentei no meio fio, os pés descalços, o lápis e o papel. Não sei desenhar, mas tentei, tentei e tentei, até que saiu um rabisco, meio xoxo, mas tudo que sei fazer (ainda). Esqueci da minha vontade de desenhar bem lá no fundo - sabe como é, falta de tempo, de vontade, de energia, de confiança - mas então, eis que assisto um filme lindo de morrer e a vontade volta. Após chorar litros por compreender e sentir toda a história, me colocar no lugar dos personagens (mesmo que minha história não tenha "bulhufas" a ver com a deles) sento em frente ao computador e me pego procurando fotos que eu poderia copiar; como incentivo, algo mais fácil, menos complexo, que me deixe sentir capaz, energizada e apaixonada pelos traços. Mas eu não paro tudo para desenhar, treinar, tentar. Paro para escrever sobre isso tudo, penso na música perfeita que cairia maravilhosamente bem em uma cena como esta, escolho os desenhos e, quem sabe - depois que eu terminar de me explicar para pessoas que provavelmente nunca terei o prazer ou desprazer de conhecer - eu paro alguns minutos da minha vida para tentar transcrever tudo que sinto em um desenho no papel. Não faz mal, com o tempo me acostumo a me manter focada, e nesse dia meu desenho será lindo, meu sorriso será doce e a arte estará completa: música, palavras, dança, teatro, desenho, cozinha, fotografia, design... tudo em um só ambiente. Mas cada coisa no seu tempo, cada coisa no seu tempo. Enquanto isso, a menina descalça senta na soleira de casa e vê o mundo passar, sentindo cada momento, respirando cada segundo...


Paula Cristina.

domingo, 17 de julho de 2011

"...depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você." Caio Fernando Abreu

Meu olhos negaram os olhares, meu sorriso não permanecia em minha face, meu desconforto era óbvio. Nunca fui boa em mentir ou me esconder. Sempre clara, óbvia, destrutivamente sincera, ingênua em minha falta de ingenuidade. A contradição mais dolorosa, a verdade mais ridícula. Não era de propósito, era muito mais fácil fingir e não discutir o assunto, mas você notou porque me conhece mais do que eu. Nem sabia sobre o que se tratava meu desconforto e você falou e eu pensei comigo "ridículo, não é por isso", mas era... era tanto que chorei por horas a fio com vergonha da minha ingenuidade maligna de não perceber que meu estresse era não estar ao seu lado, quando fui eu quem escolheu ficar ali enquanto você estava lá. Odeio admitir minha fragilidade, mas não sei ser sem a sinceridade que incomoda até mesmo a mim. Odeio admitir que você faz parte completa dos meus dias, porque até tempos atrás eu nem mesmo precisava disso tudo. E apesar de tudo, a única coisa que eu tenho a fazer é agradecer por você estar ao meu lado.


Paula Cristina.

domingo, 10 de julho de 2011

Sem água

Depois de ficar horas a fio sem nem ao menos transcender durante alguns instantes, eis que surge o clique: não conseguia dormir por causa da sede. Não bebi água o dia inteiro, chego em casa e o cano "não-sei-das-quantas" que entregava a água nas redondezas de minha casa tinha estourado! Pois bem: sem água, com sede; sem água, querendo tomar banho; sem água, querendo escovar os dentes. SEM ÁGUA. Revolta geral, definitivamente não sabemos viver sem água... No final das contas são duas horas da manhã e finalmente consigo beber meu copo de água, agora é esperar o sono para que a noite dê certo e eu funcione amanhã de manhã, porque amanhã é um outro dia... e por favor não falte água.


Paula Cristina.

terça-feira, 5 de julho de 2011

As ligações

Quando o sono bate e as cobertas fazem hora para que ela se esquente, é nessa hora que ela sonha, esquece do mundo. Quando ele não pode fazer parte, é nessa hora que ela sente mais falta. Falta do afago, do abraço, da respiração entrecortada pela voz que sai da boca dele. O travesseiro, então, serve de consolo para a saudade apertada e rasteira. Mas não faz mal, ela vai dormir, esquecer do mundo e sonhar com ele (porque desejo é desejo em qualquer lugar); e quando acordar ele vai ligar e dizer do dia e ela, com um sorriso, vai ouvir histórias ou pensamentos e contá-las também. Então o dia vai passar e o telefone tocar. A voz do outro lado da linha vai falar e o mesmo sorriso incontido vai aparecer, como todas as manhãs e todas as tardes. E assim a história segue, cada dia uma história nova, cada dia um novo acontecimento e aquilo que era para ser incrivelmente chato, cansativo e monótono se torna em algo diferente todos os dias. Nunca se sabe o que vai acontecer, a não ser as ligações e se algum dia elas não ocorrerem... ah, que falta, que negação...


Paula Cristina.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O sangue escorria vagarosamente sob seus pés, mas não importava. Sabia que em algum lugar doía, mas não no momento. Aproveitou então, para dormir, descansar. Não dormiu, mas os lábios sorriam tanto e riam tanto e a diversão veio sozinha, companheira, suave...


Paula Cristina.