quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quando se perde a inocência

Você sabe que perdeu a inocência quando descobre que suporta a dor. A dor do luto, a dor da culpa, a dor da separação, a dor da solidão, a dor... Você sabe que perdeu a inocência, quando percebe que tudo tem dois lados e, que portanto, em certa medida todos podem ser mal interpretados e podem mal interpretar. Você perde a inocência quando as noites de insônia te contam as coisas que você sabe não poder mudar. Você perde a inocência quando começa a procurar opiniões diferentes para formar a sua própria e, às vezes, chega a duvidar de si mesmo não por falta de confiança, mas por saber que você também é falho e muitas das vezes você estará errado. Mas você perde a inocência também quando começa a se perguntar o que é certo e o que é errado e se os dois não estão juntos, interligados, impossibilitados de separar. Você perde a inocência quando percebe que um simples texto que parece arrancar a alma pode ter menos que vinte linhas e, portanto, nada pode ser por completo medido. Você perde a inocência quando descobre que nada sabe e talvez, nunca saberá.



Paula C. Arrais

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Não é meu...

Quando as palavras martelam em sua cabeça e você não sabe o que fazer com elas. Elas não são minhas, nunca foram e você as coloca em minha frente esperando que eu as aceite, mas não aceito. Não aceito porque apesar de serem dirigidas a mim não são para mim, são para confortar sua dor, são para você, lá no fundo. Para você se apoiar em alguma coisa quando a alma dói e você não sabe porque. Talvez até saiba, mas não quer se contar. Suas palavras são suas e doem em mim porque sei que doem em você, mas nada posso fazer senão dizer que não são para mim. Eu sinto muito. É um fardo muito pesado carregar os problemas dos outros nas costas, por mais que você tente ajeitar, nunca dá certo, porque a chave não lhe pertence, é um código que só o outro tem, como uma digital. Não pode ser passada, transmitida, ensinada. Dói seu desapontamento, dói seu olhar de rancor, dói seu olhar de tristeza, mas eu nada posso fazer, senão sentar e esperar. Esperar que você enfrente suas dores e me encontre em uma rua qualquer de seu próprio caminho.



Paula Cristina.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Escrever

Perdi a linha de raciocínio pelos dias afora. Quiz escrever tantas e tantas vezes, mas simplesmente, aquele momento de silêncio e encontro comigo não acontecia... Tratei de tentar meditar nas horas vagas e, às vezes, surgia um assunto para tratar, mas ainda não era hora de por no papel. A hora não chegou e tive vontade de dizer algo, mas este algo me escapou. Estou tão contente de mim, tão contente da vida, tão contente de tudo que transbordei e deixei o sorriso espirrar um pouco da pressão de alegria que assola meu peito. É por isso que quando quero escrever, fica difícil sair o que eu queria dizer. Preciso transbordar, explodir de emoção, deixar tudo entrar para depois sair. Escrever para mim é isto: comunicar o que não dá para ser comunicado, transformar em palavras o que é tão forte que perde a capacidade da fala. Escrever para mim é soltar a alma e deixá-la esparramada nas palavras.