domingo, 7 de maio de 2017

Oportunidades

Em meio a luz, cores, sons, sorrisos, olhares, toques e palavras a vida tomava forma. As cortinas se abriam para um mundo outro que trazia consigo a verdade de cada um ali presente. Escondidas pelos cantos dos olhos, essas verdades se faziam presente nos movimentos, marcavam presença nas palavras recitadas, oculpavam espaço nas colchias e no palco.
Melodias inteiras tocadas enchiam o coração, as vozes e os movimentos. Faziam parte dela de uma forma que jamais poderia explicar. Estava onde deveria estar, em casa e sonhando com momentos futuros. Que mundo lindo. Mundo dela. E o sorriso abriu seu rosto, dando o acalento de dias vindouros.
Quer isso, sempre. Quer o palco, as colchias, os ensaios, as luzes. Quer script, partitura, maquiagem e figurino. Quer trocas, sorrisos, olhares, sons e cores. Quer ser mais do que hoje e buscar sempre se superar. Quer força e coragem e, acima de tudo, oportunidades.



Paula Arrais

Beijar

Ela andava com seu vestido verde, refletido no fundo de seus olhos. O brilho deles denunciava toda aquela vontade. Desejo ardente. Falava gesticulando para ver se a ansiedade esvaía de seu corpo; se o tremor no corpo passava. Não era frio, era energia pulsando, vibrando, querendo sair. Olhava de esguelha pra ele. Qualquer movimento brusco denunciaria seu nervosismo. E ela, sempre tão segura de si, não deixaria ele ver que ele era sua fraqueza. Sentaram naquele mesmo lugar de tempos atrás e, de repente, o silêncio os consumiu, a consumiu. 
Tudo que restava era aproveitar a oportunidade que surgiu. Brincou com um graveto como quem não quer nada. Sabia que ele a olhava. Chegou mais perto. Fez um comentário qualquer. Chegou mais perto. O desejo ardia em seu peito, fazia as mão tremerem e as borboletas em seu estômago baterem as asas o mais rápido possível, no ritmo que também batia seu coração. Rápido. Cortante. Roubou o beijo. O beijo tão prometido. Mordeu seus lábios, porque podia. Era o beijo deles e beijo sem mordida não tem desejo. Desejo de algo mais. Desejo de mãos que soltam seu laço para acariciar o corpo. Descer e subir. Brincar com a pele. Acariciar, apertar, fazer sair gemido. Beijar.


Paula Arrais

O farol das Orcas

A imensidão verde azulada rodeando o branco arenoso sustentava a brisa calma que vinha do sul. A paz que embalava seus corações e o amor que sentiam um pelo outro eram enunciados pelo olhar silencioso que davam furtivamente um ao outro. O som das ondas batendo acompanhava seus corações embalados por um ritmo leve. As cores em tons pastéis pintavam quadros de dois amantes apaixonados no pé do farol olhando as orcas brincarem. Amor. Era tudo que tinham.

 Amor é o que eu tenho para hoje.

Paula Arrais