domingo, 8 de novembro de 2009

Adeus

Não sei ao certo qual seu papel no desenrolar da minha história. Pode ser que seja apenas o de me ajudar a não mais evitar certos sentimentos que a muito evitava sem a menor cerimônia. Devo dizer também que se for só este já é um trabalho e tanto e acrescento que já foi feito. Portanto, na verdade, esses pensamentos são mais como uma carta de adeus que nunca será entregue ou recitada e que, provavelmente, você nunca saberá a existência. Mas devo dizer porque quando digo, já não faz parte de mim e assim, não me pesa mais saber que não as disse a você. Foi lindo, foi maravilhoso, foi diferente de tudo. Adeus.
Paula Cristina.

Sobre relacionar-se

"Pedido
Eu não quero que você seja eu
Eu já tenho a mim.
O que quero é que você chegue
Com seu poder de chegar
E de me devolver pra mim.
Que você chegue com seu dom
De também me fazer chegar
Perto de mim...
Para me fazer ver o que sou e que só você viu
Para eu ser capaz de amar também
O que só você amou.
Eu não quero que você seja igual a mim.
Eu já tenho a mim.
Não quero construir uma casa de espelhos
Que multiplique minha imagem por
todos os cantos.
Quero apenas que você me reflita
Melhor do que julgo ser."
Fábio de Melo
Não que você vá ter os mesmos gostos que eu tenho, mas que aprenderemos a enfrentar as diferenças juntos. É a questão de não tentar mudar o que não precisa ser mudado. Cada um é cada um. Não interessa que sejamos diferentes, pois a diferença só ameaça quando não se está bem com o todo, quando um não pode ser porque o outro não deixa. Não que eu vá entender tudo sobre você o tempo todo, mas também não vou forçar, na hora certa sai alguma coisa. Não se sabe tudo, não se compreende tudo, o mundo é por si mesmo muito misterioso e calado, não nos conta suas aventuras diárias. Não que vá ser indiferente a dor, mas será tolerável a gosto e, na hora certa, algumas das partes vai ou a dor pára. Nã que será sempre um mar de rosas, mas será reconfortante saber que existe amor.
Paula Cristina.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Amores e amantes que vêm e vão

Sei, sei, sei, foi sempre assim, esse ar de amores e amantes. Não que fossem muito úteis ou que fizessem sentido, mas foi com o ar da graça de se ser. Está na hora de mudar e o que dizem por aí não cabe a ninguém responder com certos e errados, verdades e mentiras. Não faça menção ao que foi, porque foi e não é mais. Faça menção ao que é, pois o que é, por mais feio, sujo, desleixado ou outro preconceito qualquer que seja é lindo, apenas por ser. Apenas pela implacável vida que se toma e vive e rouba e revigora. Os amores e amantes que foram, se foram. Podem voltar a qualquer momento, podem ressurgir das cinzas; mas se foram do mesmo jeito e cabe apenas pesagem do que foi para ver se pode ser mais uma vez. Mas essa pesagem não cabe a ninguém que não a própria vivente. E aí não se entra ninguém, aí são segredos de quartos, segredos de almas, segredos de si. São obras de arte gravadas em papel de pão. São dialéticas da própria existência e aí não se adianta discutir, já que a discussão nunca chegará a um consenso. É mutante demais, é vivente demais para ser constante, mesmo que em teoria.


Paula Cristina.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O medo

O medo é sempre das coisas que não são, dizem por aí: "se não é, pode ser algum dia". E que saber? Pode mesmo, pode vir a ser com o maior dos encantos ou o maior dos desencantos, mas não muda o fato de que tudo é e não é ao mesmo tempo. Fazem tanta tragédia do medo que chego a rir. O medo aparece a mim todos os dias e eu o escuto ou não. A primeira vez que apareceu para mim, se mostrou pequeno, de mãos ágeis e sorriso malicioso, não tinha corpo, era vazio imensurável e sugava tudo a minha volta. Hoje ele é grande, escuro, de sorriso estridente, continua sem corpo, vazio imensurável, mas não suga, respeita. Espera que eu o ouça e que eu dê a sentença. Hoje eu invoco o medo como um aliado. Saber o que pode ser e, portanto, o que pode não ser também. O medo é meu companheiro.


Paula Cristina.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Aula de violão

O céu foi se escurecendo a medida que as horas passavam e continuava-se ali a discussão tão acalorada sobre música e violão. As dicas sendo vomitadas em um êxtase contagiante. Só então quando não se enxergava mais que tiveram que admitir que não tinha jeito, estava na hora de parar, arrumar as coisas, e ir embora para organizar os pensamentos. Não se queria ir, queria ficar, tocar, trocar idéias e pensar em músicas diversas para se aprender. Foi lindo enquanto durou.
Paula Cristina.

domingo, 1 de novembro de 2009

Reencontro

Mais uma vez ela voltava ao lugar onde toda usurpação começou, onde seus passos mudaram. Estava levemente mudado, algumas cores modificadas, objetos diferentes em estantes redecoradas. Aquelas paredes não viam mais seu sentimento, não porque não saibam ver, mas porque não existe mais. Este sentimento fora dividido para outros mais próximos, mais preocupados. Como seria dessa vez? Sem sentimento, sem entorpecimento? Exatamente como pensara: não era mais. Levantou, cautelosamente para não acordá-lo, fechou a porta, e seguiu caminhando até em casa. Finalmente ela estava em paz, já não fazia diferença quem ele era. A única coisa que fazia diferença era a felicidade que fora tomada por saber que agora ela tinha completo controle sobre si mais uma vez. Seus sentimentos eram seus e de ninguém mais.
Paula Cristina.

Você

Então me diz quem é você, do que gosta e do que não gosta. Me julgue diante do luar e me faça uma serenata às escuras. Quem sabe quando você se movimentar verá tudo mais claro, como o ar que passa pela sua cabeça e enxerga dentro das veias que correm em seu cérebro. Continue se achando melhor e mais experiente, continue vivendo desse mesmo modo que vive por toda a vida. Um dia quando eu bater na sua porta, você não mais me reconhecerá e, portanto será impossibilitado de mais uma vez me fazer sangrar. E então como se tudo mudasse de novo eu recoloco as mácaras até que depois da trigésima sexta você finalmente me reconhece e com um suspiro de aprovação você diz: "Meu deus! Você continua igual era a anos atrás!". Eu sorrio, viro as costas e continuo a andar. Você é impressionantemente estúpido para notar as máscaras que sempre forraram meu rosto. Que sempre vão forrar.
Paula Cristina.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...