domingo, 15 de novembro de 2009

Fuga do inferno

Achava-se impossível fugir de Lúcifer e de seus guardiões, mas foi tão fácil. Não havia saída, a não ser a porta guardada por ele, e ele não fez objeções. Aliás, foi como se ele percebesse que não era ali o lugar daquele lobo. O lobo continuou, tentando manter a respiração compassada para não se perder. Calmamente encontrou o final do túnel. Esperou que a lua apontasse no céu para sair sob o céu aveludado. Nunca mais se soube de nada daquele lugar. Perguntaram a ele muitas coisas, mas ele só se propôs a informações que não compremetessem sua própria espécie. Se calou perante aos vários boatos que surgiram. Ele não se importava com o que ocorrera no inferno.
Paula Cristina.

Eles mudaram, e só.

E ficaram sentados à sombra da árvore. Ela, cansada de ser. Ele, cansado de ver. Observando que o tempo passava, esperando que algo mudasse. Mas, a não ser a claridade do dia, tudo que tinham de diferente era eles mesmos e um novo modo de pensar. Porque, a partir daquele dia, já não se podia esperar que eles fossem iguais. Não quando seus pensamentos tomaram outros rumos. Cientistas de suas próprias vidas era o que eram.
Paula Cristina.

sábado, 14 de novembro de 2009

O não doer da vingança sem sucesso

Não se fez nenhuma dor, suas vinganças não alcançaram nem mesmo o primeiro degrau da escada para bater a minha porta. Pensei que seria com um estardalhaço que explodiria a porta e entraria como um intruso me arrastando aos poucos pelo barranco da estrada. Mas nada, nem mesmo um centímetro de incapacitação. Pelo contrário, me abriu para possibilidades inúmeras. Me abriu para sorrisos mais meigos, abraços mais apertados e momentos inesquecíveis. De tudo que passou, você é o que menos me impressiona, você é o que menos fez barulho neste meu mundo de vendavais constantes. E a porta continua intacta, sem nenhum arranhão. Como se, por ali, ninguém tivesse passado, senão uma brisa leve levando a solidão.
Paula Cristina.

Sobre ser II

Não intendo passar raspando pela vida. Com aquele jeito de moleque travesso que quase conseguiu o que queria. Para mim, quase ainda é não ter conseguido, mesmo que por um triz. Não adianta de nada querer quando não é e nem se faz ser. Seja o que quiser, mas ame o que se é. De nada adianta passar esquecido de si, quando não se queria esquecer. Não precisa mostrar o que se é a todo momento, mas seja sempre e saiba que está sendo, mesmo quando não demonstrar. Não intendo viver sem minhas próprias regras, elas são demasiadamente especiais para esquecê-las e eu seria demasiadamente tola se não as ouvisse. Não pretendo ser tola mais uma vez.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lírios e cerejas

E eu te desafio a me amar como nunca amou ninguém. Te desafio também a se deixar levar pela minha sedução. Lírios e cerejas é o que eu te dou. Mas só te dou se você ficar, se você resolver viver ao meu lado. Essa não é uma proposta para qualquer um. Não desafio a todos, mas àquele que nem sei o nome ainda, àquele que não sei quem é. Não porque não o conheço, mas porque desconheço o futuro e não sei que irá me fazer descansar dessa procura do amor. Pode ser que já está bem na minha frente, que converse horas comigo ou alguém que ainda não me foi apresentado. Mas esse alguém, seja lá que for, terá lírios e cerejas por toda a vida. Tenho muito a dar, confesso....


Paula Cristina.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Só pra escrever

Quem entra em minha mente, entra em um mundo a parte, onde mocinhos e violões têm um mesmo rosto, onde luz e sombra são os mesmos, onde nem tudo se encaixa em explicações racionais. Acho a racionalidade linda, mas de nada serve se não percebida como algo a complementar e nunca como uma espécie de verdade irrefutável. Perdi o interesse de escrever e, por isso paro por aqui, por hoje.


Paula Cristina.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Como sempre foi

Foi bem de mansinho que ele se aproximou. Estavam na esperança de ser como sempre era, mas já tinha sido a tanto tempo que não se sabia mais como era, nem como fazer. Ele se aproximou, o ar fugiu dos pumões dela. Todos os pensamentos, conversas repassadas, repostas pré plannejadas já não existiam. Seus pensamentos eram ocos e, assim, sem pensar ela deixou ser como sempre foi.
Paula Cristina.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...