sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sem título

O medo é tão grande que atrai as coisas mais impressionantemente assustadoras. Logicamente não era para ser assim, mas ela sabia que seria. Era óbvio demais, ela via os sinais de loucura. Negou, achou que era acima de qualquer coisa, que saberia se proteger sozinha. Como sempre, estava errada, como sempre subestimou demais a capacidade das pessoas de não sentirem. E então o que teria sido apenas uma noite divertida se transformou em uma raiva alucinante.

Paula Cristina.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quatro amigas

Permaneceram ali a tarde toda trocando confidências. Riram até sair lágrimas dos olhos. Lembraram de passados recentes. Contaram cartas de papel manteiga. Tomaram sorvete, combinaram planos. Levantaram e abraçadas se despediram uma despedida alegre. Não existe medo de perder. A amizade é eterna.


Paula Cristina.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Qual o seu caminho no meu?

Não sei ao certo por onde ando, mas sei que ainda não é com você. Não sei ao certo como ando, só sei ao certo que não como você. Não sei ao certo porque ainda fico, quando nunca sei se algum dia não será em vão. Tudo que sei é que meu sorriso está mais largo, mais amável, mais palpável e minha pessoa está mais sociável. Tudo que sei é que tenho retornado a mim, só não sei se você é perdição ou caminho para salvação.


Paula Cristina.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tem sempre

Tem sempre alguma coisa, alguma carta, alguma lembrança, algum sorriso, algum olhar para mudar o curso das coisas, para nos fazer parar e olhar. Tem sempre algum acorde para nos fazer dançar e um poema para nos fazer falar. Tem sempre alguma coisa acontecendo quando pensa-se que não terá. Tem sempre abraços fortes e beijos demorados, doces desejados e noites enluaradas. Tem sempre aquele amigo com que se possa contar e aquele porre que te põe a se questionar. Tem sempre aqueles que brigam, aqueles que amam, aqueles que calam, aqueles que consentem. Tem sempre mãos que acolhem e pés que escalam. Tem sempre aquela tarde para pensar e aquela chuva para renovar. Tem sempre piscina para aproveitar e pássaros a cantar. Tem sempre estrelas no céu e reflexo nos lagos. Tem sempre cheiro de terra e brisa de mar. Tem sempre um mundo nos seus olhos e amor no seu falar.



Paula Cristina.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Por quatro anos e mais

Sempre os olhares, sempre as paixões. Acordou cansada da viajem, passou o dia em claro, tentando sobreviver ao marasmo de solidão. Ligou o computador, tentou se conectar com o mundo, mas tudo parecia adormecido, sonolento. Ficou ali, pensando no próximo passo, no próximo dia que a tirariam dali, daquele marasmo. O telefone toca, o sorriso ilumina o rosto. Quantas vezes pensou que já não se importava mais e novamente vinha a voz dele mostrar que continuava a mesma coisa. Se enfurnou no quarto, trocou o pijama de seda por uma roupa confortável, arrumou os cabelos (não que precisasse de ajuste, curtos, bem tratados, não tinha nada pra fazer, mas arrumá-los acalmava a ansiedade que batia só em pensar que mais uma vez era solicitada por quem ela pensou que já não importava), calçou as sandálias e saiu noite afora querendo algo mais e pensando não ter nada além de uma mera companhia. Não foi isso que ele disse? Juntar o pessoal, sentar e conversar (conversar... eu sempre caio nessa, mesmo quando acho que não). Horas de conversa, cerveja e olhares, até que não deu mais. Tudo milimetricamente programado (sim, conspirações). Não que ela se importava, na verdade esperava por um desfecho diferente, talvez tenha sido até isso que fez mudar. Ela provoca quando quer, mas nunca se percebe fazendo. Freud provavelmente explicaria isso melhor, mas não é isso que se quer retratar, não é o que ela faz, é o que ela sente. Ela sentiu tudo voltar. E mais uma vez, os quatro anos querem se tornar cinco, seis, mil, até que se canse. Mas ela confessa secretamente que espera não cansar.
Paula Cristina.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Friends forever and ever together as one. Só porque eu te amo.

Tem dias que tudo gira, mas o coração já acertou algumas coisas. Tem desejos que são momentâneos, mas tem desejos que de tanto querer se tornam planos, que se tornam vida, que se tornam parte do que se é. Tem dores que parecem ser para sempre, mas que saram mais rápido do que se imaginava. Tem dores que permanecem, mesmo quando insistimos em tratá-las. Tem músicas favoritas de momentos, tem músicas favoritas para sempre. Tem paixões e amores. Tem cores e cores. Tem fotos que se perdem com o tempo e fotos que jamais serão perdidas. Tem amigos que vão: são de anos, meses ou apenas dias. Tem amigos, como você que ficam, que são para sempre. Pode ser que algum dia eu venha morder a língua e que você se vá, mas não sem que lutemos ao máximo, isso eu tenho certeza. Eu sou de apegar fácil, mas de desapegar também, mas nunca me desapeguei de você. De todas as vezes que ficamos meses sem nos falar (que foram muitas), eu não me recordo uma da qual tenha sido falta de amizade, eu não me recordo uma vez que o encontro não tenha sido como se nada tivesse mudado, a não ser claro, a bomba de notícias para poucas horas de encontro. Nós crescemos juntas, não que sejamos amigas de infância, mas eu sinto como se fosse. Esse ano faz 9 anos de amizade. 9 anos desde que nos conhecemos e nos tornamos amigas. Não éramos melhores amigas na época, mas hoje eu tenho orgulho de dizer que você é uma das minhas melhores amigas. As diferenças entre nós são enormes, em praticamente tudo, mas o amor permanece de forma a camuflá-las. Tem dias que quero ficar sozinha, me perder do mundo e você aceita isso. Tem dias que quero o mundo, que surto, que quero ser a estrela da noite e você compreende. Tem dias que o assunto não sou eu, mas você e eu aceito isso. Tem dias que você quer ficar escondida e eu compreendo também. E quando estamos tristes, estamos tristes. Quando estamos felizes, estamos felizes. Dane-se o mundo que não sabe viver às vezes de acordo com nossas regras, dane-se que também não saibamos viver com as regras do mundo. O bonito está bem aqui, escrito de modo bem simples, nesse texto que vai saindo do nada de dentro da alma. O bonito é o que criamos e inventamos quando estamos juntas. Nós reinventamos o mundo e fazemos as dores que parecem avassaladoras se tornarem pequenininhas, pelo menos enquanto estamos juntas. Porque o mundo muda quando se está com um amigo.
Paula Cristina.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Para ser sincero

Para ser sincero não quero sentar em frente a tevê e ver a vida passar, mas também não quero levantar da cama e ir trabalhar. Não porque quero ficar em casa atoa, de pernas pro ar, mas porque o que eu faço não é bem o que me agrada, não é uma carreira, é apenas trabalho. E trabalho por trabalho é triste, sem prazer, sofrido, depressivo, desgastante. O que quero fazer sei muito bem, mas não consigo sair do lugar, não acredito em mim e aí as coisas complicam, machucam, se torcem. Para ser sincero não quero sorrir para você, nem conversar, nem fazer cara de bonzinho, quero felicidade, serenidade e muita força para chegar onde quero. Para ser sincero sou depressivo, doído, um mimado em um mundo partido e estou aprendendo a andar de muletas, já que não consigo andar com as minhas próprias pernas. Para ser sincero eu tento dizer o que sinto e como vejo que sou, porque dessa forma, ou eu mudo ou fico estancado nesse lugar e não é isso que eu quero, é exatamente a percepção dessa dor que tem motivado minha tentativa de mudar. Para ser sincero era mais fácil achar alguém para ficar, me revoltar e me trancar do mundo, me machucar, chorar, espernear, mas assim eu não saio do lugar, assim eu fico em um inferno escolhido por mim. Para ser sincero eu quero andar de noite, sentir o vento no meu rosto, subir em um palco, fazer minha música. O resto é resto, vem por acaso. Para ser sincero comigo.
Paula Cristina.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...