segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Fétido

Ele passou, o coração acelerou, mas nada podia fazer. Aprendeu da forma mais fétida e podre que as pessoas se deixam sofrer por amores. Não podia mais amar, porque quem ela amava era proibido. A dor foi relutante, queimou por dentro, tirou o sono, tirou alegias e os risos soltos que saíam de sua garganta todos os dias. Tudo que via eram formas embaçadas por trás das lágrimas que teimavam em cair. Ninguém sabia a dor que era pra ela causar sofrimento, especialmente sem nunca ter pretendido e jamais pensado que aquilo poderia acontecer. A noite adentrava deixando tudo doído fétido, perdido. Fétido. Essa era a descrição para a casa nesse momento. Os zumbis entravam e faziam algazarra com a carne podre que ficou espalhada depois da morte bruta que sucedeu a sua dor. A sua dor era incompreendida pela única pessoa que precisava compreender. Agora entendia o que a poção da horcrux conseguia causar nas pessoas. Dor, fétido, podre, morte, zumbi.


Paula Cristina.

domingo, 17 de outubro de 2010

Perdera-se em si mesma

Quando percebeu a realidade pesada que atingiu seu mundo particular, o ar fugiu dos pulmões, não sentia nada, não podia dizer nada. Viu o mundo desabar diante de seus olhos com tanta dor, com tanto peso de consciência. Será que era tão cruel assim? Será que seria percebida daquela forma também? Viu seus piores temores surgirem de seu mais íntimo: seria um monstro disfarçado de donzela? Um tubarão disfarçado de sereia? Doía tanto pensar assim. Não queria magoar ninguém. Principalmente ela. Era como se tivesse escolhido colocar uma barreira dura, pesada, impossível de tirar. Nunca seria a mesma coisa. Tornara-se imoral no pior sentido. Sabia que sempre fora imoral, mas dessa vez passara dos limites, inclusive para si. Como doía pensar que era a pessoa mais sem coração que poderia existir. Com doía pensar que causava tantos estragos quanto um tornado nº4. Era uma aberração dos próprios princípios, porque viveu tendo princípios, mas sempre quebrando-os em pedaços simples, pequenos, irrelevantes. Tornara-se uma lástima emocional, um ser humano desprezível, alguém sem sentimentos, sem importância, sem força, covarde, baixa. Não importava. Perdera-se em si mesma.
Paula Cristina.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

amor

Você acorda um dia e decsobre que tudo que sempre quis não foi exatamente do jeito que esperava, mas acabou se mostrando melhor do que acreditava poder ser. Olha ao redor e descobre o mar de pessoas e mundos e fantasias que se tornaram realidade em seu mundinho pequeno, naquele que você acreditava que cabia só você. Descobre sabores novos, sensações novas e tudo passa a ser lindo. Percebe que as pessoas que mais te fazem bem sempre fizeram parte de seu mundinho particular, você só não deixava que elas se apromixassem tanto por ter acreditado nas pessoas erradas. É então nessa hora que o sorriso cresce e todo o mundo vê que você é a pessoa mais feliz e sortuda da face da terra, porque você encontrou o que todo mundo procura: amor. Mas você só encontrou porque deixou aqueles pensamentos pessimistas de lado e passou a ver o lado maravilhoso de cada ser humano. Não que você goste de todas as pessoas e não se irrita com algumas, mas isso se torna raridade, porque alguma coisa de bom todo mundo tem. Descobre que as melhores histórias são as melhores, porque existe cumplicidade na conversa e muito, muito carinho de ambas as partes. Aprende que o amor fraternal existe em todo lugar e que é só uma questão de deixá-lo fazer parte de sua vida. Aprende também que pode amar e não ser correspondido e nem por isso deixa de ser bonito, pelo contrário: amar por amar é muito mais sublime que qualquer coisa no mundo. Aprende que existem mundos diferentes e que, para lidar com eles, é necessário apenas um sorriso, um coração aberto e um aperto de mão. Descobre, acima de tudo, que a busca de um Deus é a busca de um amor, a busca de uma ciência é também a busca de um amor. Porque no final das contas é tudo que temos para dar e receber em qualquer situação: amor.
Paula Cristina.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Homenagem a Alaor

"A neblina amarela que roça as espáduas na vidraça,
A fumaça amarela que na vidraça o focinho esfrega
E cuja língua resvala nas esquinas do crepúsculo,
Pousou sobre as poças aninhadas na sarjeta,
Deixou cair sobre seu dorso a fuligem das chaminés,
Deslizou furtiva no terraço, alçou um repentino salto,
E ao perceber que era uma tenra noite de outubro,
Enrodilhou-se ao redor da casa e adormeceu."
-T.S. Eliot-
Você se foi, assim, como num piscar de olhos. Esperou outubro, sabe-se lá porque. Seus olhos ainda pairam por todos os lugares que um dia visitou trazendo amor, paz, tranquilidade. O seu sorriso antes tão alegre e bonito não fará parte mais do futuro tão pensado ao seu lado. Você se foi e tudo que posso fazer é derramar lágrimas de conformidade e seguir em frente. Você que foi tantas vezes forte e tantas vezes guerreiro, deixou um ninho de amor ainda por ser descoberto. E o carinho que você plantou cresceu como as tantas plantas que você cultivou em nossos jardins. Não há no mundo quem te conheça e não te goste. Não há pesar maior do que o de não ter suas brincadeiras, seus sorrisos e olhares. Você com seu jeito simples de ser cativou corações e almas e se fez presente da forma mais doce possível. Você foi avô, pai, marido, amigo, sogro. Sentirei sua falta eternamente.
Paula Cristina

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O abraço

Estava ali, alheia ao mundo, sem saber por onde andar. De repente um abraço, o abraço mais lindo do mundo. Daqueles abraços espontâneos que dá vontade de retribuir e não soltar nunca. Mas o material seguro ao peito não deixou que o abraço concluísse com sucesso o seu objetivo. Que vontade daquele abraço: da sinceridade estampada no ato, do carinho, da leveza. Foi lindo, mas como tudo de mais bonito no mundo, durou apenas tempo suficiente para marcar, para mudar, revolucionar. Aquele era o abraço mais bonito do mundo!
Paula Cristina.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Uma noite perfeita

Não sabe se é dom ou maldição esse ir e vir consciente. Sabe que no fundo se importa, mas então, quando vê a dor que pode arrebatá-la e amordaçá-la, simplesmente vira na próxima esquina, se esquivando de tal forma que nem Freud explicaria. O controle se torna extremo e a tristeza de não tê-lo simplesmente paira em um "meio plano" considerado inexistente. Tudo muda e a paz instaura. A força volta de forma brutal e quando vê já não é mais a vítima, mas o caçador e tudo passa a não ter tanta importância quanto se pensava ter. Talvez a linha para a sociopatia esteja a milímetros, talvez seja apenas uma hipocondria aguda. Não sabe ao certo. As luzes começam a acender na rua. A música tocando suave um blues inconfundível, o barulho do msn, as teclas e o mouse usados compulsivamente. O livro de cabeceira em cima da mesa. O cigarro posto no cinzeiro com cuidado esperando ser reutilizado enquanto aceso. A cerveja também posta de forma a ser alcançada, o porta copo embaixo já molhado pelo tempo. A brisa leve entrando pela janela lembrando-a que existe um mundo lá fora e que ele é lindo e ela sorri por um momento enquanto mantém as mãos escrevendo, freneticamente escrevendo. Tudo parece tirá-la daquele transe que manteve por dias. Um transe inexplicável. Ela saía dele com a cabeça erguida, um sorriso no rosto e a forte vontade de sentir todas as sensações corporais possíveis. Uma boa comida, uma boa bebida, uma brisa suave, a água percorrendo seu corpo, o toque suave de uma roupa leve, limpa, o cheiro do perfume, o toque do hidratante, um livro, um silêncio, uma noite perfeita.
Paula Cristina.

domingo, 26 de setembro de 2010

Preciso

Preciso de uns dias cheios, onde não pense em nada além daquilo que preciso fazer. Preciso de uns dias sem internet, sem passadas que me levam a sua porta. Preciso de algo que me tire os pensamentos e que não me deixe louca por completo. Quem sabe um passeio pela praça e a leitura de diversificados livros ao mesmo tempo. Quem sabe um pouco de açaí misturado com um bom banho de cachoeira regados a momentos de dança e descontração. Um pouco de música ao fundo e uma boa garrafa de rum. Talvez alguma coisa mude até em mim e tudo passe. Apenas passe.
Paula Cristina.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...