terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Carta a quem sentir o ímpeto de ler

 Mais um ano, mais um retorno solar. Curiosamente, enquanto ciclos se movimentam para o encerramento dando espaço para inícios em minha vida, o mesmo acontece no céu. Nunca foi tão claro a frase "assim na terra como no céu". No meu caso, assuntos de família, carreira, comunicação e trânsitos tem sido altamente revisados, ressignificados e reconstruídos. Com uma renovação ambas literal e metafórica do meu coração, neste mercúrio retrógrado que veio trabalhando a mesma energia do ciclo de encerramento de plutão, pude observar como este movimento de mudança vem acontecendo em minha própria vida e acolhê-lo com amor.

Costumo dizer que sou casada comigo desde que nasci. Faço hoje 34 anos e curiosamente, as bodas de 34 levam o símbolo da Oliveira. Como leitora ávida do simbólico, não poderia deixar de trazer aqui o que isso representa: Perseverança, pois ao ser cortada ou queimada, a oliveira brota a partir das raízes. Hoje faz literalmente 2 semanas que passei pela cirurgia de ablação no coração. Eu fui literalmente cortada e queimada e pela primeira vez me senti com uma disposição que não me lembro ter tido em toda a minha vida. Me sinto mais conectada, também, com as minhas raízes.

Aos poucos vou renascendo e brotando, cada vez mais forte e consciente do meu lugar no mundo. Minha voz vai tomando espaço e meu abraço mais genuíno. Que neste ano eu possa levar toda a paz, tranquilidade, harmonia e perseverança que a Oliveira representa a todos que cruzarem meu caminho.

Gratidão a todos que já fazem parte do meu caminho e que me dão o amor que eu preciso para que eu possa espalhá-lo à minha volta.

Com amor,
Paula Arrais

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Somos todos humanos

O mundo precisa de amor, pessoas precisam de amor. Onde há ódio há pedido de socorro, pedido de ser amado, de ser escutado, de ser visto, respeitado. Vi mudanças surpreendentes com o simples ato de amar. Vi feras se tornarem dóceis, vi olhares sanguinários se tornarem carinhosos. 

É tão absurdo pensar que todos os atos costumam ter um sentido por trás. Alguns atos, pensamentos e movimentos parecem tão desconectos que fica difícil encontrar o sentido. Mas se a gente vasculha a gente encontra. Esse sempre foi um dos maiores desafios pra mim: deixar de vasculhar. Como condenar alguém pelo seu sofrimento? Como ignorar a dor de uma pessoa?

Não se trata do motivo em si, mas de entender o que está por trás do motivo. Qual é a dor que me move? Qual é a dor que te move? O que temos em comum? O que nos instiga a fazer uma escolha em detrimento da outra?

No final das contas,  por mais que viver em sociedade faça com que todo ato seja político, nada é político, porque somos humanos. E como humanos, todo ato é pessoal. Então, eu pergunto de novo: qual a sua dor pessoal que te move em direção a um ato (qualquer que seja ele) escolhido?

Ignorar essa dor é se manter no caminho da intolerância. E por mais que aquele velho ditado diga apenas que ficaremos cegos, ouso alterar o ditado: Olho por olho e sangraremos até a morte... a verdade é que mesmo que nem todas as pessoas fiquem cegas não haverá pessoas suficientes para socorrer.

Olhemos ao redor: relações familiares e de amigos acabando por causa de política; consultórios, clínicas e hospitais lotados. Termos médicos, psiquiátricos, psicológicos e tantas outras áreas da saúde  surgindo a cada respiração que damos.

O mundo precisa de cura. Nós, humanos, precisamos de cura. E a cura está no amor, no respeito ao próximo, na tolerância, no olhar para nossas próprias feridas. Que possamos olhar para dentro de nós mesmos e do outro e lembrar que somos todos humanos. 


Paula Arrais

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Honrar o palco

Outro dia minha aluna usou uma expressão que ficou ecoando em minha mente: "Honrar o palco". E me fez pensar como eu honro o palco. Nunca tinha parado para pensar que a minha ação com o palco sempre foi essa: ter o privilégio de elevar meu público.

Nunca estive no palco para receber aplauso, mas para ver os olhos do meu público brilhar, fazer a diferença, ser útil e necessária. De nada me importa elogios vazios ou me tornar famosa ou ser a melhor. Me importa fazer o público se apaixonar, sorrir, chorar, se emocionar, se elevar.

Essa é a minha função: transformar vida, sentimentos e pontos de vista. Para que eu faça essa alquimia preciso da minha voz, da música, do palco. Eu honro o palco e honrei tantas vezes sem nem saber. Honrei com voz, com sangue, com luta com performances e personagens diversos que me ensinaram tanto sobre mim e sobre a vida.

Eu honro o palco, seu cheiro, o toque do chão nos pés, a luz que me acolhe, as coxias que me abraçam antes e depois de entrar em cena, cada pedacinho dos bastidores e a vastidão do céu metálico que cobre nossas cabeças no palco. Honro a cortina que se abre e fecha e o público que me recebe. Como eu honro!


Paula Arrais

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Sobre harmonia



Outro dia escutei os pássaros cantando na porta de minha sacada. Fiquei a me deleitar e então percebi que todos, cada um com seu timbre, cantavam na mesma tonalidade. Foi uma aula linda sobre harmonia. Harmonia é isso: conexão. Se estamos alinhados com nosso propósito as coisas se conectam, se harmonizam, se ajeitam.

Esse é o meu propósito na música: conectar e harmonizar por meio da minha voz, das minhas aulas e das minhas artes. Se você me escutou cantando é porque algo ali era pra você, assim como para todos que estavam envolvidos no processo. O que temos a aprender com isso? Cada um vai descobrir na sua individualidade a sua própria relação com o todo. Nem sempre fica claro e, muitas vezes, demora para descobrirmos, mas com o passar do tempo e de muito olhar para dentro a gente compreende.

Que a minha voz, o meu canto, a minha arte e a forma como eu ensino e passo meu conhecimento se harmonize com o todo e possa tocar o coração daqueles que precisam, independente do que seja. E a pergunta que sempre fica é: o que eu posso aprender com isso?


Paula Arrais

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Uma reflexão sobre a "Cultura do cancelamento"

Hoje parei para observar como nós enquanto sociedade estamos frágeis, expostos e instáveis. Uma onda de cancelamentos vem acontecendo em todas as esferas de nossa vida. Não que o cancelamento já não existisse, mas hoje ele está mais escancarado. A pergunta que ficou ecoando na minha cabeça hoje ao abrir os posts do Cotidiano.dela é: "porque deixamos chegar ao ponto de cancelar?" Porque não enxergamos antes? Será que está faltando olhar para dentro e entender nossas posições ou olhar para o outro? Será que estamos justificando demais as atitudes de alguns porque valorizamos coisas que não devíamos valorizar e acabamos por não enxergar os sinais? Será que estamos passsando pano e justificando atitudes porque sentimos que já estivemos no mesmo lugar e nos justificamos ao justificar o outro? Será egoísmo de não assumir a responsabilidade dos próprios erros e assim, justificamos erros dos outros para aliviar os nossos? Estamos assumindo as consequências de nossos próprios atos? Qual a nossa responsabilidade no caminho antes do cancelar? Como chegamos no cancelamento? Porque para cancelar, é preciso ter ativado antes. É preciso ter seguido antes, é preciso ter comprado a ideia, é preciso ter assinado embaixo em algum momento. Onde erramos no caminho? Onde passamos o pano? Onde eu deixei de ter responsabilidade e por isso projetei no outro? 

Isso vale também para avaliar o cancelar e aí depois os descancelar e cancelar de novo e descancelar de novo e de novo e de novo. Um ciclo vicioso de "é bonzinho", "não é bonzinho". Somos todos bons e maus em algum momento. "Ai, não era eu...". Era você, mas uma parte sua que não soube lidar melhor com aquela situação e está tudo "certo". Era o outro, mas uma parte dele não soube lidar e está tudo "certo" também. Somos todos humanos e a humanidade implica em erros e acertos, implica em aprendizagem constante. E muitas vezes será preciso repensar rotas, mas o cancelar implica um compromisso antes. E a minha pergunta fica: porque estamos fazendo compromisso com algo ou alguém que ainda não ficou tempo suficiente para fazermos escolhas saudáveis e com pé no chão? Essas avaliações são importantes para não cancelarmos e depois descancelarmos ou ainda, para não precisarmos cancelar sem necessidade. 

Essa é a maior das questões que tenho me feito há alguns anos e que vem mudando minha forma de conviver com as pessoas ao meu redor. Que vem respaldando minhas escolhas e minhas mudanças de caminho. Olhar para dentro e para o outro. Compreender e não julgar, mas também procurar não respaldar atitudes que não são legais nem assumir compromissos antes de se ter um quadro mais amplo de toda a situação. Assumir os erros e acertos, arcar com as consequências e acima de tudo, fazer escolhas mais saudáveis, sustentáveis e éticas para mim e para o próximo. Que sejamos amor e soma.

Paula Arrais

sábado, 30 de janeiro de 2021

Homenagem a Lipe


E ontem você partiu. Deixando uma vida linda e repleta de ensinamentos. Você na sua pequenez me ensinou sobre paciência, sobre aceitação, amor incondicional, respeito, resiliência e alegria de viver. Você que esteve presente na minha vida com força total, foi meu escudo da dor, meu companheiro de todas as horas, me fez rir quando não sentia ser possível e me ensinou a ver beleza nos dias mais difíceis. Você, que amava fugir de casa para correr pelas ruas, que amava uma brincadeira e era o terror dos guardas do condomínio que ligavam pedindo ajuda para pegar o cachorro que dava "hola" em todo mundo só pela diversão do pique-pega. Você que amava um cafuné e ficava horas deitado no colo (só por ficar), mesmo naqueles dias que estava super calor. Você que amava lamber e dentre os vários apelidos, recebeu o apelido de lambe-lambe.
Obrigada por me dar a oportunidade de cuidar de você e ter uma vida compartilhada com você. A saudade será eterna aqui, mas com a certeza de que nada nem nenhum momento foi desperdiçado. Eu te amo muito. A bolinha de pelo agora se tornou uma bolinha de luz que vai sempre me guiar. Tudo que me resta agora é distribuir todo o amor que era destinado a você a tantos outros lugares que me sejam requisitados. Que eu possa retribuir o amor que você me deu pelo mundo afora. 


Paula Arrais

terça-feira, 10 de março de 2020

E o laço que não se desfaz é tudo que me resta

Sem tempo para pensar em você, para sentir o que não para de vir à tona. A falta que você me faz. Sento e preciso escrever para tirar tudo isso e ver se passa um pouco essa angústia, esse aperto, essa falta que você faz. Tanta coisa para resolver, mas sua ausência me faz doída. Queria poder dividir tudo com você, te contar meu dia e saber do seu. Quando finalmente estou pronta, você já foi e talvez nunca volte. Escolhas, minha antes, sua depois. Escolhas nossas. Inteira estou, forte estou e aquela música ao longe continua tocando como se fosse para ser. E você no mar e eu no ar. A única pessoa que nunca pensei em dividir, a única pessoa que me dói dividir. A única pessoa que não é mais minha.E o laço não se desfaz... Será que desfaz algum dia? Paciência. É tudo que me resta.


Paula Arrais.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...