sábado, 26 de setembro de 2009

Quarto

Quarto é a coisa mais íntima que se tem. É nele que você pensa com mais ardor, sonha acordada, deita chorando a plenos pulmões até pegar no sono. É com ele que se partilha os segredos que ninguém nunca vai saber, nem mesmo seu melhor amigo. Quarto é a coisa mais pessoal e íntima que já foi inventado. Mesmo quem não quer conta seus segredos ao seu quarto, nem diário ganha de tamanha façanha. Se algum dia chegar a entrar em um quarto que não seja o seu, maravilhe-se. Pois você foi confiável o suficiente para entrar no mundo mais profundo do dono desse mundo encantado.
Paula Cristina.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Música

Falar de música é lindo, sentir música é lindo, entrar na música é lindo, mas nada se compara a fazer a música. Sentir cada nota, cada ritmo, cada cada da música. Quando se penetra na música já não tem jeito, não tem lugar, não tem momento. É você e ela. A música é divina, especialmente quando vem de dentro. A música é sentimento misturado com o mundo. É a mais pura realidade do sentimento. Ela é partitura, melodia, som, entendimento. Sem o sentimento a música se torna barulho. Com sentimento qualquer barulho se torna música. A música é linda!
Paula Cristina.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cena do esmalte

E veja só como somos impressionáveis, nós humanos. Outro dia estava na rua e um moço, simpático até, veio me falar sobre um trabalho voluntário em uma clínica para drogados. Pensa-se que pessoas assim já vivenciaram muito e aprenderam a lidar com diferenças, por mais "esdruchulas" que sejam. Não é de se ver que ele olhou para minhas mãos arregalou os olhos e levou a cabeça para trás em um susto, juntamente, dizendo: "NOSSA!". Impressionou-se com meus esmalte, em um dedo passei vermelho e em outro passei roxo, em sequência: vermelho, roxo, vermelho, roxo. Pediu desculpas, mas essa cena vou levar comigo por quanto tempo eu puder. Achei cômica, e o moço tadinho, todo embaraçado pedindo desculpas pelo susto que levou. Ganhei meu dia. Estou rindo até agora.
Paula Cristina.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ouço

Não sei ao certo o que diriam os Deuses sobre o que acabo de ouvir. Ouço tamores e flautas se misturando em insultos apaixonados do amor mais puro e intenso. Ouço amor e ódio. É o perdão chegando sorrateiro. Ouços sorrisos se abrindo em arco-íris de imensidão. Ouço lágrimas derramadas com fervor. Ouço razões que o coração não quer admitir. Ouço você no seu mais singelo inspirar.
Paula Cristina.

domingo, 20 de setembro de 2009

Criação

Impressionantemente sou tão inconstante que meus textos escritos a segundos atrás já não pertencem à minha mente. Não me lembro em momento algum minhas palavras depois que delas retiro o mel. O que me incomodava ontem já não me incomoda hoje. Não porque não tem importância, porque tem, mas porque simplesmente, o sentimento, quando solto no ar, já não é mais meu, é do mundo, mesmo que o mundo não saiba. E então eu leio e releio. Às vezes acho lindo, às vezes trágico ou alegre. O interessante é que no final das contas não é tão desesperante quanto parecia a mim quando sentia. Deve ser mais uma vez a questão de ser solto no ar, já não é meu, é do mundo. É como um filho, prestes a voar e quando voa, voa. Já não é filho, é criação, é aquilo que um dia foi seu e já não o é mais. É lindo.
Paula Cristina.

O mais difícil

O mais difícil me atrai. Acho lindo essa coisa de ser difícil, enfrentar as asneiras, os problemas, os medos. O mais difícil é poético, é preciso sair do lugar confortável e se infiltrar em um lugar desconhecido por completo. O mais difícil é prazeroso no final, porque sabe-se que ninguém faz questão, e se alguém faz questão é porque é forte o bastante para isso. É por isso que gosto do mais difícil, tenho que me convencer constantemente que sou capaz, sou capaz de ser o que quero, fazer o que quero e enfrentar as consequências: é a prova da força. O mais difícil é poesia disfarçada de terror. O mais difícil é ser mais forte, ser mais complexo, ser, ser e ser. O mais difícil é inomeável. Tomei o caminho mais longo, só para deixá-lo mais difícil e vou fazer isso de novo, só me torna mais forte.

Paula Cristina.

sábado, 19 de setembro de 2009

Ex ficante

É uma pena que não tenha dado certo. Não porque eu não quis, mas porque você já tinha alguém em sua cabeça. Vejo hoje, que poderia ter sido eu a surtar sua cabeça, seus olhares ainda são meus quando estou por perto. Não gosto de me gabar de tal proeza quando se chega ao final do relacionamento. Não gosto porque é estranho, não se sabe o que fazer. Mas, com você, tenho vontade de gritar aos sete ventos: "ELE ESTÁ ME OLHANDO! ELE ESTÁ ME OLHANDO!". Não o faço, por ser sem propósito... e também por orgulho. Não quero admitir que tudo que quero é me jogar aos seus braços e que ainda seria sua. Só que meu orgulho me manda dizer que agora não quero, não quero e não quero.
Paula Cristina.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...