terça-feira, 29 de junho de 2010

A voz no telefone

O telefone tocou uma, duas, três vezes e do outro lado uma voz diferente, mas conhecida atendeu. Estava tão perdida em pensamentos e barulhos externos e internos que não conseguia raciocinar de quem era a voz. "Quer falar com quem?" - perguntou. Responde o nome da amiga. "Ela não está aqui agora, quem é?". "Mary Anne." a voz responde: "Mary Anne? Quando ela voltar, aviso que você ligou. É o Thomas quem está falando." Ela responde "Quem?", ele: "Thomas". Ficou sem reação. Ele sabia que era ela, tinha certeza agora. A pergunta foi mais uma forma para dizer quem falava. O coração bateu acelerado. Será que era ele mesmo? Existem tantos Thomas no mundo. Mas não, devia ser ele! Só podia ser ele! Desligou o telefone, ainda sem reação. O sorriso se alargou na face. Que saudade. Que saudade.
Paula Cristina.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Talvez

E a decepção caiu, mais uma vez, como uma luva. A sinceridade que se esperava se tornou implicantemente traiçoeira. E a vontade é de matar quem quer que seja. Tudo bem que a sinceridade sempre foi o que mais fez, mas às vezes se escorrega, mas dessa vez foi tudo mil falsidades, tudo mil perdições, tudo ridiculamente falseado. Será que algum dia ela soube do acontecimento, será que algum dia ela soube que o acontecimento fez tudo doer. Será que ela sabe do arrependimento? Talvez enquanto se acha que ela foi a falsa, na verdade ela se sente a vítima. É, talvez.
Paula Cristina.

A vida é uma busca da beleza e a arte acaba com a solidão.... - trecho um pouco modificado de Marlena De Blasi

Correu até não poder mais, até as pernas arderem. Tomou um banho, escreveu mais um texto revelador, cheio de vontade de viver, de ser real, deitou na cama e dormiu. Acordou na mesma posição, calmamente levantou, lavou o rosto, escovou os dentes, tomou café, escovou os dentes de novo. Vestiu uma roupa, a primeira que viu no guarda roupas, calçou o tênis, passou perfume, pegou um brinco, uma pulseira, um colar, um anel. No carro a música a animava , a medalinha em sua bolsa ficou aparente e ela então se lembrou de como costumava ficar e percebeu que mesmo não sendo a tempos atrás, parecia que era. Sorriu e deixou a medalinha ali, à vista. A medalinha já não era uma coisa que a lembrava da guerra que travava todos os dias consigo, era algo que a lembrava de como foi um dia difícil chegar ali e como agora ela estava bem. O esforço valeu, as lágrimas serviram de crescimento e o sorriso era tudo que tinha e que agora ocupava o lugar da dor que antes reinava. Ao seu lado, hahaiah sorria um sorriso calmo, um sorriso lindo e apesar de ter tanto para contar de sua felicidade, tudo que consiguiu dizer foi "Bom dia, meu anjo querido."
Paula Cristina.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sinto muito, meu amor.

Se tenho algo a dizer? Tenho muito a dizer, mais do que imagina. Se te amo, te amo demais. Se te odeio, odeio de menos. Não nasci para provocar dores, nasci para amar, cuidar. Existem pessoas que não querem esse cuidado e disso, nada posso fazer. Se me importo, é porque você merece. Se eu parto, é porque a dor que você me aflinge é insuportável. Não sei se te amo, se gosto ou simplesmente se me acostumei a dizer que te amo, que te gosto. Isso não vem ao caso, o que se torna discutível aqui é justamente o fato de permanecermos como se nada tivesse mudado. De onde vem essa necessidade louca que não nos deixa ir embora, nem permanecer? Preciso de paz, de tranquilidade, de auto-satisfação e a sua luxúria me deixa em pedaços, em frangalhos, mesmo que eu esteja bem aparentemente. Se me dou, me dou por inteira e não posso te dar cerejas, você não aceitou os lírios, apesar da minha insistência. Você diz que sente minha falta, mas eu não sei o que isso quer dizer. Se tantas vezes tentei dar certo, porque só agora que desisti você volta para mim? O que significa essa falta sua, essa falta minha, essa falta mútua? Já não sei te amo ainda e não sei o que dizer a você. Você diz que sou diferente, que comigo é diferente. Concordo, sou mesmo diferente. Mas o que fazer com isso? O que fazer com o amor que você dá e que não quero receber, tenho medo de receber? Posso até retribuir, mas será diferente do que você espera. No final das contas, tudo que posso fazer é me deixar ser querida. Aquela parte de mim que te amava, idolatrava e esquecia de si para te agradar foi embora, desgastou, morreu, mudou. Aquela parte de mim fez o que sou hoje, aquela parte de mim me ensinou a me amar. Aquela parte de mim morreu com as mordaças que você a inflingiu. Aquela parte de mim no passado ficou. Mantive uma posição até agora de que não mais te amo. Menti. Amo tanto, que dói pensar que amo, dói porque você nunca conseguiu manter aquilo que a gente tentou construir. E hoje eu digo adeus. Sinto muito, meu amor.
Paula Cristina.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Na vida de cada um de nós... há um lugar, remoto e ilhado, escolhido para remorso interminável ou para a felicidade secreta." Sara Orne Jewett

Ah, como o homem é cruel às vezes. Com sua vontade de manter, estraçalha corações, esquece que existe um ser ali, do outro lado do espelho se entregando, se retorcendo. Como torço para que o ser do outro lado do espelho saiba voltar a si. Nas horas de desespero, oro que o ser saiba chegar ao seu "lugar feliz". Será que ele tem? Será que não? Torço que sim, oro que sim, rogo que sim. É desse lugar que todos os seres precisam, principalmente em um mundo tão incrivelmente conturbado. De um lugar em que se possa voltar para relaxar a tensão e distribuir calmaria. Você conhece o seu? Já visitou o seu? É uma casa no lago? Ou uma praia, quem sabe? Uma fazenda, com bois e tudo? Ou a grande cidade? É um amor à noite? Ou uma amiga que acolhe? Pode ser um livro também, ou um jardim de rosas. Qual é o seu lugar? Você o visita mentalmente? Lembra dos cheiros que ele evoca ou da brisa leve? Encontre o seu lugar e não o deixe desmoronar, é para ele que a gente volta, é nele que a gente vive, é ele que vai dizer se choramos ou se sorrimos. Qual é o seu lugar?
Paula Cristina.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Às vezes é necessário cavar.

Me pedem que me explique, que eu dê justificativas confortáveis para um porque me saí mal, porque não sou uma boa aluna, ou até sou, mas porque não me saí bem nisso ou naquilo outro. Pedem que minhas justificativas cheguem ao professor, porque assim ele vai compreender. Mas essa não é a questão, nunca foi. Sou mais do que meras explicações e isso me traz em evidência. A partir do momento que me explico, sou mais cobrada ainda, tenho que correr atrás de um prejuízo e ainda demonstrar que estou correndo para dizer "viu, sou aplicada, era só uma fase...". Não, não e não! Prefiro assumir consequências de dores, de problemas. Já basta minha culpa e ainda devo carregar o peso das expectativas de outrem? Não, não e não. Tudo na vida tem explicação, mas o mundo não pára para que consertemos as coisas, para que reorganizemos as coisas. Um furacão passa, destrói casas e acabou! Pode-se construir outra, mas não tem ninguém para passar a mão e dizer "vem cá, minha casa é muito linda, não te conheço, mas eu posso te acolher". O mundo não é assim, nunca foi assim. Pode estar tudo despedaçado, mas não me desculpo. Não me desculpo, não por orgulho, é mais um senso de responsabilidade pessoal. Aquela que a maioria esqueceu por aí. Essa responsabilidade pessoal me deixa às vezes fadada a dores, desencontros e até más interpretações, mas sejamos sinceros: sem ela passamos a vida inteira dependendo de uma mão na cabeça, um bengala para apoiar e uma luz para guiar. Vou te contar uma coisa: nem sempre existe luz no fim do túnel, às vezes é necessário cavar.
Paula Cristina.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Tem dias....

Tem dias que simplesmente não se tem nada para dizer e é justamente aquele dia em que mais se quer falar. Tem dias que a pulga acorda atrás da orelha e que se veste a blusa ao contrário. Tem dias que tudo sai de linha e é justamente nesses dias que se é mais do que pensaria que podia ser. Tem dias que se acordou com o pé esquerdo, mas tudo parece lindo, tem dias que tudo deu certo, mas parece que está tudo errado. Tem aqueles dias ainda que se vira bicho, tem dias que se vira água. Tem dias, tem dias, tem dias. Tem dias como hoje, que não se tem nada para escrever, mas a vontade de fazer um "super-big" texto é enorme. Tem dias que as coisas não fluem e tem dias que fluem até demais. Tem dias......... t e m d i a s que tudo parece estranho, meio ambíguo, bizarro escaldante. Tem dias que as idéias parecem ridículas e perfeitas, ao mesmo tempo e cabe a alguém dizer o que achou delas. Tem dias que as cores estão mais cores e o céu está mais perto. Tem dias que o anel vira aliança e a aliança vira pepita. Tem dias que as músicas são lindas e os inimigos são fofinhos. Tem dias, como esse, que se quer gritar e dançar e pular e nadar e jogar. Tem dias, tem dias, tem dias. Tem dias que é assim, repetitivo, mas lindo; zumbi, mas sexy; pirado, mas sábio; largado, mas centrado. Tem dias que é assim, tudo no preto e no branco e é bonito por isso. Tem dias que as cores podem ser fortes, mas ainda assim mostram a leveza de se viver no preto e branco contratado por cores fortes. Tem dias que é lindo ser louca.
Paula Cristina.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...