Paula Cristina.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Amores
Os olhos olhavam ávidos, com sede do por vir. Eram tantos olhares, tantas pessoas, tantos acontecimentos. Nos bastidores, olhares apaixonados, mãos entrelaçadas, braços interligados, segredos trocados. Na frente das câmeras eram sorrisos aprimorados, toques leves e com cuidado (para não estragar o gosto dos outros, não incomodar) e não passava de sentar do lado e algumas vezes um beijinho pra dar aquela ideia de casal apaixonado (menos do que era, mais ideal, como deve ser). Porque no final das contas é assim: amores que se amam, que se completam, que se respeitam, que se devoram, que se amam, que se amam, que se amam. Não era para ser ideal, quem foi que teve essa ideia?
sábado, 26 de maio de 2012
Silêncio absoluto
As horas passam... as horas. O silêncio contrasta com o tiquetatear do relógio em lembrar que as horas passam. As horas passam!
O leve som do silêncio a tomava. Levava a um mundo paralelo, distante. Tique-taque. Ring. Quem? Não importa. Tira o telefone da tomada. Não é para ela e ela sabe. Não quer ninguém incomodando. Senta na cadeira de balanço e fica ali a admirar o silêncio absoluto que finalmente acalma seu coração.
Paula Cristina.
O leve som do silêncio a tomava. Levava a um mundo paralelo, distante. Tique-taque. Ring. Quem? Não importa. Tira o telefone da tomada. Não é para ela e ela sabe. Não quer ninguém incomodando. Senta na cadeira de balanço e fica ali a admirar o silêncio absoluto que finalmente acalma seu coração.
Paula Cristina.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
É disso que eu to precisando
O dia começa e os pensamentos começam a encher a cabeça. É o trabalho a fazer, as contas a pagar, o livro para ler, os compromissos a cumprir, o almoço, o horário de descanso. Porque até para relaxar tem que ter horário marcado. Já não existe mais aquela calmaria, aquele dia relaxante que pode-se ouvir o canto dos pássaros. São festas de famílias, reuniões com os amigos, chá da tarde, hora do almoço... corre que tem compromisso. O domingo não existe e perde-se a noção do tempo. "Que dia é hoje mesmo?". As pessoas começam a preocupar, pensam que você não está bem, que precisa de remédio, de um médico: "Olha você precisa se cuidar". Mas e na hora do vamos ver? E na hora de você dizer que naquele dia vai ficar em casa descansando "O que? Eu disse, tá vendo, precisa de um médico. Olha, isso vai ser depressão. Quer ficar em casa, a encontrar a família ou os amigos... é, a coisa tá feia..." Tá feia mesmo, mas é só cansaço. É a necessidade de deitar a cabeça em um travesseiro, de ficar alguns dias sem fazer nada, de ouvir o som da brisa passando, os pássaros cantando. Um bom cházinho na mão e um nada de distração. É disso que eu to precisando.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Preciso.
procuro um tempo pra mim. Daqueles de silêncio e meditação, calmaria, paz e serenidade. Não precisa tocar harpas nem descer querubins... apenas um tempo só para mim. Deixar de lado o "tem que fazer" e não fazer nada ou... fazer o que gosta, o que quer, o que "der na telha". Preciso de mim e do meu tempo e do meu espaço. Preciso urgente. Preciso tanto que marquei hora.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Apenas para contar o quanto eu te amo!
Estava eu, assistindo um filme daqueles de comédia romântica (mas que de comédia não tem nada). E me deparei com a verdade, a verdade que me deparo tantas vezes ultimamente. Não quero tardes ensolaradas e sonhos realizados se não forem com você. Não quero buquês de flores, nem romances típicos, nem conversas fiadas se não for com você, se eu não estiver com você para eu contar dos meus dias medíocres e dos meus sonhos e dos meus planos e dos meus atos. Antes de você, era eu e pronto, no meu mundinho bem equilibrado e algumas coisas fora do lugar. Era muito simples: eu fazia as minhas coisas e, simplesmente, não me importava e as pessoas se acostumaram a pensar "isso é coisa dela, é assim que ela é" e não me incomodavam. Com você foi diferente. Pela primeira vez eu me importo e, pela primeira vez, alguém na vê meus atos pesados como "coisa minha". E você acredita em mim e eu acredito em você. E não importa o quão desconfortável a situação às vezes aparece é aqui que é meu lugar. Cuidando de você e sendo cuidada por você. E não importa o quanto isso assuste e o quanto seja novo. Eu quero mais dias diferentes, quero mais situações as quais eu tenha que aprender a lidar se isso significar estar com você. Eu quero um pequeno, mínimo que seja, espaço na sua vida para fazer de nossas vidas a melhor de todas...
Paula Cristina.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Enquanto não durmo
O silêncio não me deixa dormir, melhor dizendo, a mente trabalhando, raciocinando, pensando não me deixa dormir. O trabalho a receber, a devolutiva a um passo de ser concluída, as compras, os bolos e cookies a fazer, a viagem, a saudade que vou sentir de você. Não me deixam dormir, me fazendo repassar todos os passos para que eu não esqueça de uma vírgula sequer e cada vez que repasso, a lista cresce. A aula de canto, a terapia, os livros a ler, os filmes para assistir, as ligações, os compromissos, os documentos, o banco, o cachorro, o almoço. Meu deus! Esqueci do almoço! Volta, refaz a lista. Como vou sentir falta de você. Os espaços nisso tudo para "ligação para ele", "possível encontro com ele" são muitos e faço questão. Não importa de atrasar a conta, ele vem primeiro, não importa de esquecer alguma coisa da lista, ele vem primeiro. Quê? Ele vem primeiro? Desde quando namorado foi prioridade na minha vida. Desde ele aparecer. E a saudade que vou sentir durante a viagem? Confesso, seria o acontecimento do ano, a espera ansiosamente. Claro que quero ir, mas já não é o acontecimento do ano. O acontecimento do ano, foi conhecê-lo e será, depois de 15 dias fora. Quin-ze-di-as. Encontrá-lo no aeroporto para aquele abraço. Rio disso tudo. Lembro da vida que eu levava, da solidão que eu tanto gostava. Da idéia de viver sozinha por todo sempre e concluo, simples assim, que não sinto falta da manutenção de solteira, gosto da vida a dois incompleta. E espero que ela se complete no altar. Quem diria... quem diria...
Paula Cristina.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Quando se perde a inocência
Você sabe que perdeu a inocência quando descobre que suporta a dor. A dor do luto, a dor da culpa, a dor da separação, a dor da solidão, a dor... Você sabe que perdeu a inocência, quando percebe que tudo tem dois lados e, que portanto, em certa medida todos podem ser mal interpretados e podem mal interpretar. Você perde a inocência quando as noites de insônia te contam as coisas que você sabe não poder mudar. Você perde a inocência quando começa a procurar opiniões diferentes para formar a sua própria e, às vezes, chega a duvidar de si mesmo não por falta de confiança, mas por saber que você também é falho e muitas das vezes você estará errado. Mas você perde a inocência também quando começa a se perguntar o que é certo e o que é errado e se os dois não estão juntos, interligados, impossibilitados de separar. Você perde a inocência quando percebe que um simples texto que parece arrancar a alma pode ter menos que vinte linhas e, portanto, nada pode ser por completo medido. Você perde a inocência quando descobre que nada sabe e talvez, nunca saberá.
Paula C. Arrais
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Carta a Amandinha
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