terça-feira, 1 de novembro de 2016

Vontade de perdoar

Per-doar. Doar completamente. Dar tudo de si. Essa é etimologia deste ato tão difícil. Difícil mesmo dar tudo de si a alguém que não te deu nada. Talvez justamente por isso está posto como um passo mais próximo da espiritualidade ideal, mais próximo de Deus, mais próximo de uma santificação. Por que perdoar é um ato extremamente difícil de ser concretizado. Mas ao mesmo tempo, como faz sentido! Dizem que quem não tem nada não consegue dar, às vezes nem receber! Agora quem tem, pode dar e receber, sabe como fazê-los bem; pelo menos, em tese. E se for brincar com a palavra, sai mais coisas: per - doar. Per - do - ar. Pelo ar. Pernoitar. Petrificar. Purificar. "Pururucar" (hmmm). Que delícia deve ser perdoar. Amar. Sei e não sei perdoar, assim como amar. Sei e não sei. Espero e torço para aprender, desaprender, reaprender. Porque pensar que perdoou não é o mesmo que perdoar. Quem sabe um dia o perdão chega em sua gloriosa forma e fique e se mantenha e não se desprenda. Perdoar, como eu gostaria de perdoar.

Paula Arrais.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sobre presença

Acho lindo aqueles casais que conseguem administrar a saudade tão fácil. Queria a fórmula para dias tão calmos e serenos. Aquele momento de saudade que só resta esperar é altamente frustrante, não conseguir falar com a pessoa, ou até conseguir, mas ainda falta a presença. Sou dessas românticas que gosta do contato, pele com pele, olho no olho, declarações de amor em meio a um jantar romântico, só os dois, regado à vinho e boa comida. É disso que eu gosto, é isso que eu quero...

domingo, 30 de setembro de 2012

Volta logo.

E você não estava quando eu chorei. Chorei de raiva, chorei de amor, chorei de dor de perder. Quando você saiu pela porta da frente fiquei com medo de não mais te ver, mas você voltou e o meu amor chorou. Chorou de alegria, de alívio, de paz enfim alcançada. E o tempo mal curou a saudade e você saiu porta afora, desbravando o mundo. O jardim ficou vazio, o banquinho de madeira pedindo aconchego. Volta logo para as flores abrirem, volta logo pro meu aconchego.

Ah, as bailarinas...

Elas dançavam e o movimento era leve, contínuo e transparente, como aquelas dançarinas em uma festa. Dançam, mas não dão tudo, não entregam o ouro, deixam apenas impressão e uma leve calmaria. Os vestidos se movendo contam daquela brisa que as leva para longe, com uma música gostosa e um sorriso no rosto. Ah, as bailarinas...


Paula Arrais

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Uma cena

As cortinas entreabertas deixavam a claridade da manhã recém chegada adentrar o quarto. Na cama era possível ver seus pés entrelaçados saindo por debaixo do cobertor. O lençol, todo revirado, cobria os amantes que dormiam abraçados. O cheiro de lavanda tomava o quarto e os ninava para sonhos tranquilos ao lado um do outro.



Paula Arrais.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Amores

Os olhos olhavam ávidos, com sede do por vir. Eram tantos olhares, tantas pessoas, tantos acontecimentos. Nos bastidores, olhares apaixonados, mãos entrelaçadas, braços interligados, segredos trocados. Na frente das câmeras eram sorrisos aprimorados, toques leves e com cuidado (para não estragar o gosto dos outros, não incomodar) e não passava de sentar do lado e algumas vezes um beijinho pra dar aquela ideia de casal apaixonado (menos do que era, mais ideal, como deve ser). Porque no final das contas é assim: amores que se amam, que se completam, que se respeitam, que se devoram, que se amam, que se amam, que se amam. Não era para ser ideal, quem foi que teve essa ideia?


Paula Cristina.

sábado, 26 de maio de 2012

Silêncio absoluto

As horas passam... as horas. O silêncio contrasta com o tiquetatear do relógio em lembrar que as horas passam. As horas passam!
O leve som do silêncio a tomava. Levava a um mundo paralelo, distante. Tique-taque. Ring. Quem? Não importa. Tira o telefone da tomada. Não é para ela e ela sabe. Não quer ninguém incomodando. Senta na cadeira de balanço e fica ali a admirar o silêncio absoluto que finalmente acalma seu coração.

Paula Cristina.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...