quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Desfecho

Ela acorda com uma dor de cabeça de fazer perder o chão. O ar entra pelo pulmão rasgando e sai queimando. O telefone não toca. Faz o café, veste uma roupa, senta na varanda para aproveitar o resto da noite. O chá já não faz efeito e por isso, a meditação se torna a aliada principal. Os olhos transparecem um vulto triste, sem vida. O peito arfa pesadamente. Os vizinhos não a conhecem e mesmo que conhecessem, duvida que gostaria da companhia deles. Fecha os olhos, ouve o silêncio, o barulho mínimo do silêncio. Finalmente sente os pulmões cheio de ar e isso a acalma. Ela deita a cabeça sobre os joelhos e fica ali, passiva. A dor de cabeça passa, a calma fica e ela não se atreve mover um músculo sequer. Se sair daquela posição pode perder a magia de ficar ali, ouvindo o silêncio, abraçando o ar. A verdade é que queria alguém para suprir a falta, mas não quer qualquer um, quer ele. Ele não está, ele nunca está. Já não faz tanta diferença, ela não precisa dele para ser. É nessa hora que ela sabe que em algum momento vai ficar com alguém, só por uma noite, para suprir as necessidades que ele não dá, que ele não quer dar. E o coração acalma, ela sabe quem ela é, o que ela quer e como ela quer. Não faz diferença, ela vai deitar sozinha, acordar sozinha, amar sozinha e esperar por um desfecho diferente. Por um desfecho que ela espera a muito tempo. Se ele ao menos entendesse que não existe ninguém mais, nunca existiu.


Paula Cristina.

Meu mimo

Vou contar um segredo, sou a pessoa mais mimada que você vai conhecer. Meu mimo não é de ser princesa, mas de não saber ouvir "não" em relacionamentos. Não sei não ter amigos, não sei não agradar e quando vejo que não agrado me revolto. Meu mimo é ter medo de não ter. Me disseram uma vez que a gente tem medo do que pode dar certo. Eu tenho medo de não dar certo, faço tudo para dar certo. Mudo meu jeito, troco de nome, de sorriso, de olhar. Troco tudo para saber ser amada. Meu mimo me mata, porque jamais eu vou conseguir mudar pra agradar completamente e aí eu fico aqui sentada na frente do computador para não precisar encarar a verdade de que não importa quantos amigos você tenha, quantos sejam verdadeiros, no final do dia você deita sozinha e no começo do dia você acorda sozinha. E a dor permanece intacta como uma cicatriz que sangra continuamente. E eu nada posso fazer a não ser tentar aprender que não adianta o quanto você se esforce, vai ser sempre você contra o mundo.


Paula Cristina.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A patricinha e a alternativa

Ficaram amigas instantaneamente. Qualquer um que olhasse diria que era estranho. A patricinha e a alternativa. Mas elas não se importaram e deu tudo certo. Cada uma aprendendo um pouco dali e um pouco daqui. Não que já tenha tempos de convivência, mas é como se fosse. Se encontraram todos os dias desde então. É como se fossem amigas de infância e isso é bom.
Paula Cristina.

domingo, 17 de janeiro de 2010

amigas

Cada uma vinha de uma direção e se juntaram. Não que todos os dias fossem mágicos, mas deixavam sempre rosas e tranquilidades quando se encontravam. Eram tão livres quanto podiam e tão presas quanto evitavam. Cada uma a seu modo, rindo, compreendendo, mas de forma ímpar amando. Poderiam ser quem quisessem, sair como quisessem. Elas se entendiam mesmo pensando diferente. Se entendiam e se amavam.
Paula Cristina.

Porque eu sou assim.

E o dia se esquiva em maravilhoso quando tudo dá errado. Meu café espirrou para todos os lados, minha roupa favorita é muito embaraçada, minhas unhas são de cetim e o cabelo é de aço. Meu celular não liga, minha cabeça está a mil. A consciência pesada da noite passada em claro com quem não se devia. Meus erros mais terríveis, meu ser mais solitário, minha carência desmedida e minhas mentiras passivas são tudo que eu tenho neste dia para contar. Faço anos de desilusões e quem eu amo não está aqui. Tudo que tenho a fazer é deitar a cabeça em um ombro amigo e fingir estar tudo bem. E quando eu faço tudo errado é quando eu menos me importo, porque o dia é de ameixas e a noite é de cerejas. E eu passo os dias assim, esperando, esperando e quando ajo dá tudo errado. Porque eu sou assim, desmedida com meus próprios passos.
Paula Cristina.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Colapso

E enquanto eu tento me controlar, sento em frente ao computador e começo a escrever só para aliviar a tensão de entrar em colapso mais uma vez. Prometi tantas vezes que não cairia nesse comportamento doentio, mas confesso que está por um fio me segurar. Sair por aí a noite é tentador, principalmente quando a mente deixa claro 'poderia ser' como algo quase real. A linha é muito estreita e a loucura deliciosa por si só. Aquela adrenalina toma conta do corpo, a aventura está para começar e ela não vai se controlar. Ela não quer se controlar.
Paula Cristina.

O triângulo inexistente

Ele amenizou um pouco a falta que ela sentia do outro, mas mesmo assim o medo é grande, medo de perder o que não se tem, mas que lutou tanto para ao menos ser, e é. O outro, na verdade não é o outro, é amor, é sentimento, é plano querendo ser verdade. Ela ficou confusa, assustada. Quer e não quer. Não quer porque o outro pode sumir e se ele sumir a idéia do amor que fazia vai se desfazer. E ela não quer que desfaça. Ele também não ajuda, ele é incerteza, imprevisível, como sempre foi. Ela não quer perder os planos, por um desfecho sem rumo, sem visão. Ele é temporário, o outro não. Ela quer ligar para ele, passar a noite em claro, como fez da última vez, mas não tem coragem. Não tem por todas as razões já ditas e as não ditas também. Ele não é o que ela sonhou, é algo diferente, ela odeia não seguir seus planos e ele não fazia parte, a não ser a parte de serem amigos, mas ele não fazia parte do modo que queria fazer. E ela deitou na cama e se pôs a meditar, tentando esquecer o mundo, tentando esquecer ele e o outro. E tudo que ela conseguia enchergar das imagens borradas em sua cabeça era ambos, interligados, sentados na mesma mesa de café trocando confidências.
Paula Cristina.

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...