sábado, 30 de janeiro de 2021

Homenagem a Lipe


E ontem você partiu. Deixando uma vida linda e repleta de ensinamentos. Você na sua pequenez me ensinou sobre paciência, sobre aceitação, amor incondicional, respeito, resiliência e alegria de viver. Você que esteve presente na minha vida com força total, foi meu escudo da dor, meu companheiro de todas as horas, me fez rir quando não sentia ser possível e me ensinou a ver beleza nos dias mais difíceis. Você, que amava fugir de casa para correr pelas ruas, que amava uma brincadeira e era o terror dos guardas do condomínio que ligavam pedindo ajuda para pegar o cachorro que dava "hola" em todo mundo só pela diversão do pique-pega. Você que amava um cafuné e ficava horas deitado no colo (só por ficar), mesmo naqueles dias que estava super calor. Você que amava lamber e dentre os vários apelidos, recebeu o apelido de lambe-lambe.
Obrigada por me dar a oportunidade de cuidar de você e ter uma vida compartilhada com você. A saudade será eterna aqui, mas com a certeza de que nada nem nenhum momento foi desperdiçado. Eu te amo muito. A bolinha de pelo agora se tornou uma bolinha de luz que vai sempre me guiar. Tudo que me resta agora é distribuir todo o amor que era destinado a você a tantos outros lugares que me sejam requisitados. Que eu possa retribuir o amor que você me deu pelo mundo afora. 


Paula Arrais

terça-feira, 10 de março de 2020

E o laço que não se desfaz é tudo que me resta

Sem tempo para pensar em você, para sentir o que não para de vir à tona. A falta que você me faz. Sento e preciso escrever para tirar tudo isso e ver se passa um pouco essa angústia, esse aperto, essa falta que você faz. Tanta coisa para resolver, mas sua ausência me faz doída. Queria poder dividir tudo com você, te contar meu dia e saber do seu. Quando finalmente estou pronta, você já foi e talvez nunca volte. Escolhas, minha antes, sua depois. Escolhas nossas. Inteira estou, forte estou e aquela música ao longe continua tocando como se fosse para ser. E você no mar e eu no ar. A única pessoa que nunca pensei em dividir, a única pessoa que me dói dividir. A única pessoa que não é mais minha.E o laço não se desfaz... Será que desfaz algum dia? Paciência. É tudo que me resta.


Paula Arrais.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Feliz 2020

Último dia do ano e só tenho a agradecer pelo ano que passou. De tantos acontecimentos pude aprender muito em todos os aspectos de minha vida. Como profissional, foi um ano um tanto quanto peculiar e desafiador já que assumi posições que eu não sabia estar preparada, mas topei o desafio e foi gratificante descobrir que eu posso e devo apertar um pouco as rédeas para ser a melhor profissional que eu puder ser. No campo dos estudos, descobri que limites, antes bastante claros e difíceis de ultrapassar, ganharam outra dimensão e me mostraram meu crescimento. Crescimento que eu duvidava ser possível. Outra lição valiosa. No pessoal, só tenho a agradecer as pessoas que se mantiveram ao meu lado, àqueles que fizeram parte em momentos pontuais, àqueles que se foram, mas deixaram lições incríveis e àqueles que estão sempre lá. Vocês me ensinaram um pouquinho mais sobre respeito, amor, amizade, família, companheirismo, garra, coragem, dentre outras coisas extremamente valiosas para meu crescimento como pessoa. Deixo 2019 com muita gratidão por cada pessoa que dividiu um pouco de seu tempo comigo e por cada circunstância que me fez o que sou hoje. Que 2020 venha com muita alegria!

Paula Arrais

sábado, 4 de maio de 2019

Sobre ver a amiga feliz no altar

Eu observava seu sorriso largo de longe. Sua alegria transbordante nos olhos, no rosto, no corpo inteiro. Lembrei de anos atrás, quando juntas passávamos horas brincando, rindo e conversando. Tanto tempo se passou. Tanta coisa mudou. Nós mudamos, mas o carinho continua o mesmo, a sensação de estar em casa continua a mesma. Que alegria poder ver sua alegria. Relembrando agora, nossa conexão sempre foi muito profunda. Talvez por isso, nossa amizade nunca tenha se quebrado apesar de todos os arranhões e desgastes de tempo e distância. Mas nem isso muda o amor incondicional que eu tenho por você. Muito obrigada por ter me deixado participar de um momento tão lindo quanto o seu casamento. Eu te amo hoje e sempre!


Paula Arrais.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ano Novo Pessoal: uma associação livre

Dizem que temos dois anos novos. O ano novo para todos, a virada de ano global e a virada de ano do próprio aniversário. No meu caso, meu ano novo pessoal é hoje. Dia 17 de janeiro. E a primeira coisa que decidi fazer é escrever.
Escrever porque faz parte de mim. Olhar pra mim, entrar em contato comigo implica em uma escrita posterior. Não sei explicar o porque, só sei dizer que é assim. Eu sou levada a escrever assim como sou levada a ler, a ouvir música, a assistir um filme, a olhar uma obra de arte. Foi assim desde sempre e só não é quando está muito difícil de lidar. Escrever é como dançar e cantar, passa pelo reconhecimento, depois tem que passar pelo corpo, pela boca, pelas mãos. É um processo complexo e simples ao mesmo tempo. 
Contraditório, sim. Mas somos contraditórios por natureza. Não é sem razão que Freud traz as pulsões à tona. Somos sujeitos contraditórios lá no fundo. Evitamos trazer isso à tona para não incomodar a razão.
Contradição. Com tradição. Com tradução. Conotação. Somos feitos de contexto, de linguagem, de cultura. Precisamos do outro pra viver, mesmo que nos adoeçamos pelo contato com o outro. Vivemos em comunidade e o nosso maior desafio é conviver. Viver com o outro em vez de para o outro. Esse é o maior desafio. Olhar para o outro desejando isso ou aquilo, mas deixá-lo ser.
Esse é o meu desafio esse ano novo que se inicia, viver para mim com o outro e permitir que o outro viva para ele comigo. Esse é o maior desafio e ele se estende em todas as direções. Com a família, os amigos, os relacionamentos amorosos. Se estou pronta? Não. Mas a verdade é que ninguém está pronto até que aconteça. Que meus caminhos neste 2018, ano de escorpião sejam cheios de amor. Que a minha gratidão se estenda a todos aqueles que cruzarem meu caminho. Que o ano da Fênix me traga sua renovação e humildade. Que eu me conduza da melhor forma. May the force be with me always. Namastê.
Paula Arrais

sábado, 30 de dezembro de 2017

Precisava agradecer.

Alguém, em algum momento da minha vida, me disse que a gente só escreve depois de amadurecida uma ideia. Que para a ideia começar a surgir no papel é preciso investimento naquela ideia. Ela não aparece do nada. Sempre concordei com isso, mas acho que nunca a compreendi de fato. Foi apenas hoje que o giro da chave se deu. É preciso incorporar a ideia antes, deixá-la entrar por todos os poros, transbordar na mente e no corpo. Talvez seja por isso que tenho tentado escrever sobre qualquer coisa e não surtia efeito: a ideia ainda estava adormecida, eu estava em processo. Só agora, de madrugada, consigo pôr os pensamentos em ordem coerente suficiente para escrever. Que saudade. E com ela vem uma sensação de deja vu ao me deparar com momentos de uma Rosy Delusion (ilusão otimista) tão bem descrita  por Rachel Hulin em sua prévia do livro Hey Harry, Hey Matilda. E é com essa sensação que dou um sorriso e agradeço tudo que me aconteceu até hoje em minha vida.
Agradeço pelas pessoas que estiveram em minha vida por curtos períodos, que me ensinaram, me deram o suporte e me permitiram ser quem eu precisava à época. Algumas eu percebi de cara a importância, outras me deixaram dores e só depois da ferida cicatrizada pude compreender a importância que tiveram para meu crescimento. Outras ainda, desconfio da importância pelas lições que tive, mas ainda não descobri qual foi o papel que tiveram; o que me faz refletir o quanto ainda preciso amadurecer.
Agradeço ainda àquelas que ficaram. Algumas vão e voltam com frequência e espero que se mantenham em minha vida, mesmo nesse vai e vem desenfreado, porque amo muito e lamentaria muito colocá-las na lista das que se foram, pois a saudade sempre bate. Aquelas que estão sempre aqui são, muitas vezes, as que eu esqueço de dizer com frequência o quanto eu amo, porque elas provavelmente sabem. Tenho mudado isso, ou pelo menos tentado. O medo de se comprometer assim fica menor com a prática e posso dizer com firmeza que esse medo quase não existe mais com a maioria das pessoas.
Existe um grupo um tanto quanto peculiar que é o grupo das pessoas recentes em minha vida. Aquelas que entraram a pouco tempo em minha vida, mas que eu gostaria de tê-las ao meu lado permanentemente. Por essas pessoas sou grata também. Com certeza fizeram toda a diferença em minha vida, de alguma forma.
Minha gratidão eterna por tudo que fizeram por mim, quer vocês saibam o que fizeram ou não. Quer eu saiba ou não. O fato é que eu só pude estar hoje onde e como estou devido à todos vocês e às reflexões que me levaram a este texto hoje. 31/12/2017. Último dia do ano. Último dia antes de um ano novo.
O que nos espera neste novo ano, quem sabe? A única coisa que sei é que algo em mim mudou nesta madrugada, algo em mim estalou o suficiente para eu conseguir escrever isso que eu tentei escrever durante uma semana e, simplesmente, não saía. Não estava pronto, não tinha transbordado.

Obrigada Caio. Você se torna a primeira pessoa da lista de agradecimentos, já que foi quem desencadeou todo um movimento de reflexão que eu não tinha conseguido fazer desde meu divórcio ao dizer a frase que ecoou em meus ouvidos todos os dias depois que eu a ouvi (com algumas alterações de palavreado, mas o sentido é o mesmo): "não é minha primeira opção, mas de que adianta ficar de braços cruzados?". Muito obrigada por me deixar sem graça o suficiente para que eu me permitisse a leveza que eu precisava reencontrar e simplesmente não conseguia.  a me desconcertar o bastante e, ao mesmo tempo, me deixar confortável para ir e vir. Era tudo que eu precisava para me olhar sem medo. 
Obrigada Amor por me dar o espaço e a aproximação necessárias de acordo com o que eu precisei este ano. Seu timing foi impecável e sua companhia mais que necessária. Eu te amo muito!
Obrigada Sis pelo apoio incondicional e sempre presente. Pelo ouvido silencioso, pelos abraços e as horas de séries, filmes e fofocas que eu tanto precisei quando me senti mais sozinha. Amo incondicionalmente!
Mamãe e Papai. Não poderia deixar de agradecer, vocês realmente são um misto de coisas e ainda temos muito o que crescer juntos. É mais difícil dizer que eu amo vocês do que pra qualquer outra pessoas, provavelmente, por causa de nossa relação dual, mas não tem como negar. Muito obrigada pelos puxões de orelha necessários e aqueles que eu nunca entendi o motivo. Muito obrigada pelo apoio, mesmo quando foi extremamente doloroso para vocês fazê-lo.
Em especial são vocês, que contribuiram para a minha paz interior em um dos momentos mais turbulentos da minha vida. A minha eterna gratidão. Que 2018 venha com todos os sorrisos que vocês me deram, mesmo sem saber.

Paula Arrais.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Suspiros no frio

O farfalhar das folhas denunciava o vento frio que chegava contando do inverno. Tempo de recolhimento. Os pássaros cantavam ao longe fazendo uma sinfonia que, mesmo assim era harmoniosa apesar de tudo. Sons, timbres, cores e intensidade se misturavam e davam uma música natural e agradável aos ouvidos. O gato na soleira da porta, dormia tranquilo, ignorando a presença dele. Ao longe, próximo ao bosque, ela brincava de girar e cair na grama gelada. Ele sorriu. Ela não viu. Estava muito ocupada rodopiando para ver seu hálito formando um círculo de fumaça ao seu redor. Era o que ela mais gostava de fazer nessa época, brincar de suspirar para ver sair fumaça, porque fumaça é calor, é sinal de vida pulsante, é sinal de sorrisos e olhares. Sinal de amor.
Ela sabia e ele também. O cachorro pulava ao redor soltando baforadas também ao redor dela para tirar-lhes gaitadas boas da risada alegre e descontraída que ela levava consigo. Amor. Amor. Amor. Suspiros no frio.
Paula Arrais

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...