domingo, 9 de março de 2025

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se misturar ao outro. Então, chegou a hora da carta que nunca fiz e de tudo que precisa ser dito. Em 2011 começamos a nos perder uma da outra. Aos poucos a distância foi aumentando, mas eu sei que o ponto de mudança foi ali. Porque? Não sei da sua parte e, por um tempo eu precisava saber, mas hoje se nada me for dito, não vai fazer diferença, porque meu amor por você é maior do que ue poderia imaginar. A vida por si só já é um mistério. Mas eu posso criar suposições e, dentro delas, está o seu papel na minha vida. A dinâmica de um relacionamento abusivo é o abafamento ou, até mesmo, a morte da autoestima e, coincidentemente, eu comecei o relacionamento que deu em divórcio em 2011. Nesta época, você era minha âncora, minha fortaleza, para onde eu me encaminhava sempre que precisava mergulhar em mim, na minha vida e no meu propósito. Você foi uma das minhas melhores amigas, para não dizer A melhor amiga e, de repente, no oceano que é a vida, eu não conseguia te encontrar mais. Marcávamos e desmarcávamos, eu tinha notícias de sua vinda a Goiânia, mas nossos encontros se tornaram escassos, raros e doía muito a saudade. Escutava alguém dizendo que isso não era amizade, mas eu deveria ter escutado que, na verdade, era a intenção de minar minhas seguranças e me fazer me sentir sozinha, porque como a Luna já dizia "se é só você sozinho, você não é uma ameaça". Isso, porque você esquece a força que tem. Então, hoje, olhando para trás eu entendi que eu precisava aprender a me amar sem precisar de alguém para fazer isso e você fazia isso por mim sem sabermos, porque eu acho que você,também, não sabia disso até ler isso. Hoje desconfio que seja isso: eu precisei aprender a me amar. E tendo aprendido um pouco sobre amor próprio, posso recebê-la novamente na minha vida com o coração leve, cheio de saudade e de histórias para ouvir e para contar. E você sentiu isso e voltou. Hoje eu posso te dizer que te amo de verdade: você não tem nada para me dar, eu não tenho nada para te dar, mas ainda assim estamos aqui, juntas, mesmo que distantes fisicamente. Hoje eu posso dizer que estou aqui para você para sempre. Não importa o tempo, não importa a distância, estamos a uma ligação, a uma mensagem, a uma curtida de distância. Não existem barreiras. Eu estou aqui e ponto. Dito isso, passo para a próxima etapa desta carta. Você, que sempre foi tão diferente de mim, que sempre amou se misturando ao outro me ensina sobre empatia, sobre sonhar junto, sobre brilhar junto. Você me ensina que o divertido é ter amigos tão diferentes quanto podemos ter para ampliar nossa mente e nosso mundo. Você, que me ensina que ações levam tempo de maturação e que é preciso conhecimento e entendimento profundo para tomar as melhores decisões. Você que me ensina que mudamos constantemente, que somos tomadas por fortes emoções e que podemos mudar nossas atitudes de acordo com elas, mas que podemos mudar de ideia de novo, se assim sentirmos que deve ser. Você me ensina que existe um momento para invadir e um momento para recuar. Você, que me ensina sobre limites e sobre comunicação efetiva. Você vai sempre ter em mim uma amiga, um porto seguro. Você, a Oliveira da relação tem uma capricorniana ao seu lado. Ambos temos a mesma simbologia: fortalecemos nossas raízes e bases para crescer com foco, determinação e perseverança. Que seu dia hoje seja repleto de amor, mensagens, abraços profundos e apertados, beijos e muita alegria! Eu te amo num infinito que não tem nome. To the moon and back é pouco para a imensidão que existe aqui dentro de mim para você. Obrigada por estar ao meu lado quando eu ainda não conseguia te receber. Obrigada por estar sempre aqui. Eu te amo muito!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

36 anos

Já fui tantas versões minhas nestes 36 anos, e venho observando mais transformações a caminho. De Marilyn Monroe a Sandy, me reinventei quantas vezes foram necessárias e continuo neste caminho de me refazer constantemente. Muitas coisas, pessoas, crenças e ideias entram e saem da minha vida frequentemente, mas algumas se mantém presentes, se atualizando junto a mim em um ciclo contínuo de cumplicidade, respeito e movimento. A vocês que sabem quem são, muito obrigada por toparem essa jornada comigo. Aos que chegam agora, sejam bem vindos. Aos que foram embora, desejo tudo de bom. Existem transformações, como a de uma semente se transformando em uma árvore, que requerem buracos profundos, terra, adubo e água. E isso eu aprendi desde cedo. Minha mãe chama isso de enfiar no caracol, eu chamo isso de olhar para dentro. Por hora é saber ler nas entrelinhas da vida que uma nova Paula está se forjando, nascendo da pesquisa no mestrado, dos cursos que venho fazendo, das relações pessoais e profissionais que estabeleço e, também, das que me despeço. Que esse meu Retorno Solar seja cheio de montanhas a desbravar, vales a descansar, águas a mergulhar e arte para expressar.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Homenagem a meus professores

Este ano, uma das lentes que eu mais tenho usado para olhar para dentro é a da Formação e da Pesquisa (Auto)Biográfica. Enquanto professora e pesquisadora, me vejo constantemente avaliando, recalculando rotas e crescendo o número de indagações e perguntas não respondidas que mantém meu contínuo estado de aprendiz. Como aluna, professora e pesquisadora, encontro fora de mim um espelho para olhar para dentro e me tornar a minha melhor versão pessoal e profissional. Hoje venho agradecer a todos os professores que passaram pela minha vida e dar um abraço textual naqueles que estão, quase que diariamente, lidando comigo tanto em sala de aula, quanto nos intervalos delas sendo espelho, tirando dúvidas e/ou escutando minhas angústias, anseios, projetos, sonhos e alegrias. Cada um de vocês, com suas características particulares e seus conhecimentos de canto, música e processos pedagógicos ativa, mesmo que inconscientemente, algo em mim de acordo com a característica de vocês e eu tenho a chance de enxergar minhas potencialidades e meus defeitos para escolher manter ou mudar a rota e direcionar melhor minhas escolhas e atitudes. Vocês me ensinam constantemente o que Paulo Freire já dizia: “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses quefazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo, educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade”. Começo, então, agradecendo você, Dani, que há anos está ao meu lado e vem assumindo funções variadas em minha vida a cada hora do dia. Você ilumina a área da saúde em minha vida, me ensina amorosamente a assumir minha individualidade e curar minhas inseguranças no processo de aprendizagem. Você me permite acessar minha autoconfiança na carreira de forma muito amorosa. Seu jeito de se relacionar com os outros e de lidar com a vida me ajudam a equilibrar minhas emoções. A maneira dinâmica e original de canalizar seus valores me ensinam a me expressar de forma livre, amorosa e irreverente. Sua missão de vida abraça o meu sol e me ajuda a brilhar. Alguns vão dizer que eu tenho sorte de ter em uma só pessoa uma amiga, professora e colega de trabalho. Mas a sorte é coisa do acaso e a gente acredita em energia e atração. Então, eu digo que é escolha. Obrigada por escolher vibrar na mesma frequência que eu escolho e fazer dos meus dias mais leves. Eu te amo muito!! Junto a você, em sala de aula, tenho a melhor correpetidora que eu poderia ter. Ana Melissa, você me ensina sobre a minha capacidade de perseverar e investir tempo e energia de forma intuitiva e original. Com a sua comunicação objetiva e direta você me ajuda a encontrar meu brilho interno. Com sua forma irreverente de ser, você ajuda a aceitar meu jeito peculiar de me expressar. Obrigada por aceitar encaixar seu horário no meu, sua correpetição me ajuda a dar forma à artista que há em mim. Jéssica, você põe um holofote na minha forma de me comunicar e, com isso, me ajuda a deixá-la mais legítima. Sua maneira de se colocar no mundo me ajuda a lidar com minhas emoções e seu conhecimento profundo de si e de suas feridas me ensinam a fortalecer minha identidade profissional. Obrigada por trazer transformações profundas na minha vida pessoal e em minha carreira. Sem você, esse mestrado não seria o mesmo. Ian, você traz luz para minha saúde e meu trabalho. Se conhecimento profundo do não dito me ajuda a me apresentar para o mundo com mais presença e a honrar meu poder de transformação e regeneração pessoal. Sua atitude e maneira de se expressar me norteiam nos meus processos criativos. Você me ajuda de forma sensível e intuitiva a canalizar e estruturar meu lado artístico, me instigando a manifestar minha identidade, autoexpressão e necessidades por meio de ações precisas e deliberadas. Muito obrigada pela sua amizade e profissionalismo e por me dar espaço para me tornar a minha melhor versão. Mauro, suas ações, conhecimento profundo do científico e imagem irreverente evocam em mim um sentimento de segurança que coopera no meu equilíbrio emocional e em uma comunicação autêntica e livre. Sua expressão autoconfiante e firme e sua interação impulsora me ajudam a acessar conhecimentos profundos por meio da experiência e do sensível. Obrigada por tanta generosidade, gentileza, sutileza e disponibilidade. Espero poder mantê-los, de alguma forma, ao meu lado com o passar do anos. Vocês têm passe livre na minha vida e eu sou e serei eternamente grata por tudo que vocês me proporcionam. Vocês são, para mim, referência do que é ocupar essa função com respeito, ética, conhecimento, sensibilidade e humildade. Feliz dia!

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Eu posto porque sou artista

Lembro como se fosse ontem meus primeiros contatos com os espaços online. A internet surgiu como uma forma de armazenamento de dados e informações sem que ocorresse o risco destes dados se perderem. Uma grande biblioteca virtual. Enquanto adolescente, encontrei nestes espaços um lugar para expressão, um lugar de arte e, ainda hoje, esses são os dois motivos para eu utilizar a internet: repositorório de informações e de arte. Mas por algum motivo, a internet passou a ser um lugar de marketing, principalmente nos ultimos anos, o que me fez afastar um pouco das postagens que eu tanto gostava de fazer. Sim, eu gosto de tirar fotos, escrever e fazer postagens. Faço isso desde muito nova, quando ainda era brega fazer isso. Quando era possível escutar pessoas dizendo "você tem um blog? Não conte isso pra ninguém, isso é vergonhoso". Aos poucos, as redes sociais passaram a se tornar interessantes aos olhos da comunidade e, de repente me vi fugindo de postagens pensando "nossa, podia postar isso. Ah, quer saber, nem vou, vai parecer autopromoção e a mensagem vai se perder". Comecei a me perguntar o que aconteceu comigo, com aquela pessoa que gostava tanto de postar, de escolher a imagens, escrever, montar arte. O que havia mudado nos últimos anos? E me bateu forte a resposta: não quero ser um produto na vitrine. Eu escrevo para construir pontes, dar abraços, deixar bilhetes e cartas por debaixo da porta. Eu fotografo para pegar a luz, o contorno pontual e ser levada para aquela cena novamente quando sentir necessidade. Eu posto porque precisa sair de mim, preciso comunicar toda a vida contida em meu imaginário, fazendo com que símbolos, sons e palavras atravessem o público que ali estiver. O mesmo aconteceu com a música, com o canto. Eu canto para fazer minha voz ser escutada. Canto para soar as palavras que se inscrevem em mim, me escrevem e me fazem a artista que sou. Cantarolo sons que são tão profundos que uma palavra não conseguiria dar conta de todo o simbólico que o momento carrega. Eu danço para que aquilo que não pode ser dito em palavras, que não pode ser cantarolado, mas que está inscrito em meu corpo seja expresso por movimentos. A arte está inscrita em mim e, como toda arte, precisa ser levada à publico, precisa de um lugar para urrar em sons, movimentos e palavras sua verdade única e penetrável por meio de sensibilidade estética. Então, eu sigo, junto à maré social, buscando trazer conteúdo porque a comunicaçao digital faz parte da minha forma de expressão e de quem eu sou desde muito antes de ser algo necessário no mercado. Abraço as inseguranças e desconfortos que uma rede social com interesses mercadológicos pode causar e permito-me estar em evidência para aqueles que forem atraídos até mim.

sábado, 6 de janeiro de 2024

Dia 06/01 - Dia dos astrólogo

Dia 06/01. Dia dos astrólogo. Esse dia não foi à toa. Em 1978 Bóris Cristoff, astrólogo Uruguaio oficializou a data para homenagear os 3 Reis Magos. Sim. Hoje é dia deles também. Relatos históricos contam que eles eram sacerdotes (daí o nome de magos) que se dedicavam ao estudo da Astrologia e Astronomia. Além disso, muitos astronomos consideram que a Estrela de Belém foi um grande fenômeno astronomico e os astrologistas entendem que esse fenômeno carregou também simbolismos astrológicos. Eu, astróloga que sou não poderia deixar de comemorar esse dia. Desde a puberdade tive contato com a astrologia e sempre me interessei por estudos energéticos, mas só depois de muitos anos me permiti aprofundar nesse conhecimento ancestral. Foi em 2021, depois de uma aula de FengShui que percebi que seria interessante estudar a astrologia. Claro, que a priori, eu fui atrás de conhecimentos da astrologia chinesa, já que o FengShui é de lá. Mas então, eu pensei "não sou chinesa, porque não começar da minha própria cultura? Não sei praticamente nada da astrologia que praticam por aqui". Foi aí que conheci minha primeira professora de astrologia que nos instagram se chama @Fernada.astro. Ela foi essencial na minha base e ainda hoje, eu assino as previsões diárias sobre o céu. Eu usava a astrologia apenas pra mim nessa fase, mas comecei a perceber os benefícios e passei a aplicar nos meu alunos de canto. A partir daí entendi que precisava ir mais fundo e estudar mais e comprei a mentoria de astrologia terapeutica com a minha mentora astrológica da vida a Tatiana Simpson que tem o perfil @sol.na.10 no instagram. Depois fui fazendo inúmeros cursos com outros colegas e participando de vários eventos para estudar astrologia. Já são 2 anos de profissão, atendendo não só alunos, mas também qualquer pessoa que esteja buscando um guia que aponte os caminhos energéticos. Eu só tenho a agradecer a tudo que me foi passado e a todas as astrólogas maravilhosas que entraram em minha vida. Sim, foram apenas mulheres (daí a imagem remeter aos Reis Magos, mas serem todas mulheres). Hoje eu tenho um clã de astrólogas e bruxas com quem posso trocar muito conhecimento e me fortalecer enquanto pessoa, mulher e profissional. Feliz dia ao meu clã. Obrigada por existirem e seguirem comigo!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Clichê

Como não acreditar em clichês, quando eu sou fruto dele?

Filha do amor, isso é tudo que eu posso me tornar. Não adianta tentar esconder ou fugir da verdade nefasta que sou. Quanto mais fujo do amor, mais eu me perco de mim mesma.

É curioso como algumas pessoas entendem o amor como algo sério, duro e difícil. E talvez seja se você busca esse amor como uma forma de garantia de sua felicidade. A questão é que o amor não é garantia de felicidade. O amor é um ato que nasce do servir. Mas não o servir capitalista de fazer algo para receber em troca. Este ato de servir deve ser puro, sem segundas intenções. Você intui a importância de uma ação e age servindo, entregando seu melhor, porque é necessário.

Muitas vezes o amor é confundido com sentimento, porque junto da intuição e da ação vem uma paz e uma alegria, que misturadas, trazem um sentimento inexplicável que para cada pessoa terá uma cor, um cheiro, uma sensação e uma lembrança diferentes, que combinados trazem emoções e sentimentos à tona.

O grande desafio é enfrentar as barreiras do narcisismo para intuir as necessidades do outro e agir sem ferir as nossas próprias necessidades. Saber amar é uma arte, exige olhar para dentro e para fora ao mesmo tempo. Exige silêncio, prática, escuta, entrega, intuição, criatividade, voz. Exige tudo que a sociedade costuma rejeitar. Exige tudo que o olhar para si mesmo requer.

Essa é a beleza e a sutileza do amor. O desafio constante e ininterrupto de ações práticas de compaixão e respeito. O mundo carece de amor. O mundo esqueceu como se faz para amar. E aqui estou eu resistindo, buscando diferentes caminhos, novos e antigos para encontrar formas de levar amor em lugares que têm tantas barreiras que chega ser difícil ver o céu ou o horizonte.

Inúmeras vezes retrocedo para respirar, me reencontrar e, então, sigo novamente meu caminho na esperança de encontrar a brecha no muro para levar amor nestes lugares onde o amor foi esquecido. Faço, nessas horas, uma oração silenciosa: "Que eu me lembre de quem eu sou. Que meus ancestrais me acompanhem e que meus medos sejam impulsos para o amor que carrego dentro de mim. Que eu seja o clichê que o mundo precisa".

Paula Arrais

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Carta a quem sentir o ímpeto de ler

 Mais um ano, mais um retorno solar. Curiosamente, enquanto ciclos se movimentam para o encerramento dando espaço para inícios em minha vida, o mesmo acontece no céu. Nunca foi tão claro a frase "assim na terra como no céu". No meu caso, assuntos de família, carreira, comunicação e trânsitos tem sido altamente revisados, ressignificados e reconstruídos. Com uma renovação ambas literal e metafórica do meu coração, neste mercúrio retrógrado que veio trabalhando a mesma energia do ciclo de encerramento de plutão, pude observar como este movimento de mudança vem acontecendo em minha própria vida e acolhê-lo com amor.

Costumo dizer que sou casada comigo desde que nasci. Faço hoje 34 anos e curiosamente, as bodas de 34 levam o símbolo da Oliveira. Como leitora ávida do simbólico, não poderia deixar de trazer aqui o que isso representa: Perseverança, pois ao ser cortada ou queimada, a oliveira brota a partir das raízes. Hoje faz literalmente 2 semanas que passei pela cirurgia de ablação no coração. Eu fui literalmente cortada e queimada e pela primeira vez me senti com uma disposição que não me lembro ter tido em toda a minha vida. Me sinto mais conectada, também, com as minhas raízes.

Aos poucos vou renascendo e brotando, cada vez mais forte e consciente do meu lugar no mundo. Minha voz vai tomando espaço e meu abraço mais genuíno. Que neste ano eu possa levar toda a paz, tranquilidade, harmonia e perseverança que a Oliveira representa a todos que cruzarem meu caminho.

Gratidão a todos que já fazem parte do meu caminho e que me dão o amor que eu preciso para que eu possa espalhá-lo à minha volta.

Com amor,
Paula Arrais

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Somos todos humanos

O mundo precisa de amor, pessoas precisam de amor. Onde há ódio há pedido de socorro, pedido de ser amado, de ser escutado, de ser visto, respeitado. Vi mudanças surpreendentes com o simples ato de amar. Vi feras se tornarem dóceis, vi olhares sanguinários se tornarem carinhosos. 

É tão absurdo pensar que todos os atos costumam ter um sentido por trás. Alguns atos, pensamentos e movimentos parecem tão desconectos que fica difícil encontrar o sentido. Mas se a gente vasculha a gente encontra. Esse sempre foi um dos maiores desafios pra mim: deixar de vasculhar. Como condenar alguém pelo seu sofrimento? Como ignorar a dor de uma pessoa?

Não se trata do motivo em si, mas de entender o que está por trás do motivo. Qual é a dor que me move? Qual é a dor que te move? O que temos em comum? O que nos instiga a fazer uma escolha em detrimento da outra?

No final das contas,  por mais que viver em sociedade faça com que todo ato seja político, nada é político, porque somos humanos. E como humanos, todo ato é pessoal. Então, eu pergunto de novo: qual a sua dor pessoal que te move em direção a um ato (qualquer que seja ele) escolhido?

Ignorar essa dor é se manter no caminho da intolerância. E por mais que aquele velho ditado diga apenas que ficaremos cegos, ouso alterar o ditado: Olho por olho e sangraremos até a morte... a verdade é que mesmo que nem todas as pessoas fiquem cegas não haverá pessoas suficientes para socorrer.

Olhemos ao redor: relações familiares e de amigos acabando por causa de política; consultórios, clínicas e hospitais lotados. Termos médicos, psiquiátricos, psicológicos e tantas outras áreas da saúde  surgindo a cada respiração que damos.

O mundo precisa de cura. Nós, humanos, precisamos de cura. E a cura está no amor, no respeito ao próximo, na tolerância, no olhar para nossas próprias feridas. Que possamos olhar para dentro de nós mesmos e do outro e lembrar que somos todos humanos. 


Paula Arrais

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Honrar o palco

Outro dia minha aluna usou uma expressão que ficou ecoando em minha mente: "Honrar o palco". E me fez pensar como eu honro o palco. Nunca tinha parado para pensar que a minha ação com o palco sempre foi essa: ter o privilégio de elevar meu público.

Nunca estive no palco para receber aplauso, mas para ver os olhos do meu público brilhar, fazer a diferença, ser útil e necessária. De nada me importa elogios vazios ou me tornar famosa ou ser a melhor. Me importa fazer o público se apaixonar, sorrir, chorar, se emocionar, se elevar.

Essa é a minha função: transformar vida, sentimentos e pontos de vista. Para que eu faça essa alquimia preciso da minha voz, da música, do palco. Eu honro o palco e honrei tantas vezes sem nem saber. Honrei com voz, com sangue, com luta com performances e personagens diversos que me ensinaram tanto sobre mim e sobre a vida.

Eu honro o palco, seu cheiro, o toque do chão nos pés, a luz que me acolhe, as coxias que me abraçam antes e depois de entrar em cena, cada pedacinho dos bastidores e a vastidão do céu metálico que cobre nossas cabeças no palco. Honro a cortina que se abre e fecha e o público que me recebe. Como eu honro!


Paula Arrais

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Sobre harmonia



Outro dia escutei os pássaros cantando na porta de minha sacada. Fiquei a me deleitar e então percebi que todos, cada um com seu timbre, cantavam na mesma tonalidade. Foi uma aula linda sobre harmonia. Harmonia é isso: conexão. Se estamos alinhados com nosso propósito as coisas se conectam, se harmonizam, se ajeitam.

Esse é o meu propósito na música: conectar e harmonizar por meio da minha voz, das minhas aulas e das minhas artes. Se você me escutou cantando é porque algo ali era pra você, assim como para todos que estavam envolvidos no processo. O que temos a aprender com isso? Cada um vai descobrir na sua individualidade a sua própria relação com o todo. Nem sempre fica claro e, muitas vezes, demora para descobrirmos, mas com o passar do tempo e de muito olhar para dentro a gente compreende.

Que a minha voz, o meu canto, a minha arte e a forma como eu ensino e passo meu conhecimento se harmonize com o todo e possa tocar o coração daqueles que precisam, independente do que seja. E a pergunta que sempre fica é: o que eu posso aprender com isso?


Paula Arrais

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Uma reflexão sobre a "Cultura do cancelamento"

Hoje parei para observar como nós enquanto sociedade estamos frágeis, expostos e instáveis. Uma onda de cancelamentos vem acontecendo em todas as esferas de nossa vida. Não que o cancelamento já não existisse, mas hoje ele está mais escancarado. A pergunta que ficou ecoando na minha cabeça hoje ao abrir os posts do Cotidiano.dela é: "porque deixamos chegar ao ponto de cancelar?" Porque não enxergamos antes? Será que está faltando olhar para dentro e entender nossas posições ou olhar para o outro? Será que estamos justificando demais as atitudes de alguns porque valorizamos coisas que não devíamos valorizar e acabamos por não enxergar os sinais? Será que estamos passsando pano e justificando atitudes porque sentimos que já estivemos no mesmo lugar e nos justificamos ao justificar o outro? Será egoísmo de não assumir a responsabilidade dos próprios erros e assim, justificamos erros dos outros para aliviar os nossos? Estamos assumindo as consequências de nossos próprios atos? Qual a nossa responsabilidade no caminho antes do cancelar? Como chegamos no cancelamento? Porque para cancelar, é preciso ter ativado antes. É preciso ter seguido antes, é preciso ter comprado a ideia, é preciso ter assinado embaixo em algum momento. Onde erramos no caminho? Onde passamos o pano? Onde eu deixei de ter responsabilidade e por isso projetei no outro? 

Isso vale também para avaliar o cancelar e aí depois os descancelar e cancelar de novo e descancelar de novo e de novo e de novo. Um ciclo vicioso de "é bonzinho", "não é bonzinho". Somos todos bons e maus em algum momento. "Ai, não era eu...". Era você, mas uma parte sua que não soube lidar melhor com aquela situação e está tudo "certo". Era o outro, mas uma parte dele não soube lidar e está tudo "certo" também. Somos todos humanos e a humanidade implica em erros e acertos, implica em aprendizagem constante. E muitas vezes será preciso repensar rotas, mas o cancelar implica um compromisso antes. E a minha pergunta fica: porque estamos fazendo compromisso com algo ou alguém que ainda não ficou tempo suficiente para fazermos escolhas saudáveis e com pé no chão? Essas avaliações são importantes para não cancelarmos e depois descancelarmos ou ainda, para não precisarmos cancelar sem necessidade. 

Essa é a maior das questões que tenho me feito há alguns anos e que vem mudando minha forma de conviver com as pessoas ao meu redor. Que vem respaldando minhas escolhas e minhas mudanças de caminho. Olhar para dentro e para o outro. Compreender e não julgar, mas também procurar não respaldar atitudes que não são legais nem assumir compromissos antes de se ter um quadro mais amplo de toda a situação. Assumir os erros e acertos, arcar com as consequências e acima de tudo, fazer escolhas mais saudáveis, sustentáveis e éticas para mim e para o próximo. Que sejamos amor e soma.

Paula Arrais

sábado, 30 de janeiro de 2021

Homenagem a Lipe


E ontem você partiu. Deixando uma vida linda e repleta de ensinamentos. Você na sua pequenez me ensinou sobre paciência, sobre aceitação, amor incondicional, respeito, resiliência e alegria de viver. Você que esteve presente na minha vida com força total, foi meu escudo da dor, meu companheiro de todas as horas, me fez rir quando não sentia ser possível e me ensinou a ver beleza nos dias mais difíceis. Você, que amava fugir de casa para correr pelas ruas, que amava uma brincadeira e era o terror dos guardas do condomínio que ligavam pedindo ajuda para pegar o cachorro que dava "hola" em todo mundo só pela diversão do pique-pega. Você que amava um cafuné e ficava horas deitado no colo (só por ficar), mesmo naqueles dias que estava super calor. Você que amava lamber e dentre os vários apelidos, recebeu o apelido de lambe-lambe.
Obrigada por me dar a oportunidade de cuidar de você e ter uma vida compartilhada com você. A saudade será eterna aqui, mas com a certeza de que nada nem nenhum momento foi desperdiçado. Eu te amo muito. A bolinha de pelo agora se tornou uma bolinha de luz que vai sempre me guiar. Tudo que me resta agora é distribuir todo o amor que era destinado a você a tantos outros lugares que me sejam requisitados. Que eu possa retribuir o amor que você me deu pelo mundo afora. 


Paula Arrais

terça-feira, 10 de março de 2020

E o laço que não se desfaz é tudo que me resta

Sem tempo para pensar em você, para sentir o que não para de vir à tona. A falta que você me faz. Sento e preciso escrever para tirar tudo isso e ver se passa um pouco essa angústia, esse aperto, essa falta que você faz. Tanta coisa para resolver, mas sua ausência me faz doída. Queria poder dividir tudo com você, te contar meu dia e saber do seu. Quando finalmente estou pronta, você já foi e talvez nunca volte. Escolhas, minha antes, sua depois. Escolhas nossas. Inteira estou, forte estou e aquela música ao longe continua tocando como se fosse para ser. E você no mar e eu no ar. A única pessoa que nunca pensei em dividir, a única pessoa que me dói dividir. A única pessoa que não é mais minha.E o laço não se desfaz... Será que desfaz algum dia? Paciência. É tudo que me resta.


Paula Arrais.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Feliz 2020

Último dia do ano e só tenho a agradecer pelo ano que passou. De tantos acontecimentos pude aprender muito em todos os aspectos de minha vida. Como profissional, foi um ano um tanto quanto peculiar e desafiador já que assumi posições que eu não sabia estar preparada, mas topei o desafio e foi gratificante descobrir que eu posso e devo apertar um pouco as rédeas para ser a melhor profissional que eu puder ser. No campo dos estudos, descobri que limites, antes bastante claros e difíceis de ultrapassar, ganharam outra dimensão e me mostraram meu crescimento. Crescimento que eu duvidava ser possível. Outra lição valiosa. No pessoal, só tenho a agradecer as pessoas que se mantiveram ao meu lado, àqueles que fizeram parte em momentos pontuais, àqueles que se foram, mas deixaram lições incríveis e àqueles que estão sempre lá. Vocês me ensinaram um pouquinho mais sobre respeito, amor, amizade, família, companheirismo, garra, coragem, dentre outras coisas extremamente valiosas para meu crescimento como pessoa. Deixo 2019 com muita gratidão por cada pessoa que dividiu um pouco de seu tempo comigo e por cada circunstância que me fez o que sou hoje. Que 2020 venha com muita alegria!

Paula Arrais

sábado, 4 de maio de 2019

Sobre ver a amiga feliz no altar

Eu observava seu sorriso largo de longe. Sua alegria transbordante nos olhos, no rosto, no corpo inteiro. Lembrei de anos atrás, quando juntas passávamos horas brincando, rindo e conversando. Tanto tempo se passou. Tanta coisa mudou. Nós mudamos, mas o carinho continua o mesmo, a sensação de estar em casa continua a mesma. Que alegria poder ver sua alegria. Relembrando agora, nossa conexão sempre foi muito profunda. Talvez por isso, nossa amizade nunca tenha se quebrado apesar de todos os arranhões e desgastes de tempo e distância. Mas nem isso muda o amor incondicional que eu tenho por você. Muito obrigada por ter me deixado participar de um momento tão lindo quanto o seu casamento. Eu te amo hoje e sempre!


Paula Arrais.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ano Novo Pessoal: uma associação livre

Dizem que temos dois anos novos. O ano novo para todos, a virada de ano global e a virada de ano do próprio aniversário. No meu caso, meu ano novo pessoal é hoje. Dia 17 de janeiro. E a primeira coisa que decidi fazer é escrever.
Escrever porque faz parte de mim. Olhar pra mim, entrar em contato comigo implica em uma escrita posterior. Não sei explicar o porque, só sei dizer que é assim. Eu sou levada a escrever assim como sou levada a ler, a ouvir música, a assistir um filme, a olhar uma obra de arte. Foi assim desde sempre e só não é quando está muito difícil de lidar. Escrever é como dançar e cantar, passa pelo reconhecimento, depois tem que passar pelo corpo, pela boca, pelas mãos. É um processo complexo e simples ao mesmo tempo. 
Contraditório, sim. Mas somos contraditórios por natureza. Não é sem razão que Freud traz as pulsões à tona. Somos sujeitos contraditórios lá no fundo. Evitamos trazer isso à tona para não incomodar a razão.
Contradição. Com tradição. Com tradução. Conotação. Somos feitos de contexto, de linguagem, de cultura. Precisamos do outro pra viver, mesmo que nos adoeçamos pelo contato com o outro. Vivemos em comunidade e o nosso maior desafio é conviver. Viver com o outro em vez de para o outro. Esse é o maior desafio. Olhar para o outro desejando isso ou aquilo, mas deixá-lo ser.
Esse é o meu desafio esse ano novo que se inicia, viver para mim com o outro e permitir que o outro viva para ele comigo. Esse é o maior desafio e ele se estende em todas as direções. Com a família, os amigos, os relacionamentos amorosos. Se estou pronta? Não. Mas a verdade é que ninguém está pronto até que aconteça. Que meus caminhos neste 2018, ano de escorpião sejam cheios de amor. Que a minha gratidão se estenda a todos aqueles que cruzarem meu caminho. Que o ano da Fênix me traga sua renovação e humildade. Que eu me conduza da melhor forma. May the force be with me always. Namastê.
Paula Arrais

sábado, 30 de dezembro de 2017

Precisava agradecer.

Alguém, em algum momento da minha vida, me disse que a gente só escreve depois de amadurecida uma ideia. Que para a ideia começar a surgir no papel é preciso investimento naquela ideia. Ela não aparece do nada. Sempre concordei com isso, mas acho que nunca a compreendi de fato. Foi apenas hoje que o giro da chave se deu. É preciso incorporar a ideia antes, deixá-la entrar por todos os poros, transbordar na mente e no corpo. Talvez seja por isso que tenho tentado escrever sobre qualquer coisa e não surtia efeito: a ideia ainda estava adormecida, eu estava em processo. Só agora, de madrugada, consigo pôr os pensamentos em ordem coerente suficiente para escrever. Que saudade. E com ela vem uma sensação de deja vu ao me deparar com momentos de uma Rosy Delusion (ilusão otimista) tão bem descrita  por Rachel Hulin em sua prévia do livro Hey Harry, Hey Matilda. E é com essa sensação que dou um sorriso e agradeço tudo que me aconteceu até hoje em minha vida.
Agradeço pelas pessoas que estiveram em minha vida por curtos períodos, que me ensinaram, me deram o suporte e me permitiram ser quem eu precisava à época. Algumas eu percebi de cara a importância, outras me deixaram dores e só depois da ferida cicatrizada pude compreender a importância que tiveram para meu crescimento. Outras ainda, desconfio da importância pelas lições que tive, mas ainda não descobri qual foi o papel que tiveram; o que me faz refletir o quanto ainda preciso amadurecer.
Agradeço ainda àquelas que ficaram. Algumas vão e voltam com frequência e espero que se mantenham em minha vida, mesmo nesse vai e vem desenfreado, porque amo muito e lamentaria muito colocá-las na lista das que se foram, pois a saudade sempre bate. Aquelas que estão sempre aqui são, muitas vezes, as que eu esqueço de dizer com frequência o quanto eu amo, porque elas provavelmente sabem. Tenho mudado isso, ou pelo menos tentado. O medo de se comprometer assim fica menor com a prática e posso dizer com firmeza que esse medo quase não existe mais com a maioria das pessoas.
Existe um grupo um tanto quanto peculiar que é o grupo das pessoas recentes em minha vida. Aquelas que entraram a pouco tempo em minha vida, mas que eu gostaria de tê-las ao meu lado permanentemente. Por essas pessoas sou grata também. Com certeza fizeram toda a diferença em minha vida, de alguma forma.
Minha gratidão eterna por tudo que fizeram por mim, quer vocês saibam o que fizeram ou não. Quer eu saiba ou não. O fato é que eu só pude estar hoje onde e como estou devido à todos vocês e às reflexões que me levaram a este texto hoje. 31/12/2017. Último dia do ano. Último dia antes de um ano novo.
O que nos espera neste novo ano, quem sabe? A única coisa que sei é que algo em mim mudou nesta madrugada, algo em mim estalou o suficiente para eu conseguir escrever isso que eu tentei escrever durante uma semana e, simplesmente, não saía. Não estava pronto, não tinha transbordado.

Obrigada Caio. Você se torna a primeira pessoa da lista de agradecimentos, já que foi quem desencadeou todo um movimento de reflexão que eu não tinha conseguido fazer desde meu divórcio ao dizer a frase que ecoou em meus ouvidos todos os dias depois que eu a ouvi (com algumas alterações de palavreado, mas o sentido é o mesmo): "não é minha primeira opção, mas de que adianta ficar de braços cruzados?". Muito obrigada por me deixar sem graça o suficiente para que eu me permitisse a leveza que eu precisava reencontrar e simplesmente não conseguia.  a me desconcertar o bastante e, ao mesmo tempo, me deixar confortável para ir e vir. Era tudo que eu precisava para me olhar sem medo. 
Obrigada Amor por me dar o espaço e a aproximação necessárias de acordo com o que eu precisei este ano. Seu timing foi impecável e sua companhia mais que necessária. Eu te amo muito!
Obrigada Sis pelo apoio incondicional e sempre presente. Pelo ouvido silencioso, pelos abraços e as horas de séries, filmes e fofocas que eu tanto precisei quando me senti mais sozinha. Amo incondicionalmente!
Mamãe e Papai. Não poderia deixar de agradecer, vocês realmente são um misto de coisas e ainda temos muito o que crescer juntos. É mais difícil dizer que eu amo vocês do que pra qualquer outra pessoas, provavelmente, por causa de nossa relação dual, mas não tem como negar. Muito obrigada pelos puxões de orelha necessários e aqueles que eu nunca entendi o motivo. Muito obrigada pelo apoio, mesmo quando foi extremamente doloroso para vocês fazê-lo.
Em especial são vocês, que contribuiram para a minha paz interior em um dos momentos mais turbulentos da minha vida. A minha eterna gratidão. Que 2018 venha com todos os sorrisos que vocês me deram, mesmo sem saber.

Paula Arrais.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Suspiros no frio

O farfalhar das folhas denunciava o vento frio que chegava contando do inverno. Tempo de recolhimento. Os pássaros cantavam ao longe fazendo uma sinfonia que, mesmo assim era harmoniosa apesar de tudo. Sons, timbres, cores e intensidade se misturavam e davam uma música natural e agradável aos ouvidos. O gato na soleira da porta, dormia tranquilo, ignorando a presença dele. Ao longe, próximo ao bosque, ela brincava de girar e cair na grama gelada. Ele sorriu. Ela não viu. Estava muito ocupada rodopiando para ver seu hálito formando um círculo de fumaça ao seu redor. Era o que ela mais gostava de fazer nessa época, brincar de suspirar para ver sair fumaça, porque fumaça é calor, é sinal de vida pulsante, é sinal de sorrisos e olhares. Sinal de amor.
Ela sabia e ele também. O cachorro pulava ao redor soltando baforadas também ao redor dela para tirar-lhes gaitadas boas da risada alegre e descontraída que ela levava consigo. Amor. Amor. Amor. Suspiros no frio.
Paula Arrais

domingo, 7 de maio de 2017

Oportunidades

Em meio a luz, cores, sons, sorrisos, olhares, toques e palavras a vida tomava forma. As cortinas se abriam para um mundo outro que trazia consigo a verdade de cada um ali presente. Escondidas pelos cantos dos olhos, essas verdades se faziam presente nos movimentos, marcavam presença nas palavras recitadas, oculpavam espaço nas colchias e no palco.
Melodias inteiras tocadas enchiam o coração, as vozes e os movimentos. Faziam parte dela de uma forma que jamais poderia explicar. Estava onde deveria estar, em casa e sonhando com momentos futuros. Que mundo lindo. Mundo dela. E o sorriso abriu seu rosto, dando o acalento de dias vindouros.
Quer isso, sempre. Quer o palco, as colchias, os ensaios, as luzes. Quer script, partitura, maquiagem e figurino. Quer trocas, sorrisos, olhares, sons e cores. Quer ser mais do que hoje e buscar sempre se superar. Quer força e coragem e, acima de tudo, oportunidades.



Paula Arrais

Beijar

Ela andava com seu vestido verde, refletido no fundo de seus olhos. O brilho deles denunciava toda aquela vontade. Desejo ardente. Falava gesticulando para ver se a ansiedade esvaía de seu corpo; se o tremor no corpo passava. Não era frio, era energia pulsando, vibrando, querendo sair. Olhava de esguelha pra ele. Qualquer movimento brusco denunciaria seu nervosismo. E ela, sempre tão segura de si, não deixaria ele ver que ele era sua fraqueza. Sentaram naquele mesmo lugar de tempos atrás e, de repente, o silêncio os consumiu, a consumiu. 
Tudo que restava era aproveitar a oportunidade que surgiu. Brincou com um graveto como quem não quer nada. Sabia que ele a olhava. Chegou mais perto. Fez um comentário qualquer. Chegou mais perto. O desejo ardia em seu peito, fazia as mãos tremerem e as borboletas em seu estômago baterem as asas o mais rápido possível, no ritmo que também batia seu coração. Rápido. Cortante. Roubou o beijo. O beijo tão prometido. Mordeu seus lábios, porque podia. Era o beijo deles e beijo sem mordida não tem desejo. Desejo de algo mais. Desejo de mãos que soltam seu laço para acariciar o corpo. Descer e subir. Brincar com a pele. Acariciar, apertar, fazer sair gemido. Beijar.


Paula Arrais

Carta a Amandinha

E hoje é seu dia e venho pensando em nós por muito tempo. Fiquei rindo: é seu dia e vou falar de nós? Sim, porque eu sei que amar é se mistu...