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Suspiros no frio

O farfalhar das folhas denunciava o vento frio que chegava contando do inverno. Tempo de recolhimento. Os pássaros cantavam ao longe fazendo uma sinfonia que, mesmo assim era harmoniosa apesar de tudo. Sons, timbres, cores e intensidade se misturavam e davam uma música natural e agradável aos ouvidos. O gato na soleira da porta, dormia tranquilo, ignorando a presença dele. Ao longe, próximo ao bosque, ela brincava de girar e cair na grama gelada. Ele sorriu. Ela não viu. Estava muito ocupada rodopiando para ver seu hálito formando um círculo de fumaça ao seu redor. Era o que ela mais gostava de fazer nessa época, brincar de suspirar para ver sair fumaça, porque fumaça é calor, é sinal de vida pulsante, é sinal de sorrisos e olhares. Sinal de amor.
Ela sabia e ele também. O cachorro pulava ao redor soltando baforadas também ao redor dela para tirar-lhes gaitadas boas da risada alegre e descontraída que ela levava consigo. Amor. Amor. Amor. Suspiros no frio.
Paula Arrais

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Paula Arrais

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