quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A última palavra do ano escrita em história

"O amor é conivente com a esperança porque conhece a fé que o faz alcançar."
Autor desconhecido


Com o tempo foi-se acostumando com as roupas mal lavadas, o cheiro de mofo, as paredes lascadas de sua própria alma. Já não acreditava que podia ser diferente, melhor. Passava todos os dias sonhando. Só sonhando, porque planos realizados são vida e vida era o que não se acreditava mais, a muito tempo. Olhou para o relógio marcando a mesma hora havia anos, não consertava, não jogava fora. "Deixe-o aí, é mais cômodo" pensava. E era mesmo. Só que não tinha mais graça a vida, até porque não era vida, mas morte antes da morte. Começou a mudar tudo de lugar, jogar fora o que lhe era inútil. Deu no que deu, tudo novo. Não gostou no começo, tinha que reacostumar com o lugar dos móveis, com tudo diferente. Percebeu então que aquilo a mudara, ela se encontrava viva novamente. O sentimento que pairava no ar, antes tão menosprezado e sem perspectiva trouxe a esperança de muito tempo atrás. Estava empoeirada dentro de um baú escondido no porão. Anos antes prometera jamais amar outra vez e com isso, a esperança foi aprisionada cruelmente. Hoje ela se libertava e cobria o vazio imensurável e a tristeza deixou. Foi só então que percebeu que alguém ajudara a construir, alguém que não voltará nunca mais e não saberá jamais.
Paula Cristina.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Lembrança

Hoje é o dia da lembrança, e para fazer justiça a este dia nada melhor do que falar de lembrança. É a coisa mais linda, mais pura, mais gratificante que se tem. Logicamente dói muito às vezes, outras apenas o suficiente para se ficar pezaroso e outras ainda trazem felicidade, alegria e paz. Lembranças nos matém perto daqueles que amamos, que se foram de alguma forma, acalentam nossos corações e nos ensinam a seguir em frente, a enfrentar quando necessário e a largar quando não houver mais razão. A lembrança não deve ser tratada como uma forma de vida, mas como um complemento às vivências, aos sorrisos e às atitudes escolhidas. Lembrança é um reflexo do passado e o esboço do presente. Lembramos do que nos tornou o que somos e assim, a lembrança se torna doce, suave, amável e querida. A lembrança é a forma de amar a vida de uma forma construtiva, aprendendo, mudando, reciclando e revivendo, sempre de coração aberto, sorriso no rosto e esperança no coração.
Paula Cristina.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Sobre o desejo

O desejo se faz de forma fundamental no desenlaçar de histórias. Quando se deseja, trabalha-se para chegar ao desejo de forma árdua, mesmo que seja imperceptivo, inconscientemente. Tudo que se ama hoje, amanhã será a vida que se leva. Dessa forma, é de extrema importância conhecer-se, perceber-se, descobrir-se. Ao fazer isso, não só saberemos como seremos, mas também poderemos mudar o que não queremos nos tornar. O desejo não só faz parte do presente, mas também parte do futuro, parte de si, parte da parte que a vida lhe trará.
Paula Cristina.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Bastidores de natal

Está certo que hoje é dia de alegrias e coisa e tal, mas como não pensar furtivamente que daqui a algumas horas vai ser uma correria geral? Familiares implicando um com o outro, mudança de festas e blá blá blá. Já faz até parte do script, algumas frases ficam gravadas e parecem que nem o tom muda com os anos. Mas tudo bem, acostuma-se. Essa data é linda, e quando vejo essas nuances apenas sorrio, amanhã vai passar tudo e a comida e a bebida terão sido boas. Levanto da cama, me ponho a arrumar. Primeiro cabelo, depois maquiagem, depois o vestido. Pego os presentes e me ponho na sala de estar a esperar a festa de natal começar. E porque não desejar um feliz natal? O motivo da comemoração é meio esquivo, há controvérsias da verocidade do nascimento neste dia, mas ainda assim comemoração é sempre motivo de alguma coisa, mesmo que seja de mentirinha.
Paula Cristina.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Você não pode me escutar, mas mesmo assim eu conto

Seis anos se passaram desde que você se foi. O "Big" cresceu e está quase adulto. As festas de família continuam, assim como os terços, As dores do mundo são as mesmas daquela época, só mudam de nome e endereço. Continuo cantando e pretendo cantar para sempre, estou aprendendo violão e sei um pouquinho de nada. Sinto sua falta todos os dias, evito não pensar em você em tempos de crise, ainda machuca pensar na sua partida. Seu adeus foi tão repentino, não me deu tempo de processar a informação. Ainda me lembro das brincadeiras e da sua voz também. Eu cortei meu cabelo e acho que você amaria ver o resultado, agora deixei crescer de novo e ainda não tenho certeza se deixo assim ou corto mais uma vez, sua opinião nesse momento faria muita diferença. Continuo dançando como sempre dancei. A pequena Doc morreu, mas agora temos mais dois cachorros em casa, você iria amá-los. Gostaria de dizer que eu te amo, mas você não vai ouvir, então eu canto porque assim todo mundo ouve. Quisera eu que onde você está, tivesse algum meio de comunicação que não a oração, que ainda é um meio de uma mão só: você ouve, mas eu não recebo resposta. E enquanto não nos encontramos vou te mantendo informada com os pensamentos ativos em você. Meu sorriso se torna opaco, é difícil sorrir chorando.


Paula Cristina.

Estou cansada

Sim, estou cansada como a muito não ficava. Cansada de sorrir, de andar, até mesmo de falar. Estou cansada de pessoas dando voltas e voltas ao meu redor, tentando observar alguma coisa que não precisava. Estou cansada dessa loucura estampada na cara e dessa mania de fingir segurança. Estou cansada de me manter inteira para não ver pessoas aos surtos ao meu lado querendo dar uma de super herói. Estou cansada de olhares furtivos e cuidados excessivos e tudo que posso fazer é escrever aqui o que sinto.
Paula Crsitina.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Minha máscara de arrependimentos

Eu vou sentar contar a minha história e dizer que me arrependi de todos os meus erros, que arrependi de tudo que me aconteceu e de tudo que eu fiz, mas eu vou fazê-lo só para te agradar. Você vai me olhar com aquela cara de coitada e pensar "agora ela aprendeu a andar na linha" e eu vou abrir um sorriso e fingir ser verdade. Mas, na verdade, não me arrependi de nada, minhas dores me trouxeram onde estou, meus erros me ensinaram, minhas fraquezas me fortaleceram. Procuro não me recair naqueles erros, não porque me arrependo de tê-los feito, mas porque acho que passou da época, do sentimento, da sensação. Você pede para eu ser exemplo, mas nunca quis sê-lo e nem sei se vou querer algum dia. Mas mesmo assim, eu sorrio e concordo, é mais fácil desvencilhar de mancinho de suas teias traiçoeiras a bater de frente com um monstro invisível. Você hoje se orgulha do meu crescimento, eu me orgulho de tudo que fui e sou. E por essas e outras diferenças nunca seremos mais que meros conhecidos, você não percebe a beleza por dentro, você não vê a virtude nas crises.
Paula Cristina.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Eu quero

Eu quero subir em um palco e cantar as minhas músicas, que falam sobre o meu mundo e, ajudar as pessoas atráves de minhas composições, dos meus sentimentos, dos meus sons, das minhas coreografias, das minhas loucuras, das minhas paixões. Eu quero ter a minha história escrita em versos boêmios, já que estes versos são meus. Eu quero ter noites passadas em claro devido a apresentações. Eu quero uma história de amor, não precisa de grande estilo, mas uma história que lá na frente me dê o direito de dizer "eu amei e foi lindo". Eu quero uma amizade que ultrapassa barreiras, bem estilo "Thelma e Louis". Eu quero que nos momentos de surtos, por não saber o caminho até meus sonhos, não necessite escutar pessoas sussurrando aos cantos tentando resolver meu futuro por mim (o futuro é meu!...). Eu quero alguém que apesar de tudo, sempre me lembre que todos os momentos felizes que eu tive, de alguma forma envolveram meus sonhos e meus ideais e que, sendo assim, não me deixe desistir deles, não importa o quão desesperada eu esteja. Eu quero alguém que compreenda que todos os contatos que eu mantenho, são pessoas para as quais jamais conseguirei dar as costas, mesmo que tenham me ferido, porque passei a amá-las e respeitá-las antes mesmo de conhecê-las e isso é um mistério por si só. Eu quero, eu quero, eu quero e só por querer mesmo. Porque sem querer a vida fica sem graça.


Paula Cristina.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Passou-se o tempo

Como se eu tivesse tempo para cair nas suas graças e me deixar virar a cabeça por alguém como você. Passou-se o tempo que movia trancos e barrancos e achava que ser desejada era o mesmo que ser amada. Passou-se o tempo que mudava meus caminhos e mostrava que eu sabia o que na verdade não sabia. Passou-se o tempo que eu sorria pra você me abraçar e dizer que me ligava, mas nunca me ligar. Passou-se o tempo em que acreditava em todos os olhares, palavras doces e toques afrodisíacos. Passou-se o tempo em que minha inocência era pesada em balanças e jogada de comida a vermes famintos. Passou-se o tempo em que tudo que eu queria era um amor de cinema, uma história romântica ou um contos de fadas. Passou-se o tempo em que eu acreditava só porque queria e quebrava a cara e voltava porque certo se dizia. Passou-se o tempo que gostava de rimar só pra fazer frases bizarras com idéias bonitinhas. Passou-se o tempo que você me conquistava e eu ficava na porta de casa esperando sua companhia. Passou-se o tempo da inocência, do amor platônico, dos surtos inesperados e das obssessões. Passou-se o tempo e não sinto mais falta de tudo isso que foi, que passou, que mudou. Passou-se o tempo e eu estou mudada, fazendo este texto e não falando de amor.
Paula Cristina.

Sentimento escondido

E os pensamentos de repente se auto organizaram e eu perdi a linha de raciocínio. Percebi, então, que algo não queria se revelar. Algum sentimento ou situação que põe em risco esse meu modo de viver. E o que mais me irrita é não saber o que encadeou tudo isso, o que fez meus pensamentos calarem e fazer com que um silêncio estupidamente incômodo se apossasse de minha mente. É nesse ponto que se deve agir. Se ao menos eu soubesse chegar, o que é ou onde se esconde. Mas se fosse tão fácil assim, não seria tão importante, nem tão puro. Tudo que nos faz perceber além da neblina que nos toma é valioso demais, é real demais. Tenho certeza que quando descobrir o que é, vou rir da obviedade desse sentimento que brinca de esconde-esconde.


Paula Cristina.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Voluntariar-se

Olha um pouco além desse mundinho tão perfeito que você tem. Aprenda a dar um sorriso sincero e ser um pouco menos egoísta. Aprenda a estender a mão e a abraçar o necessitado. Aprenda a ouvir com atenção, a perceber o outro. Aprenda a amar, a voluntariar-se a dar um olhar sincero. Não precisa de muito, só um passo em direção ao outro. Não precisa falar, mas ouvir. São os gestos que valem. Dê um pouco de si, ame mais!
Paula Cristina.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Será?

Será que a insônia de Sócrates o incomodava? Será que a verdade é sempre cercada de dúvidas? Será que existe algo incontestável? Será que o que se ama, se ama realmente ou é consequência de um passado? Será que Freud ainda existe? Será que existe destino? Será que eu penso por demais? Será que sou filósofa por isso? Será que eu sei alguma coisa ou só acho que sei? Será que existe amor pela descrição de platão? Será que somos marionetes? Será que somos Deuses e nem sabemos? Será que existe extraterrestre? Será que eu sou louca? Será que você é louco? Se a base é sempre alguma coisa, como posso dizer o certo, o bonito e o feio? E se for exatamente o contrário? Será que o céu é azul, mesmo? Será que eu sou de aço?
Paula Cristina.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Quando se pode ficar sozinho

Senta em frente a lareira, descansa os pés na mesinha de centro, acende um cigarro e se põe a pensar na vida, no mundo. Tudo tão confuso, embaralhado, transtornado! Abre uma cerveja, bebe na garrafa mesmo, é mais gostoso, mais prazeroso. Fecha os olhos e fica ali pensando no próximo livro a ler, no próximo texto a fazer, na próxima música a tocar. Sorri, outro gole e dorme ali mesmo, o cigarro cai e apaga sozinho, a garrafa pela metade fica no chão, esperando ser consumida. O telefone toca até desligar. Acorda, termina a cerveja e vai caminhar.
Paula Cristina.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Labirinto que não tem fim

Esse comichão, brincando de labirinto, se recusa a sair de mim. Ele não tem nome, nem se sabe de onde vem e vai tomando conta. E eu fico nessa inquietação, esperando descobrir a solução para isso aqui. Deito, sento, levanto, ando, como, leio, danço, canto, toco, escrevo e ainda fico assim, sem saber o que é e o que quer de mim. Ah, esse labirinto que não tem fim.


Paula Cristina.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Confissão

Confesso que já não sei mais. Não sei mais a cor dos seus olhos quando não eram mel, a cor dos lábios quando não tinha borras de batom, o toque da sua mão nos meus quadris. Confesso que a chuva já não é mais triste, nem o sol tão alegre e que quando fica nublado é divertido imaginar cenas de contos épicos cheios de mistérios. Confesso que minha revolta já não tem fundo, de tanta coisa borbulhando, mas confesso também que sei o que é meu, o que é seu e o que é do mundo. E por mais difícil que seja confessar, confesso também que não me arrependo dos pecados que cometi. Confesso que não acredito em pecado ou inferno. Acredito sim, na consequência e dela eu confesso derrotas e alegrias, mas acima de tudo, confesso que depois de tanto ódio, brigas e desilusões eu continuo tão inocente quanto poderia e tão amarga e consciente quanto gostaria de evitar. Confesso que tenho meus problemas.
Paula Cristina.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Receita de mundo

Me conte seus segredos, seus medos e seus anseios. Não quero te roubar, nem torturar, nem te mudar. Quero apenas que se veja além, perceba suas dores e as encare de queixo erguido. De nada adianta fingir que não está lá o que está. Se percebe o que te aflinge siga em frente. Se precisa de um ouvido, aqui estou. Só não peça que eu concorde ou discorde, sou ouvido e nada mais. Não estou aqui para dizer o que é certo e o que é errado, até porque não acredito nessa divisão tão utilizada. Tem o que se consegue fazer e o que não se consegue fazer. Me conte e seja. Enfrente de acordo com sua própria condição. Faça o que consegue e quando pensar que não consegue mais, avalie, mude os planos. Tudo tem dois lados que levam ao infinito. Só não se esqueça de uma coisa: não importa o caminho, sempre tenha um sorriso estampado na face.
Paula Cristina.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Escrever para não sentir o vazio que deixastes em meu peito

O tempo vai, o tempo vem e algumas coisas permanecem intactas. O cheiro da terra molhada, do vento, da chuva, da grama recém cortada. Seu perfume se foi a muito tempo, mas a lembrança continua aqui. E quando ela chega fica dias, como aquelas visitas inconvenientes que insistem em ficar, mesmo quando incomodam. E então tudo que me resta é escrever. Escrever até a mão ficar calejada, os dedos cansados, a palma em brasas. Escrever até a saudade ficar fraca diante da dor, até esquecer que você faz falta nos mínimos detalhes dos meus dias passados entre pergaminhos velhos e amarrotados.
Paula Cristina.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fazer sentido

Seu sorriso mais brando, seu olhar mais sincero, seu abraço mais apertado. Que saudade de tudo! Nem sei quem você é e já faz falta. O que será de mim sem a sua ausência pausada? Será que faço sentido? Não sei se hoje eu faço sentido a mim mesma. Mas isso faz parte. Quando não se faz sentido, então perde-se a exatidão e portanto, procura-se ajustar a algo. E nossa necessidade de ajuste é a coisa mais engraçada que existe, ela nos faz mudar, ser e deixar de ser. O ajuste é a base de toda relação humana e de toda socialização. Confesso que odeio ajustes, mas odeio mais ainda necessita-los. E o sentido se faz todos os dias, após o ajuste favorável. E quando eu não quero fazer sentido eu não pertenço, de alguma forma ao lugar onde não me ajusto e o sentido passa a ser a loucura. Pura e simples loucura, dessas que eu amo e sorrio quando vejo. Dessas que eu sonhei que seria e que era. E que de tanto sonhar me tornei e hoje devo fazer ajustes para me ajustar, fazer sentido àqueles que precisam ver sentido. Eles não entendem a beleza de não fazer sentido.


Paula Cristina.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aos fuchiqueiros de plantão

Vou te contar uma coisa, um segredo de estado. Ninguém é mais feliz, nem mais bonito, nem mais amado. Ninguém é mais especial, ou mais diferente, ou mais qualquer coisa. Cada um é cada um e pronto. Pode-se ser mais em uma relação, mas no mundo é mais um e pronto acabou. É por isso que amamos tanto nos relacionar, nos socializar. Anciamos por ser únicos, diferentes, especiais. As relações nos dão essa falsa confiança de si. Só não se esqueça de um detalhe, não é porque você se sente mais, que é. E agora depois que descobriu isso também faça-me um favor, vá cuidar da sua vida e ser feliz. Ficar rondando por aí, falando da vida dos outros não vai mudar a sua. E se um artista está vivendo diferente do que você acha que é certo, pare de futricar na vida dele. Ele não deve nada a você. Aliás, tudo que ele faz é ser palhaço enquanto você olha. Se não quer ver, tape os olhos. Ninguém é obrigado a viver por você o que nem você sabe viver.
Paula Cristina.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Luna

De todas as personagens que li, conheci, convivi, a que mais marcou foi Luna. Ah, como ela é linda! Não existe alguém mais fora e mais dentro do mundo que ela. Ela sabe, docemente, deixar o constrangimento no ar em devidas situações, vive em mundo encantado, mas é a única que percebe com a maior das sutilezas o pouquinho de cada um. É a única que se fascina com as coisas mais esquisitas e a única que acha completamente normal a sinceridade pela sinceridade. Luna é linda, é verdadeira, é por completo insana, e ainda sim, é a mais lúcida.


Paula Cristina.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sobre saber e idéias

Quando se sabe é impossível não saber de novo. As idéias vêm e vão, mas já foram plantadas e qualquer coisa que lembre o mínimo que for será relacionada. Por isso é tão difícil criar algo a partir de algo já criado. Pois as idéias já foram lançadas, mas não utilizadas.
Paula Cristina.

domingo, 29 de novembro de 2009

Idéia de um projeto?

E de repente tudo fez sentido. Todas aquelas histórias presas em um mundo de línguas, culturas e naturezas próprias seriam reavivadas em milhares de páginas. Não tinha como negar, existia um mundo incapaz de ser, por ser completo irreal. Seus personagens faziam parte de um conto de fadas ao avesso, onde não existe nada que escape, tudo é por completo transformação e sua missão era a de passar esse mundo para o papel. Espera-se que fique bom. Quem sabe?

Paula Cristina.

sábado, 28 de novembro de 2009

Os bons

Ouve-se bastante a frase "Os bons morrem cedo" que Queen citou em uma de suas músicas e mais tarde essa frase foi levemente transformada e utilizada na música de mesmo título "Os bons morrem jovens" de Renato Russo. Quem são esses "bons"? Pessoas que fizeram muito pela ideologia, pelo modo de pensar. Pessoas que não se calaram quando a maioria se calaria. Os bons são revolucionários. A maioria das pessoas não são como eles. Acredito que não teriam coragem, nem estômago para aguentar tanta boofetada que se leva enfrentando o mundo sem cerimônia. Os bons portanto são humanos tidos como heróis. É importante que não os confunda com heróis, há uma pequena diferença. Os bons são humanos que procuram ser o melhor que podem, que procuram ser a imagem que fazem de seus próprios Deuses, os heróis são Semi-Deuses, quase impossíveis de se matar. Os bons têm multiplas fraquezas, os heróis têm uma só. Os bons são lindos, os heróis divinos. Os bons levam calos no pé, o heróis jamais saberão o que é isso.
Paula Cristina.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Romance

E quando não se sabe o que ler, mas quer ler algo para passar o tempo, para sair de um mundo real, opta-se por histórias que não sejam suas, de tempos e vidas remotas. Não se lê teorias ou coisas do tipo, porque elas se aplicam ao mundo, à real carnificina que procuramos nos desvencilhar. Romances trazem tragédias, mas com histórias de mocinhos em que coragem e esperança. são as qualidades mais presentes. Aquela parte em nós que luta em permanecer viva, quando não há água que regue, quando não há realidade que sutente. Talvez seja por isso que heróis são tão lindos, talvez seja por isso que contos de fadas são tão queridos.


Paula Cristina.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Saber

Recém nascida neste mundo vasto é o que sou. Não sei nada, mesmo do que mais amo e dedico. A cada passo, olhar, sentir e pensar, uma descobrta. É tão lindo saber que sei menos a cada instante. Pensar que quanto mais aprendo, menos sei, masi desconheço. Quando sabemos, deixamos de lado mundos diversos que poderíamos saber se não soubéssemos de outro. O não saber é lindo, especialmente quando se descobre. Quanto mais sei, menos sei.


Paula Cristina.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Prece

Que a música se faça ouvida e acalme os corações de seus fiéis. Que ela traga paz, amor e esperança para aqueles que a procuram. Que as notas sejam bem pontuadas e os acordes abram sorrisos de beija-flores diversos. Que Chico Buarque e Marilyn Manson se transformem em um só por uma noite. Que a melodia seja de tal forma que não se discuta sua divindade. Que o seu sorriso se transforme no meu assim que a noite cair e sejamos uno com as estrelas cadentes. Que aqueles que se foram permaneçam firme no toque de um violino e acalme os que ficam no toque da voz. Que a gaita expresse a solidão como a arma mais forte de se amar de novo e a harpa junte-se a ela como forma de deixar o amor entrar. Que Apolo desça por um instante a traga Euterpe e Aerde consigo. Que a verdade jamais se cale diante da música, que ela seja instrumento de expressão. E que com sorrisos ou lágrimas possamos encontrar o divino em um acorde que for. E que os versos que eu escrevo se tornem parte de um amor.


Paula Cristina.

A verdade

E as verdades mais azedas que dizem querer, na verdade não querem. E então passa-se a adocicá-las com rapadura, que é para ficar mais doce que qualquer outra coisa adoçada com açúcar. E a mão que passa na cabeça daquele que enfeita a verdade com mentiras bonitinhas é a mesma mão que espanca o rosto daquele que contempla a verdade nua e crua, sem mel. E depois de tudo ainda dizem amar a verdade, quando não sabem quem ela é.


Paula Cristina.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Por te amar

E quando não me acho, quando não me vejo, fico ali, parada com ar de quem não sabe, com ar de indefesa. Só ar, porque no final das contas nem faz tanta diferença. Tanto preconceito, tanto "o que eu gosto é melhor" que já nem sei se fico ou se vou. Não me importo de ser diferente, de gostar diferente. Cada um é cada um e essa mania de dizer o que é melhor deixe de lado, faça-me o favor. Não quero saber. Gosto assim, de me interessar pelo que eu me interesso e você pelo que você se interessa. É mais bonito, é mais real. E quando sentarmos em uma mesa para conversarmos, não se impressione por sermos diferentes, mas me ame por eu não ser você. E quando eu ficar ali parada parecendo estar alheia a um mundo que não é meu, regozije-se já que provavelmente eu só permaneço ali por te amar. E isso, por si só já é um grande feito sendo que eu nunca permaneço.


Paula Cristina.

Emprestar

Nem sempre o que se empresta é emprestado. Às vezes é dado com o nome de emprestado. Então eu te pergunto: Quando é que emprestar é realmente emprestar? Empresta-se a alma? Empresta-se a vida? Empresta-se o pensamento, o sentimento? E o contrário? E quando diz-se dado, mas foi emprestado? Afinal de contas, cadê a linha? O limite? Cadê o dar-se e o emprestar-se? E como é que se contrabalanceiam em uma relação humana? Acho que até o conceito disso aqui é emprestado. Ninguém quer. Pensa, passa, usa, joga fora e no final das contas pede-se de volta, como se fosse um iô-iô. E eu te faço outra pergunta: Porque você se empresta todos os dias?


Paula Cristina.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ritual

Passaram-se horas, o breu já havia tomado conta, a lua apontara no céu. Ela se dirigiu às extremidades do local limitado e acendeu uma vela atrás da outra, formando um círculo. Dirigiu-se ao seu centro, sentou confortavelmente e se deixou vaguear na escuridão. De súbito começou a sussurrar uma canção compassada e ficou ali, até se sentir por completo fora do estado de alfa ao qual se deixou vaguear minutos antes. Levantou-se, e apagou e remouveu as velas, uma por uma.


Paula Cristina.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

De mulengro a centro

Mulengro se apossa de mim de vez enquando, e quando isso acontece parece que adiquiro o dom de me culpar quando não devia e deixar a culpa tomar conta, mesmo quando não se pode fazer nada pra mudar. Adquiro o dom também de me vingar, mesmo sabendo que não há necessidade. Só mesmo para sentir o gosto de pensar que a dor não é só minha. Mas então o centro me engloba e o mulengro já não é chamativo e então vivo dessa ida e vinda. Alguns diriam que essa inconstância se chama bipolar. Não, eu a chamo de traço adquirido devido ao sistema, a cultura e a falta de crescimento emocional. E então me ponho a ir e vir e aprender a sempre ir para o centro e fugir do mulengro. Meu lado selvagem pode sim viver, mas viverá de uma forma livre e esperançosa. Não me quero olhando furtivamente por trás de meu ombro a cada passo que eu der. A vigilia é constante, mas saber confiar e amar e não deixar o mulengro adentrar é uma forma a mais de me acalmar, de me fazer sorrir.
Paula Cristina.

Psiquê

O labirinto mais bem elaborado teve nome, era mortal e virou imortal. Zeus programou essa reviravolta e Afrodite teve que ceder. Psiquê: essa subjetividade tão condensada e tão líquida diante dos julgamentos mais injustos a ela empregada. Não há nesse mundo ou em outro quem a consiga compreender por completo, tamanha é sua imensidão, tamanha é sua beleza. Não penses que digo apenas do mito. O mito é apenas uma forma de mostrar, de falar, de admirar Psiquê. Na verdade é uma desculpa esfarrapada para descrever sua formosura. A Psiquê tem seus altos e baixos, é senhora dos loucos e dos lúcidos também. É senhora de todos os sentimentos, sejam eles bons ou ruins no seu vocabulário. Para ela, não existe oposição e sim diferenciação, autenticidade. Psiquê é a forma mais feia do que de mais grotesco temos. É também a forma mais bela do que temos de mais sublime. É id, é ego, é superego juntos. É a combinação de mulengro e de centro. É vilão, é mocinho, é a treva e a luz, caçador e vítima, flecha do cupido e coração acertado. Psiquê é um estado, é um ser não sendo, é o espelho refletido de seu reflexo na água. É a mais bela complicação, a mais doce, a mais meiga, a mais venenosa e a mais atraente. Jamais Afrodite encontrará deusa tão rara e única como Psiquê e, portanto, é sua única inimiga.
Paula Cristina.

domingo, 15 de novembro de 2009

Você é

Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava. Você é os nervos à flor da pele no vestibular, os segredos que guardou. Você é a praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema. Você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai. Você é o que você lembra.
Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas. Você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pêlo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta. Você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo. Você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar. Você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá. Você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta. Você é o que você queima.
Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta. Você é os direitos que tem, os deveres que se obriga. Você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca. Você é o que você pleiteia.
Martha Medeiros
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Você é todas as lágrimas derramadas e todos os sorrisos infiltrados. O mar que abraça o mundo, o estádio onde Deus e o Diabo jogam futebol. Você é a bebida mais quente e a mais fria também. Você é porto seguro e um vulcão prestes a erupção. Você é contradição, da mais pura, da mais real, da mais sincera, da mais traiçoeira. Você é metade. Metade mortal, metade imortal. Você é amor e ódio, esperança e desiluzão. Você é o filme de terror mascarado de canção de ninar. Você é a inocência brincando de esclarecimento. Você é tão puro quanto eu quero que seja e tão sujo quanto eu vejo. Você é o espelho disfarçado de realidade. Você é o Mestre Dos Magos. E quando pensam que não te desafiaria, é porque esquecem que sou mulher de Dumbledore. Não importa o que digam, você é o que eu vejo, e eu sou a dona deste mundo. No meu mundo esquizofrênico o fantoche é você. E então eu acordo, coloco os chinelos e sigo em frente, porque como eu, no mundo real, você é apenas você.
Paula Cristina.

Incansável

Não sei ao certo quantas coisas já pensei hoje, nem quantas coisas ainda estão por serem pensadas. Passei o dia pensando, repensando e re-repensando. Li, reli e pensei mais uma vez. E o ciclo não vai parar até que eu resolva me calar, me quietar. Mas eu não quero, não estou cansada e acho que falta muito para aquietar meu espírito por esses dias. Minha sede de mim mesma é extremamente crescente e incansável. Meu hiperativismo mental está a toda com tanta informação ao mesmo tempo. E assim eu medito, leio, penso, ajo, medito, leio, penso, ajo infinitamente. Até que uma hora meu corpo extremamente cansado me pára e eu me ponho a dormir para repor as energias.
Paula Cristina.

Fuga do inferno

Achava-se impossível fugir de Lúcifer e de seus guardiões, mas foi tão fácil. Não havia saída, a não ser a porta guardada por ele, e ele não fez objeções. Aliás, foi como se ele percebesse que não era ali o lugar daquele lobo. O lobo continuou, tentando manter a respiração compassada para não se perder. Calmamente encontrou o final do túnel. Esperou que a lua apontasse no céu para sair sob o céu aveludado. Nunca mais se soube de nada daquele lugar. Perguntaram a ele muitas coisas, mas ele só se propôs a informações que não compremetessem sua própria espécie. Se calou perante aos vários boatos que surgiram. Ele não se importava com o que ocorrera no inferno.
Paula Cristina.

Eles mudaram, e só.

E ficaram sentados à sombra da árvore. Ela, cansada de ser. Ele, cansado de ver. Observando que o tempo passava, esperando que algo mudasse. Mas, a não ser a claridade do dia, tudo que tinham de diferente era eles mesmos e um novo modo de pensar. Porque, a partir daquele dia, já não se podia esperar que eles fossem iguais. Não quando seus pensamentos tomaram outros rumos. Cientistas de suas próprias vidas era o que eram.
Paula Cristina.

sábado, 14 de novembro de 2009

O não doer da vingança sem sucesso

Não se fez nenhuma dor, suas vinganças não alcançaram nem mesmo o primeiro degrau da escada para bater a minha porta. Pensei que seria com um estardalhaço que explodiria a porta e entraria como um intruso me arrastando aos poucos pelo barranco da estrada. Mas nada, nem mesmo um centímetro de incapacitação. Pelo contrário, me abriu para possibilidades inúmeras. Me abriu para sorrisos mais meigos, abraços mais apertados e momentos inesquecíveis. De tudo que passou, você é o que menos me impressiona, você é o que menos fez barulho neste meu mundo de vendavais constantes. E a porta continua intacta, sem nenhum arranhão. Como se, por ali, ninguém tivesse passado, senão uma brisa leve levando a solidão.
Paula Cristina.

Sobre ser II

Não intendo passar raspando pela vida. Com aquele jeito de moleque travesso que quase conseguiu o que queria. Para mim, quase ainda é não ter conseguido, mesmo que por um triz. Não adianta de nada querer quando não é e nem se faz ser. Seja o que quiser, mas ame o que se é. De nada adianta passar esquecido de si, quando não se queria esquecer. Não precisa mostrar o que se é a todo momento, mas seja sempre e saiba que está sendo, mesmo quando não demonstrar. Não intendo viver sem minhas próprias regras, elas são demasiadamente especiais para esquecê-las e eu seria demasiadamente tola se não as ouvisse. Não pretendo ser tola mais uma vez.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lírios e cerejas

E eu te desafio a me amar como nunca amou ninguém. Te desafio também a se deixar levar pela minha sedução. Lírios e cerejas é o que eu te dou. Mas só te dou se você ficar, se você resolver viver ao meu lado. Essa não é uma proposta para qualquer um. Não desafio a todos, mas àquele que nem sei o nome ainda, àquele que não sei quem é. Não porque não o conheço, mas porque desconheço o futuro e não sei que irá me fazer descansar dessa procura do amor. Pode ser que já está bem na minha frente, que converse horas comigo ou alguém que ainda não me foi apresentado. Mas esse alguém, seja lá que for, terá lírios e cerejas por toda a vida. Tenho muito a dar, confesso....


Paula Cristina.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Só pra escrever

Quem entra em minha mente, entra em um mundo a parte, onde mocinhos e violões têm um mesmo rosto, onde luz e sombra são os mesmos, onde nem tudo se encaixa em explicações racionais. Acho a racionalidade linda, mas de nada serve se não percebida como algo a complementar e nunca como uma espécie de verdade irrefutável. Perdi o interesse de escrever e, por isso paro por aqui, por hoje.


Paula Cristina.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Como sempre foi

Foi bem de mansinho que ele se aproximou. Estavam na esperança de ser como sempre era, mas já tinha sido a tanto tempo que não se sabia mais como era, nem como fazer. Ele se aproximou, o ar fugiu dos pumões dela. Todos os pensamentos, conversas repassadas, repostas pré plannejadas já não existiam. Seus pensamentos eram ocos e, assim, sem pensar ela deixou ser como sempre foi.
Paula Cristina.

domingo, 8 de novembro de 2009

Adeus

Não sei ao certo qual seu papel no desenrolar da minha história. Pode ser que seja apenas o de me ajudar a não mais evitar certos sentimentos que a muito evitava sem a menor cerimônia. Devo dizer também que se for só este já é um trabalho e tanto e acrescento que já foi feito. Portanto, na verdade, esses pensamentos são mais como uma carta de adeus que nunca será entregue ou recitada e que, provavelmente, você nunca saberá a existência. Mas devo dizer porque quando digo, já não faz parte de mim e assim, não me pesa mais saber que não as disse a você. Foi lindo, foi maravilhoso, foi diferente de tudo. Adeus.
Paula Cristina.

Sobre relacionar-se

"Pedido
Eu não quero que você seja eu
Eu já tenho a mim.
O que quero é que você chegue
Com seu poder de chegar
E de me devolver pra mim.
Que você chegue com seu dom
De também me fazer chegar
Perto de mim...
Para me fazer ver o que sou e que só você viu
Para eu ser capaz de amar também
O que só você amou.
Eu não quero que você seja igual a mim.
Eu já tenho a mim.
Não quero construir uma casa de espelhos
Que multiplique minha imagem por
todos os cantos.
Quero apenas que você me reflita
Melhor do que julgo ser."
Fábio de Melo
Não que você vá ter os mesmos gostos que eu tenho, mas que aprenderemos a enfrentar as diferenças juntos. É a questão de não tentar mudar o que não precisa ser mudado. Cada um é cada um. Não interessa que sejamos diferentes, pois a diferença só ameaça quando não se está bem com o todo, quando um não pode ser porque o outro não deixa. Não que eu vá entender tudo sobre você o tempo todo, mas também não vou forçar, na hora certa sai alguma coisa. Não se sabe tudo, não se compreende tudo, o mundo é por si mesmo muito misterioso e calado, não nos conta suas aventuras diárias. Não que vá ser indiferente a dor, mas será tolerável a gosto e, na hora certa, algumas das partes vai ou a dor pára. Nã que será sempre um mar de rosas, mas será reconfortante saber que existe amor.
Paula Cristina.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Amores e amantes que vêm e vão

Sei, sei, sei, foi sempre assim, esse ar de amores e amantes. Não que fossem muito úteis ou que fizessem sentido, mas foi com o ar da graça de se ser. Está na hora de mudar e o que dizem por aí não cabe a ninguém responder com certos e errados, verdades e mentiras. Não faça menção ao que foi, porque foi e não é mais. Faça menção ao que é, pois o que é, por mais feio, sujo, desleixado ou outro preconceito qualquer que seja é lindo, apenas por ser. Apenas pela implacável vida que se toma e vive e rouba e revigora. Os amores e amantes que foram, se foram. Podem voltar a qualquer momento, podem ressurgir das cinzas; mas se foram do mesmo jeito e cabe apenas pesagem do que foi para ver se pode ser mais uma vez. Mas essa pesagem não cabe a ninguém que não a própria vivente. E aí não se entra ninguém, aí são segredos de quartos, segredos de almas, segredos de si. São obras de arte gravadas em papel de pão. São dialéticas da própria existência e aí não se adianta discutir, já que a discussão nunca chegará a um consenso. É mutante demais, é vivente demais para ser constante, mesmo que em teoria.


Paula Cristina.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O medo

O medo é sempre das coisas que não são, dizem por aí: "se não é, pode ser algum dia". E que saber? Pode mesmo, pode vir a ser com o maior dos encantos ou o maior dos desencantos, mas não muda o fato de que tudo é e não é ao mesmo tempo. Fazem tanta tragédia do medo que chego a rir. O medo aparece a mim todos os dias e eu o escuto ou não. A primeira vez que apareceu para mim, se mostrou pequeno, de mãos ágeis e sorriso malicioso, não tinha corpo, era vazio imensurável e sugava tudo a minha volta. Hoje ele é grande, escuro, de sorriso estridente, continua sem corpo, vazio imensurável, mas não suga, respeita. Espera que eu o ouça e que eu dê a sentença. Hoje eu invoco o medo como um aliado. Saber o que pode ser e, portanto, o que pode não ser também. O medo é meu companheiro.


Paula Cristina.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Aula de violão

O céu foi se escurecendo a medida que as horas passavam e continuava-se ali a discussão tão acalorada sobre música e violão. As dicas sendo vomitadas em um êxtase contagiante. Só então quando não se enxergava mais que tiveram que admitir que não tinha jeito, estava na hora de parar, arrumar as coisas, e ir embora para organizar os pensamentos. Não se queria ir, queria ficar, tocar, trocar idéias e pensar em músicas diversas para se aprender. Foi lindo enquanto durou.
Paula Cristina.

domingo, 1 de novembro de 2009

Reencontro

Mais uma vez ela voltava ao lugar onde toda usurpação começou, onde seus passos mudaram. Estava levemente mudado, algumas cores modificadas, objetos diferentes em estantes redecoradas. Aquelas paredes não viam mais seu sentimento, não porque não saibam ver, mas porque não existe mais. Este sentimento fora dividido para outros mais próximos, mais preocupados. Como seria dessa vez? Sem sentimento, sem entorpecimento? Exatamente como pensara: não era mais. Levantou, cautelosamente para não acordá-lo, fechou a porta, e seguiu caminhando até em casa. Finalmente ela estava em paz, já não fazia diferença quem ele era. A única coisa que fazia diferença era a felicidade que fora tomada por saber que agora ela tinha completo controle sobre si mais uma vez. Seus sentimentos eram seus e de ninguém mais.
Paula Cristina.

Você

Então me diz quem é você, do que gosta e do que não gosta. Me julgue diante do luar e me faça uma serenata às escuras. Quem sabe quando você se movimentar verá tudo mais claro, como o ar que passa pela sua cabeça e enxerga dentro das veias que correm em seu cérebro. Continue se achando melhor e mais experiente, continue vivendo desse mesmo modo que vive por toda a vida. Um dia quando eu bater na sua porta, você não mais me reconhecerá e, portanto será impossibilitado de mais uma vez me fazer sangrar. E então como se tudo mudasse de novo eu recoloco as mácaras até que depois da trigésima sexta você finalmente me reconhece e com um suspiro de aprovação você diz: "Meu deus! Você continua igual era a anos atrás!". Eu sorrio, viro as costas e continuo a andar. Você é impressionantemente estúpido para notar as máscaras que sempre forraram meu rosto. Que sempre vão forrar.
Paula Cristina.

sábado, 31 de outubro de 2009

Soobre o amor II

Talvez não fosse amor se não fosse tão inexplicavelmente revolucionário. O amor é mais que meros encontros e meros abraços. Se não houvesse alguém ainda assim seria amor. Não adianta dizer que discrençou do amor, é mentira. Se discrençasse mesmo não estaria atrás de um parceiro, mesmo que seja para ficar uma noite só. O amor é a necessidade de se dar, seja recebendo ou não, de se doar, de se mudar, de se sorrir, de se viver. Discrençar do amor é a coisa mais sensata e a coisa mais estúpida, ao mesmo tempo. Sensata porque assim não se sofre, mas tabém estúpida porque não se vive. Que graça tem acordar todos os dias com a mesma rotina, as mesmas histórias? O amor trás algo novo, uma gargalhada nova, uma trilha sonora nova e até descrenças e dores novas, mas tudo novo. Jogue-se de um penhasco, voe acima das nuvens, nade nos campos, mas jamais deixe de amar.
Paula Cristina.

Pós-abismo

E mais uma vez se viram diante de tal abismo. Não se via nada embaixo a não ser uma clara escuridão seguida de silencio. O ar tornou-se mais condensado e a voz dele veio como o sussurro de um presságio: "Paro por aqui. Você deve seguir sozinha". Segurou seu vestido, respirou fundo e se lançou na escuridão. E então ela viu maravilhada que havia chegado mais longe do que imaginara e que, na verdade, estava por completo inteira. Olhou ao redor, pessoas de todo o tipo juntas, não havia nada que a impedisse de viver em paz e foi então que ouviu a voz se instalar dentro dela. Seu mestre estava lá, em frente a ela, sorrindo, orgulhoso de que ela tenha deixado-o para trás, afinal de contas não era ele que se procurava, mas a paz.
Paula Cristina.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dor

O quarto tinha sido arrombado tantas vezes que ela não sabia mais o que era dela e o que era dos outros. Os olhos marejados de dor, os suspiros de erros cometidos. Não tinha nada mais para ela ali. Levantou-se de um salto e se pôs a caminhar sem rumo. A noite mantinha as coisas em seu lugar. As lágrimas que insitiam em cair se encontravam penduradas, temendo mudar o curso das coisas. Mas para quê tudo aquilo? Não havia mais razão em fingir ser, quando o que se queria era jamais ter sido.
Paula Cristina.

Sobre meus textos e interpretações a parte.

Às vezes me pergunto se quem lê meus textos realmente os entende. Alguns dias atrás vieram me dizer que alguns textos eram desconectos, mudavam de assunto do nada. Parei e li, reli e reli todos eles. Não vi desconexão alguma, pelo contrário, têm uma continuação bem equilibrada. Seguem uma linha de raciocínio que sempre segui. Talvez essa linha de raciocínio seja um pouco diferente da que se está acostumado a trabalhar, eu não sei ao certo, não vejo essa falta de nexo que se diz. Talvez seja você que não esteja atento ao que eu escrevo, e sim ao que pretende ler do que eu escrevo. Tudo que sei, é que meus textos são extensões de um mundo fantasiado de meu próprio mundo. Vejo o mundo, recrio-o ao meu gosto e desgosto, e reciclo o que recriei para encaixar no mundo das palvras. Mas nada fora do comum, nada fora de eixo, nada desconecto. Apenas um modo diferente de pensar.


Paula Cristina.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pós-crise

Ela se encolheu de um salto, não percebera aqueles olhos a observando. Com seus intinstos mais secretos começou a contar tudo ao seu observador. Por um momento ficou a decidir se seria caça ou apenas uma visão embaçada da realidade. E então de súbito a ave já levantara vôo e ela ficou ali, estirada ao chão sem saber o que acontecera. Tentou se levantar, mas suas mãos escorregaram em seu próprio sangue. O bicho não veio atacá-la nem observá-la, veio parar a auto-mutilação que ela aplicava para parar a dor. Levantou-se e recompôs suas energias. Não havia sentido em se machucar, ela era necessária em algum lugar.


Paula Cristina.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Inconstância

Sabia que aconteceria uma hora ou outra, mas não pensei que seria tão rápido. Estava encantada demais para desencantar tão de repente. Meu eu descrente voltou à tona de forma tão repugnante que até eu me assustei com a voracidade. Voltei a vagar sozinha, e até gosto disso. É como se me reencontrasse de novo. A única coisa disso tudo foi que o descaso pela idéia de amor romântico se tornou ainda maior. Se posso mudar tudo de uma hora para outra, como posso me compremeter em um relacionamento sério? Como posso amar para sempre? É muito constante para minha inconstância. Acho que algumas pessoas não foram destinadas ao amor, deve ser isso.


Paula Cristina.

sábado, 24 de outubro de 2009

Pequeno desafio

Não tenho pernas, minhas mãos estão atadas, meus olhos abertos, minha boca serrada. Seguir em frente é a coisa mais difícil, mas quando eu o fizer não há quem me impeça. Talvez demore anos, talvez demore dias e no mais rápido dos movimentos, horas. Não importa o quanto me prendam, não importa o quanto me penalizem, meu espírito será sempre livre, mesmo que sem saber por onde ir. Não há barreiras que me façam descer, não há dores que me façam mudar, nã há desprezo que me faça envergonhar. Não sou tudo que querem, não nasci para agradar. E quero ver quem me tira do meu lugar.


Paula Cristina.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Eu, amor e sistema

O sistema vai sempre encontrar um jeito de ganhar, de mecher com a sua cabeça. Antigamente o machismo reinava, não havia compreensão dos sentimentos da mulher, tudo que valia eram sentimentos e idéias vindas de um homem. Com o tempo as coisas mudaram, apareceram feministas. O mundo se dividiu entre dois poderes: machismo e feminismo e os problemas emocionais permaneceram, só mudaram de nome e de causa. Talvez não acredito no amor por isso. O amor precisa de pessoas sadias e nunca existiu tamanha quantidade de doentes como existem agora. Somos seres incopletos, movidos por impulsos. Aguentei até agora, mas por quanto tempo mais? Não vejo faíscas de amor ao meu redor. Ninguém por aqui para me fazer permanecer em estado de repouso. E minha inconstância então me domina, pois assim, sou dona de um meio destino traçado por mim. Amanhã, talvez, eu sinta falta de você. Mas só talvez.
Paula Cristina.

Para um cargo superior não nomeado

O que você diria se eu aparecesse com toda a minha raiva estampada em meu rosto? Se descobrisse que minhas marcas de machucados foram auto inflingidos? Será que continuaria nessa luta incessante e completamente idiota ou me trancaria dentro de um quarto colocando a culpa no mundo? O mundo não fez o que eu sou. As impressões que deveria aprender, já aprendi. Não me interessa mais o que é agradável a eles, mas sim o que é agradável a mim. Pareço fácil de manuzear, mas sou praticamente impossível de convencer. Não me interessa que estejas cansada quando o seu cansasso é todo seu e já não aguento mais pensar por você, uma vez que vivi meus dias fazendo-o. Não me leve a mal, não é egocentrismo, mas um pouco de amor próprio, que faz bem em qualquer momento.
Paula Cristina.

Ser.

É tudo uma questão de ser. Odeio ser, porque ser é seguir padrões daquilo que se é. É bonito, é feio, é isso, é aquilo. Hoje eu não quero ser, como nunca quis ser. Hoje eu não sou. E só porque ser é ser alguma coisa. E eu quero ser tudo e nada, ao mesmo tempo. Sem mais nem menos.


Paula Cristina.

O que é?

E mais uma vez sentada em frente ao computador, não sei o que escrever, mesmo sabendo que o quero. Às vez a vontade chega a ser desconfortável, já que o peito está pesado de palavras não ditas. A questão é que não sei o que pesa nesse peito, pelo menos, não hoje. Vaguei por várias idéias e as únicas coisas que vieram são coisas que já não me incomodam mais. Resolvi-as de forma simples, mesmo que de modo instável. Então o que é, ainda que tanto me angustia? Talvez sejam palavras não ditas, abraços não dados, um passado que ficou e que não será de modo algum... para variar, eu não sei. Eu nunca sei.


Paula Cristina.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Insônia

E é quando os monstros não atacam que fica tudo desconcertado. Eles deveriam estar assombrando, e tudo que se tem deles são imaginações do que poderia acontecer. Nessas horas a mente se torna oca, não se pensa em nada e não se consegue dormir. É o id tentando vir à tona, mas o superego o freia de forma tão brusca que não se sabe mais. E então dessa forma os pesadelos tentam se tornar reais, pois assim pelo menos, pode-se deixar as preocupações em algo mais forte. E o medo se torna por completo banal , já não tem o papel que deveria ter. Assume o papel de clamuflador do mais real sentimento. E então fica-se acordado, lutando com o superego, tentando descobrir a causa de sua insônia para finalmente poder deitar a cabeça e dormir como à muito tempo não se dormia.


Paula Cristina.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sobre o amor

Comecei pensando na existência do amor, cheguei à idéia do destino, passei para a visão do mundo e conclui que todos eles se interligam. Desse ponto nasceu-se o pessimismo. E depois de tanto pensar ainda me pedem que seja otimista em relação ao amor. Nem sei se ainda acredito no amor. Deixemos claro que falo de amor romântico. Pois não há amor mais bonito que o de uma amizade.


Paula Cristina.

domingo, 18 de outubro de 2009

Desabafo

A podridão interna de alguns me repugna. Não consigo compreender como pode existir tanta falta de respeito às escolhas alheias, mesmo que essas escolhas sejam diferentes das que eu tomaria. Não concordo com muita coisa que muitas pessoas fazem, mas isso não as torna mesnos centrada, nem menos dignas de respeito. O que é ser centrado em um mundo de idéias e estilos de vida diferentes? Ao meu entender, ser centrado é saber o que é melhor para si, respeitar as diferenças, saber lidar com diferentes situações, não julgar. Como pode se dizer que alguém é centrado ou não pelo curso escolhido? Ah, é um padrão. Não existem padrões hoje em dia. Uma pessoa pode ouvir rock e se vestir como uma micareteira, pode ouvir axé e se vestir como uma gótica. Não existe barreiras a isso. É tudo uma questão de máscaras. Então me façam um favor, sejam menos críticos e mais amáveis. Quem te garante que você é centrado? A loucura está em todos os lugares.


Paula Cristina.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Alma penada

Os dias passam, a pose fica. O ar se acalma lentamente como num suspirar de fim de tarde. O cansaço toma conta até que o corpo adormece. Tudo que se queria era deitar a cabeça lentamente e sentir-se descansar por tempo suficiente a diagnosticar-se sadia. Mas o tempo passa mais rápido, os pensamentos não deixam por pouco e mesmo o sono já desmancha com sonhos pesados que não se lembra no outro dia. E mais um dia exausto passa-se sem ao menos poder se acalmar. Talvez morra de uma vez. Seria mais fácil, mas ama-se demais a vida para isso. E fica assim, a vagar pelo mundo. Alma penada de suas próprias escolhas.


Paula Cristina.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Doc


Você foi meu abraço mais apertado, meu sorriso mais sincero, minha confidente. Você entrava no meu quarto sem permissão, sentava ao meu lado quando eu precisava de companhia e deitava longe de mim quando eu queria espaço. Você me entendia como ninguém. Você fazia barulho quando via que era barulho que eu precisava e quando minha vontade era gritar você rosnava até que eu gritasse e calasse de tanta exaustão e então, mais uma vez, você sentava ao meu lado e me observava até eu me acalmar e chamar seu nome. Você foi o olhar mais sincero, a companheira mais leal, o amor mais puro. Hoje me impossibilito de tudo. Hoje estou de luto.



Paula Cristina.

domingo, 11 de outubro de 2009

Pássaro preto

No meu dedo pousou um pássaro. Esse pássaro é preto. Canta silenciosamente uma canção secreta. E eu me mantenho a observá-lo. Meus movimentos são mínimos e quase que cronometrados, para que assim esse permaneça por mais tempo pousado em meus dedos. Quem sabe quanto tempo esse pássaro permanecerá... Tudo que sei é que ele rouba minha atenção sem mover um centímetro sequer.
Paula Cristina.

O que ela quer

E então em um piscar de olhos tudo ficou calmamente sombrio. Não se esperava nada daquilo, e sim sorrisos, olhares e amores. Ela se deitou sem saber o que pensar. Não sabe o tamanho da verdade nos olhos dele e teve que se contentar com palavras vazias e fora de sintonia. Sua preocupação é, na verdade, com si mesma e seus próprios sentimentos. Ela sabe que se ele a deixar, ela arranjará alguém para substituir seu lugar. O que ela se pergunta é se o vazio que ele deixou será preenchido algum dia, se tudo aquilo será diferente. E ela dorme entorpecida, esperando que ele simplesmente não a deixe. Lhe disseram que ela não ama, que ela não sabe o que é isso, que provavelmente ela jamais amará. Ela se pergunta se isso é verdade, e se for, o que ela fará com isso, pois ela quer alguém ao seu lado para dormir abraçado, para falar de trabalho, para fumar um cigarro, para beber algo, para passar os dias. Ela quer a companhia, o sorriso, o carinho, a compreensão, o cuidado, a atenção e os olhares dele. Ela quer sentir tudo que ela tem sentido mais uma vez. E ela adormece e acorda e passa o dia se perguntando as mesmas coisas. Já não quer mais pensar nisso. Atende o telefone, não é ele, são várias pessoas, mas não ele. A única ligação que a deixa em espera olhando fixo o telefone. Ele precisa de tempo, como ela também. Mas impressionantemente não é isso que ela acordou com vontade de fazer hoje. Tudo que ela quer fazer hoje é esquecer por alguns segundos o que será da casa sem os latidos de sua pequena companheira. Então ela fecha os olhos, procura fugir de tudo. Mas os pensamentos que a arrasaram ontem permanecem em sua mente. Não querem sair. E quer saber, ela não sabe se quer que eles saiam. Isso pelo menos a faz evitar de pensar outras coisas.
Paula Cristina.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Depois de hoje

Hoje você me convenceu de que se importa comigo. Me senti tão querida hoje, que nem sei ao certo o que fazer com tanto carinho que eu nem ao menos esperava. Amanhã quem sabe você me abrace bem forte e não me deixe ir, só para variar um pouco essa nossa mania de inquietar o espírito um do outro. E talvez no dia seguinte eu acorde com aquele ar de rainha recém chegada ao trono. E o depois de hoje, seja mais calmo, mais tranquilo, mais amável.
Paula Cristina.

About all this

I listen rock, but it's not because of you. I love dark, but it's not because of you. I love crazyness, but it's not because of you. I'm crazy about vampires, but it's not because of you. You just got in the way, when I was starting to show my other side. You say I'm scared, but you are too. The diference betwen us is that you don't accept that, because you can't be wrong, you're perfect. You are so scared of being wrong that when there is something that can change your ideas, you just pretend you don't see it, you ignore it with all your strenght. So what that i fucked you up one time? You did it too. I think you are more scared than me about that, you are so scared of having your pride hurt. But you should know that I don't make the same mistake twice. The thing is, I don't think you are going to open this page anymore. You don't care do you? Why am I still here then? Maybe I'm less scared than I seem. Maybe I'm a crazy mazoquist. I'm not sure. Everything still a blurr.
Paula Cristina.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sem título

Engraçado. Meus passos mudaram mais uma vez, meus interesses se tornaram parecidos, mas meu desejo só se mantém quando incentivado. Será que esse meu desejo continuará intacto? Ou mudarei de novo de rumo? Sabe-se lá.... Daqui a algum tempo saberei, ou não.
Paula Cristina.

E se...?

E se tudo que eu já disse foi mentira? E se tudo que você negou era verdade? E se nada é o que parece, o que vamos fazer com a verdade? E se todas paredes forem portas secretas? E se todos os sorrisos forem maquiavélicos? E se hoje eu acordar e mudar de rumo. Como serão as coisas? E se tudo que nós somos for manipulação? E se eu resolver que nada disso é real. E se eu for esquisofrênica?
Paula Cristina.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O momento

O cheiro da chuva entra por seu corpo. Ela sabia que uma hora ou outra as gotas chegariam como um dilúvio. Lê mais uma vez a mensagem recebida. Quanto mais lê, menos faz parte dela e mais de sua história. Ela respira compassadamente até a vela se apagar por completo. Ela está pronta para enfrentar sua versão masculina. Abre a porta e vai de encontro a ele. Talvez fosse mais fácil se o espírito vingativo dele não fosse tão aguçado. Ele a encara por um breve instante, longo o bastante para deixá-la tonta de tanta excitação. Ele não sabe, mas ela espera por esse momento a vida inteira. E lá estavam eles, se mostrando cúmplices de seus erros mais comprometedores. Neste momento não houve palavras, eles eram espelhos refletidos um do outro. Ele, sempre deixando indagação. Ela, se forçando a não indagar. Mas dessa vez não teve escapatória. Foi então que ela soube: sua alma estava entregue a um vampiro.
Paula Cristina.

Com você

O dia foi péssimo, acendo um cigarro, bebo uma cerveja, mas nada adianta. Então me lembro que quando eu chegar em casa você provavelmente estará na internet e nós conversaremos e tudo que me irrita vai passar. Porque com você é tudo diferente, as luzes mudam de cor, o ar muda de peso, tudo fica mais leve, suave, sutil. Você é aquele porto seguro que vai sempre me aquecer quando eu estiver completamente nua em um frio de -207C. Sei que também tem seus problemas e quero estar lá para te abraçar quando tudo estiver dando errado. E, quem sabe um dia, você chegue a me pedir algum conselho quando se sentir necessitado. Tudo que sei, é que depois de você, não tem mais graça minha vida bandida, não tem, porque eu sei o que eu quero. Com você é tudo diferente.
Paula Cristina.

domingo, 4 de outubro de 2009

Aquele do relógio

Sei que tenho um dom incomum para situações completamente fora de ordem, coerência e indesejadas. Até gosto da adrenalina que essas horas permitem, mas da última vez foi só desgaste, vergonha e dor. Já não tem como negar o quanto gosto dele. Não assumo a ele, nem aos outros, mas a mim, inegável o que sinto. Talvez dê certo, talvez não. Não sei. É tudo muito incerto, sempre foi. Eu poderia dizer que estarei sempre ao lado dele, que estaria sempre lá para ele. Mas a verdade é que eu não sei nada além do que é agora. E tudo que sei é quero você. Só você, não importa o que aparenta.


Paula Cristina.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Valores

Valores. Livre-arbítrio. Loucura. Ilusão. O que são? Não sei, não sei, não sei. Filosóficos demais. Científicos demais. Meio termo demais. Não sei, não sei, não sei. Não quero pensar, não por hoje, estou cansada e entorpecida. Não dá pra pensar assim, é muita informação vinda de sabe-se lá onde. É. Boa noite.

Paula Cristina.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Escolhas

Quer algo mais certo na vida que fazer escolhas? Todo o dia você acorda e a primeira coisa que faz já é uma escolha. Até o fato de não escolher é uma escolha. Você escolhe se vai fazer as mesmas coisas, se vai seguir regras, se vai isso ou aquilo, se vai pensar ou agir, ou até mesmo os dois. Escolhas são como a morte, é certo que se vá fazer, quer queira quer não. Hoje eu fiz a escolha de escrever, estudar e relaxar. Talvez eu mude de idéia, e essa mudança em si será uma escolha, e a não mudança também. É.


Paula Cristina.

sábado, 26 de setembro de 2009

Quarto

Quarto é a coisa mais íntima que se tem. É nele que você pensa com mais ardor, sonha acordada, deita chorando a plenos pulmões até pegar no sono. É com ele que se partilha os segredos que ninguém nunca vai saber, nem mesmo seu melhor amigo. Quarto é a coisa mais pessoal e íntima que já foi inventado. Mesmo quem não quer conta seus segredos ao seu quarto, nem diário ganha de tamanha façanha. Se algum dia chegar a entrar em um quarto que não seja o seu, maravilhe-se. Pois você foi confiável o suficiente para entrar no mundo mais profundo do dono desse mundo encantado.
Paula Cristina.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Música

Falar de música é lindo, sentir música é lindo, entrar na música é lindo, mas nada se compara a fazer a música. Sentir cada nota, cada ritmo, cada cada da música. Quando se penetra na música já não tem jeito, não tem lugar, não tem momento. É você e ela. A música é divina, especialmente quando vem de dentro. A música é sentimento misturado com o mundo. É a mais pura realidade do sentimento. Ela é partitura, melodia, som, entendimento. Sem o sentimento a música se torna barulho. Com sentimento qualquer barulho se torna música. A música é linda!
Paula Cristina.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cena do esmalte

E veja só como somos impressionáveis, nós humanos. Outro dia estava na rua e um moço, simpático até, veio me falar sobre um trabalho voluntário em uma clínica para drogados. Pensa-se que pessoas assim já vivenciaram muito e aprenderam a lidar com diferenças, por mais "esdruchulas" que sejam. Não é de se ver que ele olhou para minhas mãos arregalou os olhos e levou a cabeça para trás em um susto, juntamente, dizendo: "NOSSA!". Impressionou-se com meus esmalte, em um dedo passei vermelho e em outro passei roxo, em sequência: vermelho, roxo, vermelho, roxo. Pediu desculpas, mas essa cena vou levar comigo por quanto tempo eu puder. Achei cômica, e o moço tadinho, todo embaraçado pedindo desculpas pelo susto que levou. Ganhei meu dia. Estou rindo até agora.
Paula Cristina.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ouço

Não sei ao certo o que diriam os Deuses sobre o que acabo de ouvir. Ouço tamores e flautas se misturando em insultos apaixonados do amor mais puro e intenso. Ouço amor e ódio. É o perdão chegando sorrateiro. Ouços sorrisos se abrindo em arco-íris de imensidão. Ouço lágrimas derramadas com fervor. Ouço razões que o coração não quer admitir. Ouço você no seu mais singelo inspirar.
Paula Cristina.

domingo, 20 de setembro de 2009

Criação

Impressionantemente sou tão inconstante que meus textos escritos a segundos atrás já não pertencem à minha mente. Não me lembro em momento algum minhas palavras depois que delas retiro o mel. O que me incomodava ontem já não me incomoda hoje. Não porque não tem importância, porque tem, mas porque simplesmente, o sentimento, quando solto no ar, já não é mais meu, é do mundo, mesmo que o mundo não saiba. E então eu leio e releio. Às vezes acho lindo, às vezes trágico ou alegre. O interessante é que no final das contas não é tão desesperante quanto parecia a mim quando sentia. Deve ser mais uma vez a questão de ser solto no ar, já não é meu, é do mundo. É como um filho, prestes a voar e quando voa, voa. Já não é filho, é criação, é aquilo que um dia foi seu e já não o é mais. É lindo.
Paula Cristina.

O mais difícil

O mais difícil me atrai. Acho lindo essa coisa de ser difícil, enfrentar as asneiras, os problemas, os medos. O mais difícil é poético, é preciso sair do lugar confortável e se infiltrar em um lugar desconhecido por completo. O mais difícil é prazeroso no final, porque sabe-se que ninguém faz questão, e se alguém faz questão é porque é forte o bastante para isso. É por isso que gosto do mais difícil, tenho que me convencer constantemente que sou capaz, sou capaz de ser o que quero, fazer o que quero e enfrentar as consequências: é a prova da força. O mais difícil é poesia disfarçada de terror. O mais difícil é ser mais forte, ser mais complexo, ser, ser e ser. O mais difícil é inomeável. Tomei o caminho mais longo, só para deixá-lo mais difícil e vou fazer isso de novo, só me torna mais forte.

Paula Cristina.

sábado, 19 de setembro de 2009

Ex ficante

É uma pena que não tenha dado certo. Não porque eu não quis, mas porque você já tinha alguém em sua cabeça. Vejo hoje, que poderia ter sido eu a surtar sua cabeça, seus olhares ainda são meus quando estou por perto. Não gosto de me gabar de tal proeza quando se chega ao final do relacionamento. Não gosto porque é estranho, não se sabe o que fazer. Mas, com você, tenho vontade de gritar aos sete ventos: "ELE ESTÁ ME OLHANDO! ELE ESTÁ ME OLHANDO!". Não o faço, por ser sem propósito... e também por orgulho. Não quero admitir que tudo que quero é me jogar aos seus braços e que ainda seria sua. Só que meu orgulho me manda dizer que agora não quero, não quero e não quero.
Paula Cristina.

Carta de agradecimento

Querido Neto, agradeço por todo o carinho que me deu, sem nem ao menos saber que me deu. Me trouxe força para ver com meus próprios olhos aquilo que já não queria ver. Tinha muito medo para isso. Você despertou o lado mais real de minha vida, aquele que escondia porque não via saída para deixá-lo livre e vivo. Agradeço por ter entrado em minha vida da forma mais estranha e irracional, por ouvir meus surtos e, ao menos, fingir não se importar de ouvi-los. Te joguei em um pedestal, pois precisava acreditar em algo maior que eu. Quando não mais precisei, o joguei aos meus próprios lobos, já havia me esquecido que você é humano. Hoje, finalmente, coloquei você em seu lugar: o de homem, ser humano, errante, vivente. Te levarei sempre em meu coração. E peço que me perdoe se algum dia eu te deixei desconfortável. Você foi meu guia espiritual, meu anjo da guarda. E nunca soube disso. Não faz idéia da felicidade que me toma hoje ver você sorrindo de olhos brilhantes. Agradeço todos os dias por aquela que não conheço que te faz feliz. Agradeço porque sou grata a você todos os dias de minha vida e vejo que você está bem, que ela te faz bem.


Paula Cristina.

O sonho

Eu estava de volta ao tão familiar mundo da psicologia. Meu primeiro dia depois de tanta vida, tanta experiência. Tanta tanta. Audrina ao meu lado. De repente Lucas vem ao me encontro e eu retomo todos aqueles sentimentos tudo de uma só vez. É nessa hora de desespero que Marina reaparece também. Como senti saudade de Marina e nem percebia. Contei a ela tudo que sentia. Ela disse para que eu esperasse, ele podia querer dar o troco em mim, por não querer nada com ele. Passei horas, só olhando, só olhando. E ele sentou ao meu lado e nos beijamos.


Paula Cristina.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Zumbis

Não estavam ali, não estavam ao meu lado, não me deram a mão. Não são amigos, companheiros. Nem ao menos perceberam meu andar. Não se importam. Não, não, não. Não pensam, repetem. Não falam, gruem. Não observam, vêem. São falsos políticos atrás de promoção. E me perguntam ainda se tenho certeza de que não quero estar um mundo desses. Compreendo que não existe solução para fugir, em um momento ou outro terei que me infiltrar por alguns instantes. Mas daí mudar meus próprios padrões, sentimentos e planos para me encaixar em algo que não adianta encaixe? Nunca encaixou mesmo... Não me importo em ter o olhar deles, pois é fraco, triste, sem vida e respeito. São pessoas perdidas em si mesmas que preferem retalhar aos outros a aprender que existem diferenças. Pessoas assim não quero pra mim. Zumbis é o que são. Não vêem. Se deixam camuflar pelas sombras do desconhecido. Não sabem amar, sabem apenas comer aquilo que não é sua raça, não existe compaixão. São nazistas prestes a jogar judeus dentro de uma fornalha. São civilizações massacrando bárbaros. São tudo que não quero para mim.
Paula Cristina.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Medo

Ah, minhas dores, meus pecados, minha inconstância... Hoje acordei assim, cheia de mim, de você, dele e dela. Não quero me perder de novo em altos e baixos sem explicações plausíveis. Me acostumei tanto a ser quem querem que eu seja, que faço isso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Me acostumei tanto que tenho medo de ter minhas responsabilidades, mesmo desejando-as de todo o coração. Tenho medo por achar que não tenho capacidade suficiente para isso. Tenho que enfrentar e eu sei disso, sempre soube, só não me sentia capaz. Agora me sinto. Estou morrendo de medo, aliás tenho falado muito de medo, pensado no medo e agora o enfrento. Até onde eu vou? Até onde?
Paula Cristina.

domingo, 13 de setembro de 2009

Desgosto

Conheci todos os sentimentos, inclusive aquele que eu ansiava conhecer e nunca havia conhecido. Fui em todas as direções e nomeei sensações sem nome. Agora só me falta viver, viver tudo de novo. Viajar, conhecer e reviver meus sentimentos. O único que já não anseio mais é aquele que mai ansiei. E eu deixo ele preso em seu calabouço e jogo a chave no mais profundo dos oceanos, para que assim o ódio jamais reine em mim outra vez.
Paula Cristina.

Mulher de contradições

Seria mais fácil se ela simplesmente parasse de se encontrar com todos eles. Mas não, ela tinha que ver os dois, tinha porque sentia falta. Não passou por sua cabeça que os perderia, ele nunca se importou, porque se importaria agora? Mas ele se importou, ele se foi. E sua dor, sua vergonha, sua perdição se juntaram em uma só maldição lançada por si mesma. Ela é ser de erros e acertos, ganância e simplicidade, orgulho e humildade. Têm todos os atributos que procuram em uma mulher, ela nasceu para conquistar, mas não sabe como controlar seus próprios poderes. Seu coração é tão puro e podre como poderia. Sua contradição é sua melhor e sua pior qualidade. Sua fidelidade está com aqueles que são fiéis a ela e sua dor e jogada naqueles que a machucam. Qual é a sentença então?
Paula Cristina.

sábado, 12 de setembro de 2009

Desacato a regras

E mais uma vez fugi, com medo do que ocorreria se ficasse naquela tentativa de desacatar as regras postas por mim. Medo. Sim, na forma mais singela. Não é fácil sair da antiga roda de vida por si só. E lá estava ele, mudando meu horário, meus planos. E isso, já bastam meus pais. Maior desacato às regras do meu mundo, não poderia existir. Então deixei de lado e fui dormir. Não me importava que ele estivesse me esperando. Não importava, porque naquele momento importava a mim, aos meus ideais, minha idéia. Aquilo tudo doeu e agora preciso me redimir por ter assumido meu lado sombrio mais uma vez.
Paula Cristina.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Renovar-se

Renovar-se é uma arte, um ritual. Primeiro, é necessário querer mudar; segundo, é necessário agir e terceiro, é necessário continuar se renovando. Logicamente não deve tratado como uma obrigação ou tradição, pode causar danos se feito para fugir ou apenas por fazer. Renovar-se é a necessidade de tirar tudo de dentro de si, reorganizar, priorizar certas coisas, mudar algumas de lugar e jogar fora outras. Requer tempo, paciência e amor, muito amor. Renovar-se é como arrumar a casa, tomar banho, cuidar da beleza externa, se arrumar para o namorado. Mas só deve ser feito se assim se sentir bem. Renovar-se é em si a arte de ser o que se é sempre.
Paula Cristina.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lembranças indesejadas

Ela entrou no quarto. Seu hobbe esvoançando com o vento que entrava pela janela. Olhou ao redor. Ninguém. Também, pudera, ele estava lá fora, a uma distância considerável da casa que um dia chamara de lar. Os móveis foram mudados de lugar. Ela não queria nada que lembrasse tudo que eles viveram, ainda doía, mesmo depois de 3 anos. Sentou calmamente em sua cama, tudo que lembrava ele, escondido dentro de uma caixa na parte mais difícil de se alcançar do armário. A única coisa que permanecia visível, era o presente que ele dera a ela, para que nas noites insones ou de terror ela agarrasse o bicho de pelúcia e lembrasse que ele estava lá. Que bastava apenas um telefonema e tudo se resolveria. Ela não quer esquecê-lo, por mais que diga que sim. Não quer, porque é bom saber que existe alguém que ama como ela sonhou ser amada. O bicho de pelúcia continua lá por isso. Ela evita tocar nele, ou precisar dele, até porque já faz anos que ela não pode recorrer a ele. Mas o bicho continua lá intacto e ela imagina o que poderia ter sido. Deixa lá com a esperança de que um dia olhará para ele e o sentimento não mais estará lá. E quando isso acontecer poderá ouvir músicas que já não ouve mais, comer comida chinesa, assistir filme de terror com alguém do lado, sair para sentar na praça e levar o cachorro para lhe fazer companhia, beber vodca com suco de uva, sentir certos cheiros de perfume, passar na porta da casa dele, entrar em um hotel específico... Ah, tantas lembranças para tão pouco tempo. Lembranças que ela evita, mas que às vezes se jogam em seus pensamentos como um turbilhão e então tudo volta, o sentimento, o sorriso e por final a lágrima. Dolorosa e sentida, a lágrima de tantos momentos perdidos. E em um sussurro ela tenta dizer eu te amo, mas sai tudo embaçado. Ele não está lá para ouvi-la.
Paula Cristina.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A noite e o silêncio

Gosto da noite. Gosto de dirigir, cantar, dançar, andar, pensar, sentar... tudo de noite. A noite é linda! Tem aquele ar de lar, romance, vela acesas, festa de pijamas, luau, concerto, filme de terror e... silêncio. Ah, o silêncio quando bem apreciado, na hora certa, do jeito certo é maravilhoso. É dele que nascem as mais belas histórias, as mais belas músicas. É no silêncio que se lembra. Lembra de tudo, bom ou ruim, e transforma tudo em melodia. É no silêncio que vêm os sentimentos e a calmaria. E o silêncio só é total naquela noite de lua cheia, na madrugada mais escondida que tem. Quando os que estão fora ainda não foram embora e os que estão em casa, permanecem. É nessa hora que a noite atinge seu ápice de delicadeza, porque ela e o silêncio se encontraram. Sim, acredito que, como a lua e o sol, a noite e o silêncio têm um romance secreto. Vejo a noite com seu vestido de gala preto com seus brilhantes a enfeitá-la. E o silêncio, ah, um galã esperando sua dama aceitar o convite de dançar um jazz tocado pelos anjos. É nesse instante que, em todas as noites, o silêncio declara seu amor. Não cansa nunca de lembrá-la. Porque só assim, ele sabe, que a terá para sempre.
Paula Cristina.

Palavras

Sou a crescente indagação do ser, e mesmo assim, me perco em desajustes desnecessários de não indagação. Acordo todos os dias com os mesmo chicote nas mãos. Aquele que me machuca e machuca os outros. Acordo também com Lírios. Não rosas. Lírios. Ouvi um dia que Lírios querem dizer "eu te desafio me amar" e gostei da frase. Ficou em mim. Mesmo que esse significado esteja errado eu os aceito como verdadeiros e quero ver quem os tira de mim. Acredito no que quero. Assim como Branca de Neve. Nunca gostei dela. Nem de mim. E hoje amo ambas. Mesmo quando não quero. Não estou com vontade de usar vírgulas. Então que se virem com os pontos e continuações. Uma hora você entende. Este brincar de pensamentos está me cansando. Muita informação para um pedaço de papel mal escrito que eu não usei. É. Boa noite.
Paula Cristina.

Corpo e coração... meus

Ah, se meus olhos lessem meu coração seriam puro entendimento de um momento não vivido. Ah, se meus ouvidos ouvissem meu coração seriam violinos e guitarras e trompetes e gaitas. Ah, se minha boca falasse ao coração seriam canções de ninar, terror, amor, perdição. Ah, se minhas mãos servissem meu coração trariam almas, cartas, poesias, fotos e muita emoção. Mas ainda não. Meu corpo ainda não serve a mim. Serve, sim aos outros que por arrogância não percebem a dor de não ser. Mas, aguardem, meu corpo desperta, meu coração o desperta e em um rufar de tambores serei para sempre senhora de mim.

Paula Cristina.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Oração de gerações

Cada geração têm suas necessidades, e dentre muitas delas as essenciais de uma para outra. O que me chama a atenção é que durante o relacionamento de uma ou mais gerações, a anterior parecer esquecer da necessidade e do próprio prazer de se aprender por experiências próprias, mesmo que isso cause, às vezes, uma certa dor que considero até necessária para o crescimento. Entendo que existe toda aquela história de amor, preocupação, cuidado, responsabilidade e culpa, eu mesma os tenho. Não me importo com eles, desde que não nos impeça de experienciar. O que me chateia é que mesmo sabendo da necessidade de tais vivências tem existe uma não aceitação de que esses sentimentos são da própria pessoa e é ela quem deve lidar com isso e não aquelas que estão em plena fase de adquirir momentos. Se for pra acontecer vai acontecer, quer queiram, quer não. Então hoje faço uma singela oração para as forças ocultas que regem o Universo: Me dê sabedoria e força para enfrentar meus próprios fantasmas e parar de tentar enfrentar os fantasmas dos outros, até porque eles nunca irão nos assombrar.


Paula Cristina.

sábado, 5 de setembro de 2009

O fenômeno

A rua mal iluminada atrai furtivamente seus olhos que param por um momento e capturam tudos a sua volta. É disso que vai lembrar quando for dormir. Conta os passos como um ritual para que não perca um segundo do que pode vir a ser em milésimos agora. Agarra o pedaço de papel, chegando a amaçá-lo de tanta excitação. O coração acelera e o pulso falha, o papel cai e com um sussurro ele pronuncia um 'oh' de tamanha exaltação que os Deuses param para contemplar. Aquele momento é divino e ele continua a se perguntar como ninguém ainda descobriu tal coisa. Pega o papel no chão, olha o céu e de repente agradece que ninguém saiba de tal coisa, já que aquele sentimento é dele e de ninguém mais. Segura o chapéu na cabeça, como que com medo de tirarem tal lembrança de sua cabeça e sai andando. Finalmente reviu o que tanto anceava.


Paula Cristina.

Sem sentido.... para você.

E hoje eu acordei dizendo pra mim mesma que não iria escrever aqui. Não estava com vontade, mas pensamento vai, pensamento vem e aqui estou eu. Sorrindo para o computador achando graça da lua ser branca. Lembrando de um passado sem memórias e vivendo um futuro sem visão. Pergunto a você que nunca chegará a ler meus textos: porque você está aqui?


Paula Cristina.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Leitora

Outro dia eu estava falando com uma amiga minha e ela se impressionou quando eu disse que lia um livro de mais de setecentas páginas em uma semana. Aquilo me encabulou. Não porque eu acho que seja fácil, mas porque pensei que para pessoas cultas e cheias de leituras complicadas um livro de proporções grandes não seria empecilho em uma semana. Me peguei analisando isso agora e me dou o direito de expor minha teoria. Quando eu leio, leio com a alma, dou tudo de mim, entro no livro como se fosse eu a presenciar o que for que seja que esteja escrito. Nesse ponto devo concordar com Clarice Lispector quando diz que o leitor é também escritor do livro. E é, por sinal. É tanto que do que foi escrito, cria uma interpretação própria. Cada leitor entende uma frase de modo diferente de outro e ao mesmo tempo que um interpreta dor, o outro pode interpretar gozo. E talvez seja por eu me sentir parte do livro que eu o leia com tanta fericidade e ardor. Eu preciso terminar, preciso sentir o que me foi tirado desde o nascimento: a liberdade de fazer, ser, viver e morrer.
Paula Cristina.

Aos mórbidos fugitivos

Gosto de coisas mórbidas. O que me intrigam são aqueles que dizem não gostar, mas quando se deparam com um noticiário de mortes, com um acidente na rua ou qualquer outra coisa do tipo passam dias analisando as causas e até desejando punições não permitidas em nosso país. E isso me intriga. Me intriga porque quem não gosta de coisas mórbidas não deveria pensar assim, não que seja uma regra, mas se não se gosta de qualquer processo de dor e nega qualquer interesse à dor, porque então pensam em "justiça" àqueles que foram infustos? Não seria o prazer mórbido escondido por raízes de coisas socialmente corretas? Esse é meu apelo àqueles mórbidos fugitivos que negam seu desejo de ver destruição para não assumir a própria. Sejam mórbidos assumidos. Isso evita muita confusão.
Paula Cristina.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sobre Clarice

O tempo está com cara de querer chover, os barulhos de construções se arrumando para serem lançadas ao mundo com ar de lar fazem parte já do ritmo constante das canções compostas por passarinhos, pessoas indo e vindo de carro ou a pé e tudo que penso é se Clarice Lispector chegou a descobrir um novo sabor. Aposto que sim, aposto que já descobriu tantas coisas que não contou, não porque não quisesse, mas porque certas coisas a gente deixa só pra gente. É como naqueles momentos que a gente não quer falar, porque se falar perde a mágica. Fico a me perguntar o que levou Clarice a ser Clarice. Devo concordar com ela, não porque é um dever, mas porque eu sempre pensei nisso: pensar é uma arte, uma brincadeira, um hobby. Quem se deixa pensar se deixar amar, viver e ser mundos diferentes tudo de uma só vez. E lá vou eu pensando de novo, brincando de Guerra nas Estrelas...
Paula Cristina.

domingo, 30 de agosto de 2009

Porque?

É impressionante como nascemos para acreditar que certas atitudes são tão impressionantemente erradas que devemos negá-las a todo custo, mesmo que nossa consciência esteja implorando para a verdade ser revelada. Quantos problemas emocionais, amizades interrompidas, relacionamentos acabados tiveram como pano de fundo a mentira disfarçada com a simples idéia de "foi para o seu bem", "eu não queria te machucar", "tive medo de te perder" e tantas outras desculpas que usamos para aliviar nossa culpa. No final das contas quando menos esperamos nos vemos em uma teia sem saída que nos sufoca alucinadamente. Percebemos então que se tivéssemos abraçado nossos comportamentos não aceitos e não esperados teríamos podido poupar muita coisa: noites de sono, relacionamentos e paz, muita paz. Percebemos que negar nosso lado obscuro nos leva a negar a nós. Não existe certo sem o errado, escuro sem o claro, barulho sem silêncio. Quando nos damos conta desse emaranhado de diferenças, nos mudamos, reconstruimos, crescemos e mais importante de tudo temos menos drama e mais sorrisos, menos dor e mais alegria, menos guerra e mais paz. E eu fico a me perguntar porque somos ensinados a ocultar certas coisas só pelo fato de serem consideradas ruins, quando é exatamente a exposição saudável e sem alardes que trás a paz de espírito e a compreensão em um nível maior. Porque devemos ter medo de errar?


Paula Cristina.

Hoje

Hoje eu acordei renovada. Passei minha vida inteira achando que deveria sustentar o mundo nos meus ombros e que meus sentimentos eram meus e de ninguém mais. Contrariei minhas regras para ver no que dava. E deu, deu entendimento, forças renovadas e uma amizade fortalecida. Seria mais fácil eu esconder, porque assim não precisaria me enfrentar, te enfrentar. Foi menos difícil do que eu pensei. Estamos crescendo juntas. Duas pessoas opostas aprendendo o que tinham que aprender juntas. Com o tempo vai melhorando, as feridas cicatrizando. Hoje eu acordei completamente aberta ao inesperado mais uma vez, aberta às possibilidades de nossa amizade. Hoje sei que eu devo sim dizer. Dizer com carinho, atenção e compreensão, mas ainda assim dizer.
Paula Cristina.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O que você faz?

O que você faz quando descobre que todas as qualidades que você odeia em si mesmo foram apontadas pelas pessoas que mais ama? O que você faz quando você se mata tentando mudar algo e alguém te convence de que será uma busca sem triunfo? O que você faz quando se trai de forma mais dolorosa e pesada? O que você faz quando você não mais acredita em sua própria capacidade de ser o que quer ser? O que você faz quando percebe que está sozinha e já não tem mais nada para arrebatar a dor? Você se entrega a tudo? Você sucumbe ao caos? Me disseram uma vez que se entrarmos no caos, estaremos sempre nele. Não deixo de acreditar, mas desacredito ao mesmo tempo. O que você faz quando o caos é tudo que te resta? O que você faz?

Paula Cristina.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

sobre eu e você.

Eu achava que estava apaixonada por você, mas a verdade é que estava apaixonada pela idéia do que eu queria que nós tivéssemos sido. Um erro clássico, mas arrasador. Todas as nossa músicas continuam sendo nossas, pelo menos para mim. Nossas conversas, olhares, carinhos continuam intactos em minha memória. Você se foi a tanto tempo, porque eu permiti, mas eu ainda o sinto aqui. Não é sua culpa, nunca foi. Foi minha culpa e não tem sido fácil admitir tal coisa, mas é necessário para que eu consiga dormir mais uma noite em plena paz. Hoje você encontrou brilho nos olhos e por isso eu fico feliz. Não nego dor ao perceber que não sou eu o motivo de sua felicidade. Eu fui uma vez, a sentimentos atrás, quando ainda podíamos sentir nossos lábios se encontrando em um sussurro breve. Hoje sou apenas eu a sentir tal fenômeno. Me perdoe pela dor que eu causei. Percebo claramente que essa dor também gerou dor em mim com a mesma intensidade. A diferença é que não me deixava sentir e era eu mesma a inflingidora de tais penas e não você. Hoje sei que preciso seguir em frente e assim o faço. Mas deixar de te amar? Não sei. Nunca fui apaixonada por você, mas te amei com todo meu coração. Sim, paixão e amor são diferentes. A paixão deixa rastros loucos e perturbados e, logo depois, deixamos de nos importar com aquele que foi fruto de nossos maiores instintos. Mas o amor, ah o amor, não tem barreiras. Não importa onde vamos, sempre levaremos lembranças daqueles que amamos. O amor não esquece, apenas finge esquecer para sorrir mais uma vez. Durma bem essa noite e a noite seguinte e a noite seguinte. E se algum dia sentir falta do meu olhar me procure, eu sempre estarei aqui. A questão é se você algum dia saberá isso.


Paula Cristina.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O adeus que eu não pronunciei

Não era pra ser assim. Era pra sermos amigas para sempre, mas você não deu valor, você não se importou, passou por cima de todos os meus sentimentos. Chegou a achar normal que eu entedesse todas as traições que você me inflingiu. E era normal, enquanto eu não me amava o suficiente, enquanto eu precisava amar outras pessoas, já que não conseguia me amar primeiro. A questão é que hoje eu me amo e não sei como conviver com alguém, que eu sei, poderá trair minha confiança uma outra vez. Não deixei de te amar, a questão é que agora eu te odeio também, às vezes. E esse meu ódio e amor fará mal tanto para mim quanto para você, se continuarmos a nos relacionar. Minha contradição é uma constante, mas ainda assim difícil de ser controlada quando explode. Espero que me perdoe pela minha ausência, assim como espero te perdoar também pelos seus erros. Quem sabe eu esteja errada e o que eu considero errado não seja um erro e então talvez eu terei que pedir perdão uma outra vez pela minha audácia. Tudo está muito confuso no momento e essa carta não enviada é tudo que eu tenho para tirar toda essa confusão de dentro de mim. Talvez você chegue a ler todas essas palavras, mas é provável que não saiba que eu as dedico a você. Meu coração pesa e eu nada posso fazer até saber porque ele pesa. Talvez seja você, talvez seja o cheiro do orvalho. Eu não sei, ainda. E eu fico por aqui. Deixo de escrever para tentar dormir...


Paula Cristina.

domingo, 23 de agosto de 2009

Amante

Meu lado obscuro se fez presente assim que desci as escadas em direção ao carro. Não tinha certeza se realmente aconteceria ou se era apenas minha imaginação pregando peças. Dirigi nervosa, completamente distraída por aquele cheiro que me hipnotizava. Meu corpo inteiro tremia, pensaram que era frio, já que meu corpo estava completamente gelado, mas eu nada sentia senão uma ansiedade imensa por não saber o que aconteceria. Conversamos por um longo período até que meu destino me pegou de surpresa e lá fui eu de encontro ao desespero e colapso mental e ele viu tudo. Completamente ridículo meu desespero, mas se ele achou o mesmo não demonstrou. Pelo contrário, se mostrou completamente compreensivo. Então me encarou daquela forma, para ver se eu enfrentava seu olhar e foi aí que eu soube que meu lado obscuro seria mais forte aquela noite. Escrevo isso como confissão de meus surtos errantes, de meu instinto selvagem, de meu completo desacato a qualquer ideologia que seja, mesmo que eu acredite piamente nela. Sou contradição da forma mais pura, pois acredito, confirmo e até prego, mas meu fetiche pelo proibido se mostra mais forte de vez enquando, quando não tem ninguém pra me dizer que pare. E sinceramente, se tivesse alguém para me impedir, ficaria mais interessada em quebrar as regras, pois assim eu teria obstáculos. E vamos encarar os fatos, eu adoro desafios. E assim se fez, quebrei as regras da melhor forma possível. Ele foi bem claro quando nos despedimos que não queria que eu fosse. Dirigimo-nos, um pra cada lado e nunca mais nos vimos, a não ser talvez pelas festas em comum.
Paula Cristina.

sábado, 22 de agosto de 2009

Sobre ser

Já quis ser lutadora, mulher do deserto, prostituta, monge, rei arthur, mulher maravilha, sheeha, hannibal, merlim, morgana, personagem épico, atriz, modelo, gueixa, cleópatra, feiticeiro. No final restou a mim e meus aprendizados durante a jornanda de meu "querer ser". Hoje sou um pouco de cada, junção do que me fascinava e ainda fascina. Sou hoje, o que fui ontem e um pouco do que serei amanhã. Sigo um futuro com um olhar de medo e uma pontada de esperança em ser o que sempre quis ser e levar e trazer paz e amor por onde eu andar.

Paula Cristina.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

apenas palavras...

Eu não escrevo palavras bonitas, nem me deixo sentir em meu redemoinho. Meus passos são singelos e usurpados. Preparados para o próximo trair de minha própria raça, de meu próprio sangue, de meu próprio ser. Talvez seja o fato de não me escutar nunca e nunca me deixar falar que sou tão inconsequentemente livre. Seriamente criança e furtivamente adulta. Quem sabe o que eu quero dizer, SABE. Mas a questão é que eu acho de verdade que ninguém sabe e até gosto disso. Fingia que não, mas gosto. Gosto de ser diferente, a desentendida, a incompreendida, a perdida ou qualquer outro termo usado por eles para me descrever em meus momentos de fúria, de fuga, de sutilezas indesejáveis e desnecessárias. Preciso correr, dormir, acampar, gritar, pular, odiar. Odiar quem?! Não tenho ódio, dá pra acreditar? Por mais que eu tenha tentado odiar, não consegui, falhei na única arte que queria ter ativa em mim, para então dar as costas e simplesmente partir. Mas isso, aaaah, isso eu nunca consegui. Quem sabe hoje eu faça isso. Seria interessante, se não fosse completamente sem sentido. É, é disso que eu preciso de mais um comportamento sem sentido.

Paula Cristina.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Só por agora...

Escrevi algumas palavras de madrugada, mas acordei hoje, sentei em frente a televisão e assisti minha série favorita. Não estou contando meu dia, nunca gostei de fazê-lo, meus diários são pensamentos e frases amontoadas para expressar o que eu sinto. Não conto os dias, pois não me interesso por eles. São as entrelinhas que me chamam a atenção. Durante minha série favorita, parei para pensar por um momento em tudo que queria com todo meu coração. Eu quero amor de cinema, não aqueles impossíveis, mas que me façam sentir especial. Quero acordar sabendo que meu dia vai ser perfeito. Deixei algumas coisas para trás, sonhos, fracassos e amores. Outros tantos eu mantenho vivos em mim, a medida do possível. Quero viajar o mundo, sentir o vento lavando meu rosto enquanto me deixo me conhecer de uma forma estonteante. Tenho sido romântica nesses últimos dias. A verdade é que sempre fui, só não admitia. O futuro não me pertence, mas me coloquei a imaginar que se eu acreditar com todo meu coração, meu sonho pode se realizar. Não sei ao certo por onde ir, então eu sigo sem rumo e faço escolhas, erradas ou não. Aprendi que elas me levam onde estou agora e portanto eu as observo com mais clareza. Tudo que faço, escolho com a cautela de um sábio e a paixão de uma criança, pois é tudo que eu serei em alguns segundos depois da escolha. Talvez não passe de uma simples crença sem fundamentos, e eu me pergunto 'e daí?'. Todos acreditamos em alguma coisa, por mais que essa crença seja não acreditar em nada. Minhas palavras vão agora ficando vagas, talvez porque não tenho nada mais a falar, talvez porque não me deixo aprofundar... Quem sabe um dia eu venha a escrever algo além de palavras, algo além do que eu sou. Por agora, eu me contento com o que eu tenho. Mas só por agora....


Paula Cristina.