sexta-feira, 26 de agosto de 2011

apenas se perder...

Ela sentou no meio fio. Passou as mãos pelo rosto. Não acreditava no que tinha acabado de presenciar. Respirou fundo, deixou um suspiro pesado sair de seus pulmões. Não queria pensar, conversar, nada. Não queria absolutamente nada naquele momento. A sensação de falta de ar a incomodava, mas tudo bem, daqui um tempo passa. Músicas e mais músicas surgiam em sua mente, mas não queria ouvir, não queria pensar, não queria cantar. Precisava de um pouco de silêncio, daqueles de meditação. Controlar o centro, conversar com seu centro, se restabelecer. Poderia ser o cansaço, mas não era só o cansaço. Era horas de sono mal dormido, preocupação desnecessárias de trabalhos ainda não planejados e futuros não resolvidos, medo de certos assuntos, irritação por certos momentos. Era um conjunto de coisas banais que se tornavam enormemente ameaçadoras diante da ansiedade dela. Levantou do meio fio e entrou na casa logo atrás. Tomou um banho. Aprendera que banhos rejuvenescem e relaxam como nunca, quem quer que tenha contado isso a ela estava certo, sempre funcionava. Foi colocando a roupa devagarzinho, pegou o celular, queria ligar, mas sentia que ia atrapalhar uma tarde calma com sua presença desconcertante. Não que fosse sempre assim, mas neste dia, estava cansada, meio incomodada com o mundo e não queria conversar. Iriam ficar ali, naquele silêncio estranho porque ela não aguentava, tinha que compartilhar seus momentos angustiantes com alguém. Não, de forma alguma. Jogou o celular de lado e saiu caminhando sem rumo. Queria se perder, por uns minutos singelos, apenas se perder...



Paula Cristina.

domingo, 21 de agosto de 2011

Dia nublado

Aquele silêncio conhecido de início de manhã, um passarinho aqui, outro passarinho ali trazem o ar da graça para aquela manhã nublada com cheirinho de campo e de chuva e uma pitada inconfundível de lar. Os apaixonados pelo verão que me desculpem, mas esse tempinho é o melhor, tem jeito de lar, café e aconchego... não nasci para viver nos trópicos, gosto do frio, do arrepiar da pele, da brisa leve e fria que passa pelo corpo contando que existe vida no meio do nada. Fecho os olhos lentamente saboreando o ar ao meu redor, respiro fundo para que o ar penetre da forma mais gostosa, sento e medito minutos a fio. Calma, pacificidade, sorrisos, tranquilidade. Fecho os olhos para guardar na memória (como faço em todos os dias assim) o tom acinzentado do céu, o cheiro de orvalho, terra, folhas, troncos de árvore, o toque da brisa, do frio, a luz escondida do sol (e ainda assim o dia fica claro como nunca). Levanto, arrumo o café, jogo conversa fora, leio meus blogs favoritos, checo meu horóscopo (como toda boa supersticiosa faz), checo os emails, os livros que estou lendo, os filmes que já vi, pesquiso os lugares que quero conhecer e a lista das minhas paixões menores vai ficando cada vez maior e o meu sorriso cada vez mais bem feito. Sei então que estou em casa. Agora só falta aquela ligação que eu tanto amo para completar o dia "estou passando ai" e vem a correria da ansiedade para ajeitar o cabelo e passar um perfume. Meu dia então fica completo.
Bom dia blogueiros! E que dia! ;)


Paula Cristina.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Talvez...

Talvez fosse o vento escondido no tronco da árvores ou mesmo o sol disfarçado de sombra, mas por um momento senti o silêncio tomar conta de meu interior de tal forma que eu pudesse simplesmente compreender coisas que nunca ficaram claras e parar de criar coisas que nunca estiveram ali, nem mesmo por alguns segundos quaisquer. Então ao perceber o movimento sorri sorrateiramente para não afugentar as idéias. Sentei e escrevi tudo e pensei e raciocinei e trabalhei coisas que nunca havia trabalhado antes, mas que agora eram tão óbvias que me perguntava "porque? Porque não percebi isso antes?". Talvez não estivesse preparada, talvez não quisesse ver, talvez eu cresci mais um pouco sem me dar conta. Não importa tanto o talvez, o que importa é que cheguei aqui e isso me faz tão bem que me pergunto "onde estive este tempo todo? Será que o jardim sempre foi um jardim?", então me dou conta de que o jardim sempre esteve ali, a diferença é que agora eu olhava pelo buraco da fechadura. A chave está em algum lugar, talvez bem ao meu lado sem que eu perceba, talvez escondida para que eu a encontre. O que importa é a vontade de encontrar, a tentativa árdua. Não importa o tempo, importa o que eu faço dele.


Paula Cristina.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O quadro

Ali, branco no preto, rosa no marrom, cor sobre cor. Rabiscos e mais rabiscos formavam um quadro. Lindo, sutil, inocente. Aquela inocência de contos de criança quando não entende a parte do sexo, do tabu, do escondido da sociedade. O beijo leve na bochecha, a vermelhidão da face condenando a vergonha, o despreparo, o desconhecido, o carinho. Era tão bonito que chegava a ser meigo, era tão amor que chegava a tocar. Como se fosse a própria, na ponta dos pés, beijando a bochecha, os olhos fechados condenando um "eu gosto, gosto sim" sorria e pensava "que lindo, quero beijar assim..."