Pular para o conteúdo principal

Meu mimo

Vou contar um segredo, sou a pessoa mais mimada que você vai conhecer. Meu mimo não é de ser princesa, mas de não saber ouvir "não" em relacionamentos. Não sei não ter amigos, não sei não agradar e quando vejo que não agrado me revolto. Meu mimo é ter medo de não ter. Me disseram uma vez que a gente tem medo do que pode dar certo. Eu tenho medo de não dar certo, faço tudo para dar certo. Mudo meu jeito, troco de nome, de sorriso, de olhar. Troco tudo para saber ser amada. Meu mimo me mata, porque jamais eu vou conseguir mudar pra agradar completamente e aí eu fico aqui sentada na frente do computador para não precisar encarar a verdade de que não importa quantos amigos você tenha, quantos sejam verdadeiros, no final do dia você deita sozinha e no começo do dia você acorda sozinha. E a dor permanece intacta como uma cicatriz que sangra continuamente. E eu nada posso fazer a não ser tentar aprender que não adianta o quanto você se esforce, vai ser sempre você contra o mundo.


Paula Cristina.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

De mulengro a centro

Mulengro se apossa de mim de vez enquando, e quando isso acontece parece que adiquiro o dom de me culpar quando não devia e deixar a culpa tomar conta, mesmo quando não se pode fazer nada pra mudar. Adquiro o dom também de me vingar, mesmo sabendo que não há necessidade. Só mesmo para sentir o gosto de pensar que a dor não é só minha. Mas então o centro me engloba e o mulengro já não é chamativo e então vivo dessa ida e vinda. Alguns diriam que essa inconstância se chama bipolar. Não, eu a chamo de traço adquirido devido ao sistema, a cultura e a falta de crescimento emocional. E então me ponho a ir e vir e aprender a sempre ir para o centro e fugir do mulengro. Meu lado selvagem pode sim viver, mas viverá de uma forma livre e esperançosa. Não me quero olhando furtivamente por trás de meu ombro a cada passo que eu der. A vigilia é constante, mas saber confiar e amar e não deixar o mulengro adentrar é uma forma a mais de me acalmar, de me fazer sorrir. Paula Cristina.

Ano Novo Pessoal: uma associação livre

Dizem que temos dois anos novos. O ano novo para todos, a virada de ano global e a virada de ano do próprio aniversário. No meu caso, meu ano novo pessoal é hoje. Dia 17 de janeiro. E a primeira coisa que decidi fazer é escrever. Escrever porque faz parte de mim. Olhar pra mim, entrar em contato comigo implica em uma escrita posterior. Não sei explicar o porque, só sei dizer que é assim. Eu sou levada a escrever assim como sou levada a ler, a ouvir música, a assistir um filme, a olhar uma obra de arte. Foi assim desde sempre e só não é quando está muito difícil de lidar. Escrever é como dançar e cantar, passa pelo reconhecimento, depois tem que passar pelo corpo, pela boca, pelas mãos. É um processo complexo e simples ao mesmo tempo.  Contraditório, sim. Mas somos contraditórios por natureza. Não é sem razão que Freud traz as pulsões à tona. Somos sujeitos contraditórios lá no fundo. Evitamos trazer isso à tona para não incomodar a razão. Contradição. Com tradição. Com tradução. Cono…

Oportunidades

Em meio a luz, cores, sons, sorrisos, olhares, toques e palavras a vida tomava forma. As cortinas se abriam para um mundo outro que trazia consigo a verdade de cada um ali presente. Escondidas pelos cantos dos olhos, essas verdades se faziam presente nos movimentos, marcavam presença nas palavras recitadas, oculpavam espaço nas colchias e no palco.
Melodias inteiras tocadas enchiam o coração, as vozes e os movimentos. Faziam parte dela de uma forma que jamais poderia explicar. Estava onde deveria estar, em casa e sonhando com momentos futuros. Que mundo lindo. Mundo dela. E o sorriso abriu seu rosto, dando o acalento de dias vindouros.
Quer isso, sempre. Quer o palco, as colchias, os ensaios, as luzes. Quer script, partitura, maquiagem e figurino. Quer trocas, sorrisos, olhares, sons e cores. Quer ser mais do que hoje e buscar sempre se superar. Quer força e coragem e, acima de tudo, oportunidades.



Paula Arrais