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Para ser sincero

Para ser sincero não quero sentar em frente a tevê e ver a vida passar, mas também não quero levantar da cama e ir trabalhar. Não porque quero ficar em casa atoa, de pernas pro ar, mas porque o que eu faço não é bem o que me agrada, não é uma carreira, é apenas trabalho. E trabalho por trabalho é triste, sem prazer, sofrido, depressivo, desgastante. O que quero fazer sei muito bem, mas não consigo sair do lugar, não acredito em mim e aí as coisas complicam, machucam, se torcem. Para ser sincero não quero sorrir para você, nem conversar, nem fazer cara de bonzinho, quero felicidade, serenidade e muita força para chegar onde quero. Para ser sincero sou depressivo, doído, um mimado em um mundo partido e estou aprendendo a andar de muletas, já que não consigo andar com as minhas próprias pernas. Para ser sincero eu tento dizer o que sinto e como vejo que sou, porque dessa forma, ou eu mudo ou fico estancado nesse lugar e não é isso que eu quero, é exatamente a percepção dessa dor que tem motivado minha tentativa de mudar. Para ser sincero era mais fácil achar alguém para ficar, me revoltar e me trancar do mundo, me machucar, chorar, espernear, mas assim eu não saio do lugar, assim eu fico em um inferno escolhido por mim. Para ser sincero eu quero andar de noite, sentir o vento no meu rosto, subir em um palco, fazer minha música. O resto é resto, vem por acaso. Para ser sincero comigo.
Paula Cristina.

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Quer isso, sempre. Quer o palco, as colchias, os ensaios, as luzes. Quer script, partitura, maquiagem e figurino. Quer trocas, sorrisos, olhares, sons e cores. Quer ser mais do que hoje e buscar sempre se superar. Quer força e coragem e, acima de tudo, oportunidades.



Paula Arrais

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