Pular para o conteúdo principal

Tem sempre

Tem sempre alguma coisa, alguma carta, alguma lembrança, algum sorriso, algum olhar para mudar o curso das coisas, para nos fazer parar e olhar. Tem sempre algum acorde para nos fazer dançar e um poema para nos fazer falar. Tem sempre alguma coisa acontecendo quando pensa-se que não terá. Tem sempre abraços fortes e beijos demorados, doces desejados e noites enluaradas. Tem sempre aquele amigo com que se possa contar e aquele porre que te põe a se questionar. Tem sempre aqueles que brigam, aqueles que amam, aqueles que calam, aqueles que consentem. Tem sempre mãos que acolhem e pés que escalam. Tem sempre aquela tarde para pensar e aquela chuva para renovar. Tem sempre piscina para aproveitar e pássaros a cantar. Tem sempre estrelas no céu e reflexo nos lagos. Tem sempre cheiro de terra e brisa de mar. Tem sempre um mundo nos seus olhos e amor no seu falar.



Paula Cristina.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

De mulengro a centro

Mulengro se apossa de mim de vez enquando, e quando isso acontece parece que adiquiro o dom de me culpar quando não devia e deixar a culpa tomar conta, mesmo quando não se pode fazer nada pra mudar. Adquiro o dom também de me vingar, mesmo sabendo que não há necessidade. Só mesmo para sentir o gosto de pensar que a dor não é só minha. Mas então o centro me engloba e o mulengro já não é chamativo e então vivo dessa ida e vinda. Alguns diriam que essa inconstância se chama bipolar. Não, eu a chamo de traço adquirido devido ao sistema, a cultura e a falta de crescimento emocional. E então me ponho a ir e vir e aprender a sempre ir para o centro e fugir do mulengro. Meu lado selvagem pode sim viver, mas viverá de uma forma livre e esperançosa. Não me quero olhando furtivamente por trás de meu ombro a cada passo que eu der. A vigilia é constante, mas saber confiar e amar e não deixar o mulengro adentrar é uma forma a mais de me acalmar, de me fazer sorrir. Paula Cristina.

Ano Novo Pessoal: uma associação livre

Dizem que temos dois anos novos. O ano novo para todos, a virada de ano global e a virada de ano do próprio aniversário. No meu caso, meu ano novo pessoal é hoje. Dia 17 de janeiro. E a primeira coisa que decidi fazer é escrever. Escrever porque faz parte de mim. Olhar pra mim, entrar em contato comigo implica em uma escrita posterior. Não sei explicar o porque, só sei dizer que é assim. Eu sou levada a escrever assim como sou levada a ler, a ouvir música, a assistir um filme, a olhar uma obra de arte. Foi assim desde sempre e só não é quando está muito difícil de lidar. Escrever é como dançar e cantar, passa pelo reconhecimento, depois tem que passar pelo corpo, pela boca, pelas mãos. É um processo complexo e simples ao mesmo tempo.  Contraditório, sim. Mas somos contraditórios por natureza. Não é sem razão que Freud traz as pulsões à tona. Somos sujeitos contraditórios lá no fundo. Evitamos trazer isso à tona para não incomodar a razão. Contradição. Com tradição. Com tradução. Cono…

Oportunidades

Em meio a luz, cores, sons, sorrisos, olhares, toques e palavras a vida tomava forma. As cortinas se abriam para um mundo outro que trazia consigo a verdade de cada um ali presente. Escondidas pelos cantos dos olhos, essas verdades se faziam presente nos movimentos, marcavam presença nas palavras recitadas, oculpavam espaço nas colchias e no palco.
Melodias inteiras tocadas enchiam o coração, as vozes e os movimentos. Faziam parte dela de uma forma que jamais poderia explicar. Estava onde deveria estar, em casa e sonhando com momentos futuros. Que mundo lindo. Mundo dela. E o sorriso abriu seu rosto, dando o acalento de dias vindouros.
Quer isso, sempre. Quer o palco, as colchias, os ensaios, as luzes. Quer script, partitura, maquiagem e figurino. Quer trocas, sorrisos, olhares, sons e cores. Quer ser mais do que hoje e buscar sempre se superar. Quer força e coragem e, acima de tudo, oportunidades.



Paula Arrais